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afonsonunes

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Sei perfeitamente como são vulgarmente designados os primeiros, nos comentários que abundam especialmente nos artigos dos jornais online. Para uns são os socráticos, para outros, os socratinos ou mesmo os socretinos. Como vivemos num país livre, os comportamentos são de quem age de acordo com a cabeça que tem.

É evidente que estas são as designações usadas pelos anti Sócrates, quando detectam alguma opinião que favoreça o designado. Porque, entendem eles, todo o ódio que lhe é dedicado, é para ser obrigatoriamente partilhado por toda a gente, dentro de uma linha de pensamento único de, quem não é por mim, é contra mim.

Iguais razões teriam os socráticos para esperar dos anti, que se reconvertessem e passassem a comportar-se como admiradores normais, e não como odientos radicais e contumazes. Claro que, por uma questão de lógica simplista, isso é igualmente impensável, por incorrer no mesmo tipo de pensamento.

Agora, há uma coisa que tem de ficar clara. Qual a designação que devem ter os que odeiam Sócrates. Porque se odeiam Sócrates é porque estão a defender alguém que é contra Sócrates. Assim sendo, eles são qualquer coisa como, passistas, coelhistas, jeronimistas, louçanistas, ou qualquer coisista no género.

Até podem alegar que não são de coisa nenhuma, além de portugueses, bons ou maus, e eu, generosamente, diria que eles eram, simplesmente, nenhumistas. O que me parece que não podem ser é nadistas, para além de não poderem deixar de ser anti Sócrates. É que o facto de serem anti qualquer coisa, já implica que são pró outra coisa qualquer.

E isso não deprecia, seja lá quem for, de querer ser o que lhe apetece e dá na real gana. O que não pode, é pensar que pode deixar de ser, aquilo que quer obrigar os outros a ser. Se uns são recriminados por estarem do lado de alguém, então os que estão do lado contrário também têm de ser recriminados por terem escolhido esse outro lado.

Isto só é complicado porque eu gosto muito de complicações. Ainda por cima, são as complicações mais simples que mais me fascinam. Por exemplo, quem está do lado do Sócrates é xuxa, e quem é xuxa é ladrão. E, dirão os xuxas, quem está do lado do Passos é laranja e laranja é o banco dos que roubaram milhões e estão todos cá fora.

Por aqui se poderia deduzir, mal, que xuxas e laranjas são todos uns ladrões de primeira apanha. Portanto, não adianta andarem todos ao mesmo, mesmo que todos não sejam mesmo iguais. Senão, ainda podem levar alguém a pensar que, afinal, nenhuns deles gostam de estar muito tempo longe do tal pote orangino onde se pode meter a mão à vontadinha.

Uma coisa é certa. Os xuxas são muito mais atraentes para a comunicação social, quando toca a orientarem-se, enquanto os das laranjas a desorientam, conseguindo assim uma orientação mais rentável e mais segura. Até porque estes usam e abusam da denúncia em situações pouco claras, que depois não esclarecem claramente.

Já vai sendo tempo de se aceitar que os partidos existem, cada qual com as suas clientelas, reclamando-se apenas que se comportem dentro dos limites que lhes estão reservados na democracia. Fora com a ideia de que uns são os bons e os outros são os maus. Pior, que uns são uns finórios, outros uma escumalha.

Não sei porque há quem se admire tanto que um congresso seja um comício. Quem se indigne tanto porque um líder tenha muita gente à sua volta. Seria melhor que o congresso fosse uma chachada e o líder fosse contestado até ao último voto? Bom, poderia ter sido, ‘mas não seria a mesma coisa’.

De espantar seria se não houvesse quem falasse de marroquinos e alemães, com a postura de alemães da super Europa. De espanto seria não haver guerreiros contra guerreiros, pugilistas contra pugilistas, comentadores contra comentadores, Carrilhos e Pachecos a transpirar independência por todos os poros.

Não foi de espanto para ninguém, digo eu, esta aventura de todos nos terem levado até ao FMI. Vamos ver se nos livram de chegarmos mesmo ao FIM.

 

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