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afonsonunes

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E o que foste lá fazer? É a pergunta que muita gente gostaria de me fazer se me conhecesse de algum lado. Como isso não acontece, limito-me a responder que fui dar uma volta a pé, porque havia greve nos transportes. Inconcebível, pois há destinos para os quais nunca devia ser permitido limitar a mobilidade dos cidadãos.

Mesmo a pé, voltei a Belém, pois não há nada que mais me seduza que aquela torre que é incapaz de dizer uma palavra a quem a visita, mas que adora que os seus súbditos lhe confiem todos os seus segredos, mesmo os mais íntimos, até àquelas coscuvilhices que abundam nos mercados do peixe e se infiltram nos meandros do chiquismo.

Eu sei muito bem que andar a pé, faz mesmo bem à saúde, mas ainda sei muito melhor que aquela torre me dá uma confiança extremamente eficaz para os meus medos e os meus receios que os FMI’s e contra FMI’s incutem nas pessoas que precisam de ter uma tábua de salvação para superarem as suas fraquezas.

Pois, quem me dera ser forte para não ter que ir a Belém encostar-me à torre da salvação, contar a minha vidinha toda, sem obter uma palavrinha de esperança, do género, cá estou eu para te proteger dos ventos da desgraça e dos temporais das ondas quase tão devastadoras como as dos tsunamis da contra informação.

Mas eu sei muito bem que não posso deixar de ir a Belém, pois não desconheço que é o dever que me chama, que me chama quase semanalmente, como se eu tivesse feito alguma coisa de novo todos os dias, que merecesse postar-me com tanta frequência perante aquela torre que sabe muito bem ouvir, mas não sabe falar, nem muito bem, nem muito mal.

Por mim, sei muito bem que bastaria ir a Belém uma vez por ano, ver se a torre ainda está direita, como a de Pisa, ou se está dar qualquer coisa, e para que lado. O que eu tenho para contar à torre, é hoje, o que já contei o ano passado, portanto, gastei as solas dos sapatos e não ouvi absolutamente nada.

Aquela torre anda a dar cabo da minha cabeça. Até já pensei que sou eu que tenho qualquer problema de ouvidos. Depois, toda a gente me pergunta quando é que eu tenho qualquer coisinha de novo sobre o que devo fazer. Sei lá? Primeiro precisava saber se a torre de comando me autoriza a aterrar em segurança.

Com toda esta conversa até parece que já não gosto de ir a Belém. Ora isto é uma incongruência, pois comecei por dizer que aquela torre me seduz, que me protege dos medos e dos receios, porque sou fraco. É verdade. Mas, desde que chegou o poderoso FMI, e vejo a torre muda e calada, já não sei quem é que vai proteger as minhas fraquezas.

No entanto, também não posso deixar de ir a Belém, porque sou chamado por uma força interior de que desconheço a proveniência e até os motivos de tal chamada. Como sou muito pensativo, pensativo e criativo, até já me lembrei que a torre pode ter algum problema introspectivo, que necessite de saber amiudadamente, como vão as minhas ideias.

Sim, porque as minhas ideias, por vezes, são um tanto pirrónicas. Daí que podem não ser muito estáveis e preocupar uma simples torre, que não quer que se perceba que também ela, a torre, tem ideias inclináveis, mas que eu tenho de fingir que não noto e, sobretudo, garantir que não noto mesmo.

É por isso que fui novamente a Belém. E o que fui lá fazer? ... Giroflé, giroflá …

 

 

 

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