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afonsonunes

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Espero bem que a troika não venha a ler estas linhas, senão ainda vou ficar com a fama de ter prejudicado o país, emitindo opiniões positivas sobre o estado da nossa situação económico-financeira. É evidente que me refiro aos dados da execução orçamental agora tornados públicos pelo governo.

Como sempre, logo surgiram os que não acreditam em nada, arranjando os habituais argumentos de que, por mais isto e mais aquilo, os números são uma fantochada de se lhe tirar o chapéu. Pelo que me toca, não tiro nem ponho o chapéu, pela simples razão de que nunca o usei, não me importando mesmo nada de mostrar a careca.

Até porque, chapéus há muitos. Não digo o resto porque os homens da troika podem julgar que me estou a referir a eles e, Deus me livre de tal petulância. Eu, como muita gente, estou convencido de que eles não vieram cá para tirar o chapéu a ninguém, mas sim para enfiar o barrete à maior parte do pagode.

Agora, sem chapéus ou com barretes, o que vem aí é a obrigatoriedade de ter de se dar o corpo ao manifesto. E aí estou com eles, desde que o corpo seja o daqueles que estavam habituados à ronha do descanso e à exaustiva tarefa de desacreditar todos aqueles que nunca pouparam o corpo para lhes encher o bandulho.

Porque o manifesto não pode mais ser o deles, aquele manifesto do venha a nós, o descanso, e os outros que vão à vida, ao trabalho, que eles nunca quiseram. O manifesto tem de ser aquele que faz sair o país da triste miséria em que muitos sempre viveram e que, ainda agora, não acreditam que deixem de viver, tal a descrença que ainda vêem no manifesto em vigor.  

É preciso dar o corpo a um manifesto que determine e mande publicar uma nova ordem de contribuição dos que visivelmente podem, para os que iniludivelmente não podem. É preciso dar o corpo ao manifesto que acabe de vez com todas as discriminações que minam a sociedade, através de todos os que sempre têm conseguido distorcer tudo em proveito próprio e de interesses mesquinhos e perversos.

Já que tanto quiseram a troika, espera-se que lhe aceitem as receitas médicas como salvadoras da saúde que nunca quiseram preservar através de receitas caseiras, enquanto a doença não ia além de uma gripe que se curava com o tradicional ‘abafe-se, abife-se e avinhe-se’. Agora, vamos ver se os antibióticos curam ou matam os ‘impacientes’.

O mais doloroso desta situação, é o facto de os antibióticos serem distribuídos a todos, independentemente dos seus antecedentes clínicos, sabido como é que, a constituição dos doentes é muito diferente de caso para caso. São os inconvenientes das terapias de choque a que nos conduziram os que só hoje começam a entender o passado.

E é vê-los agora, quando já cantavam de galo, armados em senhores de todas as sabedorias, mais uma vez a baixarem a bolinha, perante o desenrolar dos acontecimentos que, seguindo uma linha completamente imprevisível, como outras no passado recente, vem mostrar que fazer previsões não é para qualquer bruxo de vão de escada.

Sim, bruxos de vão de escada temos tido aos montes, porque eles só souberam prever os muitos e maus acontecimentos depois de eles terem ocorrido. Mas não se cansaram de culpar outros pelo mesmo erro. Bem me parece que estão à beira de mais um falhanço nas suas previsões, estas, agora, a ameaçar cortar muitos sorrisos de orelha a orelha.

Sim, correm o risco de terem mesmo de começar a dar o corpo ao manifesto, porque a vidinha vai começar a andar para trás, relativamente ao que davam já como certo.

 

 

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