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afonsonunes

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05 Mai, 2011

As nossas troikas

Acabo de assistir ao espectáculo da troika que vai meter o país na ordem, segundo opiniões abalizadas na matéria. E o espectáculo resultou da simplicidade da sua estratégia, do método do silêncio no meio da algazarra, da eficácia dos resultados contra a destruição dos catastrofistas e dos olhos bem abertos num campo completamente minado.

Alguém disse que a troika vê mais com os olhos fechados que, digo eu, muitos dos nossos lunáticos com todas as antenas de fora a fingir de pirilampos. Alguém disse que esperava que a troika não tivesse sido enganada com as mentiras do costume. É que as mentiras do costume não têm exclusividade de ninguém.

Penso que a troika não se deixou enganar mesmo por ninguém, nem sequer por aqueles que se julgam detentores das verdades absolutas. Precisamente, porque a troika não veio para cá de olhos vesgos, nem está contagiada pelos que vêem tudo com óculos de graduação muito inferior à tabela e coloração muito duvidosa.

Não tenho dúvidas de que teria sido muito mais útil ao país, um acordo fabricado cá dentro e aprovado cá dentro, mas isso estava bem evidente há muitos anos, que os casmurros de cá, nunca seriam capazes de fazer isso. Daí que esses casmurros de cá, defendessem, também há muito tempo, a vinda da troika.

Porque assim, embora tenham de assinar por baixo, dirão sempre que a culpa não é deles. E assim, lá ficam de consciência tranquila perante os seus fanáticos apaniguados. Porque assim, já lhes é fácil sacudir a água do capote, e assim manterem a esperança de que ainda lhes restem as migalhas do banquete de que virão a levantar a mesa.

A troika estrangeira já fez o seu trabalho. Agora, falta saber se a troika nacional é capaz de se entender bem e depressa, como aconteceu com aquela. Saber se a troika nacional é capaz de produzir trabalho, em lugar de frases bombásticas para os telejornais, e títulos garrafais para os jornais que já ganharam o epíteto de muito especiais.

Em boa verdade, continuo a pensar que a nossa troika política é muito semelhante a outras troikas que dominam o país, em sectores essenciais da nossa vida colectiva. A começar pelas troikas desportivas que logo à noite, farão esquecer a crise, os políticos, a troika estrangeira que já nos lixou, e a troika nacional que nos vai continuar a lixar.

Braga, Benfica e Porto, mas que troika, farão esquecer o feito positivo que estão a conquistar para o país, para trazerem para a praça pública, como sempre têm trazido, aquelas questiúnculas menores, aqueles arremedos de superioridade, aquelas piadinhas venenosas e todo um festival de vaidades e de virgens de exclusiva pureza.

Claro que se pode falar da troika de presidentes, como se pode falar da troika de treinadores, todos eles sempre na vanguarda da gabarolice e, quantas vezes, da mentira mais descarada para conseguir que mais uns tantos incendiados se atirem para o meio das multidões mais receptivas a esses contágios que atingem loucuras incontroláveis.

Não faltam troikas por aí a destrambelhar outros sectores da vida nacional que bem podiam ser o estímulo para que todos aqueles que querem, e são muitos, consigam dar a volta por cima a todas as virulentas e maquiavélicas estratégias que, de tão más que têm sido, produzem vergonha no íntimo de quem precisa que seja uma troika estrangeira a ditar as suas leis na nossa terra.

Pelos vistos, até houve cá quem fosse capaz de definir a estratégia. Faltou, porém, quem fosse capaz de a levar à prática sem as ameaças de fora. Espero bem que quem não ajudou a construir, não ajude a destruir o que já está feito.

 

 

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