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afonsonunes

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Talvez seja melhor ir por partes, pois já ouvi tanta coisa que me apetece dizer como o carrasco, o dos lados do frio, melhor, do gelo. Disse ele que era melhor os faladores de cá acabarem com o ruído, se queriam que o pilim viesse na altura devida, sem os perigosos adiamentos, ou os desastrosos cancelamentos.

Bom, se não foi isso que ele disse, ao menos tê-lo-á pensado, o que vai dar no mesmo. Já me pareceu ter lido por aí, uma data de coisas que me arrebitaram a pituitária, por causa do esturro que se sentiu por perto e por longe. Por causa do tal ruído, que alguém logo considerou que tal significou mandar calar quem não se pode mandar calar.

Portanto, repondo os pontos nos is, quem manda agora sou eu, apesar de não ter mais que uns cêntimos no bolso. Isto deita por terra a velha teoria de que o dinheiro é que manda e comanda. Nada disso, quem manda sou, mesmo sem ter nada a ver com isso. Não tenho, mas quero que façam o que eu digo e… bico calado.

Se dúvidas houvesse, bastaria dizer que exijo participar na conversa e no negócio, apesar de ter já afirmado a pés juntos que isso compete ao outro. Pois compete, compete-lhe começar a conversa e o negócio mas, o meu amigo quer e eu exijo, que sejamos nós dois a concluir as duas coisas.

Razão mais que lógica – o outro já só serve para encanar a perna à rã e ser o bombo da festa, contrariamente ao seu jeito e tendência para ser ele a fazer as grandes festas. Porque eu e o meu amigo, durante as festas dele, deitamos os foguetes e apanhamos as canas, o que é outra maneira de gozar, quando a festa é dos outros.

O certo é que eu não embarco nessa cantiga de ser o outro a dizer o que lhe apetece na tal conversa. Mas eu é que não quero dizer nada, isto é, não quero mesmo conversa nenhuma. E não venham para cá com essa de ser irredutível, pois eu nem sei o que isso é, apesar de já ter consultado todos os meus conselheiros.

O mesmo se passa com o negócio que está em causa. Então eu, que não sou, nem quero ser negociante, alguma vez ia aceitar um negócio feito pelo outro? Às tantas lá diziam os ignorantes que eu era como o outro. Ora isso era uma ofensa ao meu estatuto de quem quer, pode e manda.

Logo, como quem manda sou eu, embora o meu amigo vá por mim, exijo que só venha dinheiro para dois meses, porque depois disso já serei eu a fazer as minhas continhas e a distribui-lo como bem quiser, sem que o outro tenha que meter o bedelho, nem na conversa, nem no negócio.

Que fique bem claro que os tipos do dinheiro não adiantam nada em andar por aí, a partir de hoje, a espalhar aos quatro ventos que quem manda são eles e o outro. Esquecem-se que se eles mandam, eu e o meu amigo, mandamos muito mais que eles todos juntos. Portanto, nós exigimos, perdão, eu exijo e o meu amigo quer, que venha dinheiro só para dois meses.

Obviamente que eu e o meu amigo sabemos perfeitamente que não cheirávamos nada daí, se viesse o balúrdio que eles dizem que vão mandar já, quer nós, eu e o meu amigo, queiramos ou não. Porque, repito, eles conversam e nós decidimos, perdão, eu decido, depois de ouvir o que o meu amigo quer.

É assim que eu exijo que seja, senão faço uma reclamação escrita em inglês, depois de corrigida pelo meu amigo, que seguirá para os chefes deles, que são nossos amigos do peito. Portanto que se cuidem, porque os seus postos de trabalho até podem estar em perigo, deixando em risco a conclusão deste negócio.

Claro que este seria, e quem sabe se não será, o fim definitivo do outro, ou o culminar do rotundo fracasso de mais este negócio em que se meteu e nos quis meter traiçoeiramente. E depois ainda diz que não temos saída. E tem razão, porque a saída será para ele e a entrada para nós. Ah, que fique bem claro que eu ainda não queria entrar agora. Nada disso.

Por tudo isto, tão limpinho como águas turvas, falta pouco, muito pouco, para se confirmar que, mesmo agora, quem manda já, sou eu.