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afonsonunes

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Redondamente poderia dizer que hoje, primeiro de Maio, é dia de toda a gente, pois não acredito que alguém se queira excluir da classe trabalhadora que, ao contrário, cada vez tem menos militantes activos.

Afinal, quem é que diz que não faz nada? Provavelmente, se houvesse alguém que não fizesse mesmo nada, diria que essa é a pior das actividades, seguramente a mais chata e a mais doentia das maneiras de passar o tempo e a vida.

O arrumador de carros dirá que se esfalfa para conseguir o somatório de todos os cêntimos suficientes para a dose, seja lá qual for a embalagem que ela tenha. Depois, só a obrigação de não poder andar decentemente arranjado, para não parecer que não precisa das moedinhas.

Os que praticam a mendicidade na rua dirão que é uma estopada ter de estar ali todo o dia especado, todo o dia a repetir a mesma ladainha, com uma caixinha de cartão ao lado, ou um copo de iogurte vazio na mão, à espera da moedinha que tarda.

Trabalho árduo e difícil é o daqueles desempregados que nunca procuraram, nem tiveram emprego, porque se consolam com a satisfação de terem uma imaginação muito fértil que lhes permite trabalhá-la, no sentido de tirar dela o que outros tiram do trabalho.

Porém, trabalho, trabalho a sério, é o daqueles gestores que trabalham dia e noite para conseguir evitar prejuízos muito maiores que aqueles que gerem e digerem todos os anos, fazendo o milagre de arrecadarem tantos ‘carcanhóis’ quantos os prejuízos das empresas. 

É muito dura a tarefa daqueles empresários que querem dar trabalho e não encontram a quem o dar. Mas não falta quem não saia das cantinas e dos restaurantes que lá vão dando um jeito a estes necessitados que têm vergonha de o ser.

Hoje é dia um de Maio, dia do trabalhador, feriado nacional, segundo consta no calendário. Para mim, nos tempos que decorrem, hoje é, principalmente, dia dos barões do trabalho, dia dos que vivem do trabalho dos outros.

Aqueles que verdadeiramente têm de trabalhar não têm tempo, nem dinheiro e, provavelmente, nem disposição para festejos, se é que alguém festeja alguma coisa neste dia primeiro de Maio.

É evidente que atrás dos barões do trabalho, anda uma multidão de gente que se insurge através das respostas às vozes de comando, que são aquelas palavras de ordem que já nem barbas têm, levadas que foram pelos ventos da história.

Não é difícil identificar alguns desses barões do trabalho. Gente que sempre esteve na primeira linha dos gastadores, na primeira linha da qualidade de vida, na primeira linha das exigências descabidas que, ao que parece, chegou a hora de começar a pagar.     

Provavelmente, uma grande parte desses gastadores vai continuar a gastar mais que a pagar, porque os pagadores serão sempre os menos gastadores, já que são os que menos conhecem os truques para se esconderem e os que mais caem nos buracos que outros cavaram.

E é assim que nos aparecem aqueles que nunca fizeram nada na vida para lá de exigirem sempre mais e do melhor, pois sempre souberam tratar, em primeiro lugar, da sua própria vidinha. É verdade que, para eles, tudo isso dá muito trabalho.    

Depois, lá vêm os que sabem tudo, os que se julgam capazes de dar lições, falando de cátedra e apontando o dedo a pessoas a quem não chegam aos calcanhares. São os trabalhadores de língua, aos quais o país deve os favores de um permanente ruído ensurdecedor.

Espero que ninguém se sinta atingido por estas linhas pois, como referi, não creio que alguém se veja incluído nestas situações. Estamos, todos nós, mergulhados, e completamente absorvidos no mundo do trabalho. Em suma, somos todos trabalhadores.

Portanto, pela minha parte, aqui fica o meu contributo. Não ficaria de bem com a minha consciência se me limitasse a ir na onda dos que, no dia de hoje, não encontraram nada para fazer. E o que fiz, não o fiz com aquele ruído que até podia incomodar alguém.

 

 

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