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afonsonunes

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Sócrates até estaria disponível para governar comigo, mesmo que todos os seus adversários, perdão, inimigos, lhe mostrem e demonstrem que, com ele, nada feito. É evidente que sem ele, também nada feito, ou seja, a única alternativa possível para um governo forte, terá de ser constituída pelo Passinhos e pelo Silvinha.  

A alternativa, eu com Sócrates, carece do visto de Belém e isso não tem hipótese, já que eu, não sendo belenense, tenho o azar de ser benfiquista, o que, desde logo, inviabiliza qualquer arranjinho na desportiva. Portanto, Sócrates comigo está fora de questão. Até porque já me constou que ele também é benfiquista como eu.

Ora, num país em maré de azul, como é que não há-de andar no ar tamanho asco ao vermelho e a todos os que se confessam tocados por esse anátema, ainda que amenizado pelo perfume e pela cor da rosa. Isto só se compreende que alguém, mal intencionado, claro, tenha deitado no vermelho umas latadas de amarelo.

Foi assim que tudo, perdão, quase tudo, começou a ficar alaranjado, com a ajuda do pincel de Belém e os gatafunhos da trincha do menino da S. Caetano à Lapa. Sinceramente, não sei se estes bairros ou ruas são muito ou pouco próximas, mas que se pintaram de igual, disso não tenho a menor dúvida.     

Eu só queria ajudar à formação da tal alternativa que o Passinhos e o Loucinha, de braço dado, já recusaram. Resta saber o que vai dizer o Portinhas sobre quem vai integrar o seu governo, sabendo-se já, que pretende ser primeiro-ministro. Resta saber se encontrará quem queira ser segundo dele.  

Ao que parece, Sócrates governa com todos, desde que seja ele o primeiro. O mesmo virá a acontecer com os outros se forem os primeiros, mas só o Portinhas não se importará de ser segundo do Passinhos. Contas complicadas estas. Daí que não me admiraria nada que a massaroca que tanta falta está a fazer, fique pelo caminho.

Ainda temos o Jeroniminho que talvez se entenda com o Loucinha mas, para chegarem ao Passinhos, era preciso que o Portinhas ficasse fora de serviço. Depois, uma alternativa de esquerda, mesmo sem Sócrates, talvez ficasse muito direita com Passinhos à frente. Mas, nestas coisas de poder, já nada espantaria.

Comigo fora de qualquer solução governativa, só o Silvinha pode salvar este imbróglio governativo que se avizinha. E, no meu entender, isso só será possível, se ignorar que eu e o Sócrates somos benfiquistas pensando, por exemplo, que o Benfica já foi laranja. E laranjas ainda são o que não falta por lá.

A verdade é que está a fazer falta um governo. Um governo forte. Forte como o Sócrates, simpático como o Passinhos, aberto como o Portinhas, certinho como o Jeroniminho e engraçado como o Loucinha. Se eu fosse convidado a integrá-lo, seria ainda mais forte, ou não fosse eu a dar-lhe a verdade que falta a todos eles.

Agora que o pior, o mais difícil, que é o programa do governo, está feito, e sabendo-se que não há aquela conversa fiada do passa não passa na assembleia, até eu não me importava de ser primeiro-ministro, ainda mesmo que para aí com cinco ministros, cinco secretários de estado e meia dúzia de moços de recados.

E, tenho a certeza de que, mesmo assim, ainda passava uma vidinha em beleza pois, com tudo privatizado e o resto parado ou suspenso, ficava apenas com umas reuniões de rotina com os amigos da sueca. Sobretudo, não havia aquele problema do dinheiro que chega ou não chega para pagar a este ou aquele mais impaciente.

Está fora de questão que me queiram lá. Está à vista que não querem lá o Sócrates. Está quase à vista que o Sócrates não os quer lá a eles. Está a parecer-me que o Silvinha não quer fazer ondas, ou se quer, terá de provocar um tsunami de que ninguém está a ver as consequências, tanto no mar, como em terra ou no ar.

A solução parece muito complicada mas não é. E, acima de tudo, todos eles a merecem, com excepção da minha pessoa, que tudo fiz para que não chegássemos a esta situação. Aliás, estou convencido de que ela só existe porque o Benfica está mesmo muito fraco. Mas eu não tenho culpa nenhuma. E o Sócrates também não.

Tudo ponderado, é justo e, muito mais que razoável, que quem fez o programa de governo, a D. Troika, que venha governar o país até que esta tropa se entenda. Mas, que fique bem claro que comigo, também não podem contar.