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afonsonunes

afonsonunes

11 Mai, 2011

Nada disso! ...

Cada vez há mais finos que se comportam como grossos. É uma coisa incompreensível mas a verdade é que os finos pululam por tudo quanto é sítio, grossos que nem uns carros de bois, com os olhinhos em bico, procurando descortinar a ignorância para desovar nela as suas teorias altamente refinadas.

Refinadas porque também elas, as suas teorias, eram tão grossas como os tais carros de bois, antes da refinada operação que lhes deu o aspecto de finura exterior para que o consumidor final não as rejeitasse com o vómito explosivo que elas mereciam, se fossem apresentadas com a sua grossura original.

Finos manhosos são todos os grossos que conseguem impingir a sua aparente finura a grossos que aceitam como reais todas as aparências com algum adorno, ainda que mal amanhado, ainda que vagamente reluzente pelas manhas de algum pirilampo que tem magia no seu piscar constante e enganador.

Até parece que nunca se piscou tanto à direita como agora, numa tentativa de fazer crer que o pisca para a esquerda não funciona. É verdade que os finórios são muito mais manhosos quando abrem apenas o seu pisca, normalmente o da direita, no qual até instalaram uma lamparina de luz mais intensa que a do lado esquerdo.

É tudo uma questão de brilho que atrai os insectos de vista mais sensível que vão esmagar-se irremediavelmente contra o foco mortífero. É tudo uma questão de aprender a viver com a percepção de que há muitas maneiras de morrer. É tudo uma questão de escolher o pisca certo na hora de enfrentar os dois que se tem na frente.

Virar à esquerda é, cada vez mais, uma manobra perigosa. Não por causa do percurso, mas por causa dos obstáculos que a direita, sorrateiramente, vai colocando à beira dele, nomeadamente, retirando os sinais de informação correcta, trocando-os por sinais errados, que conduzirão a que muita gente não chegue ao destino que havia escolhido.     

Verdade seja dita que a esquerda, alguma esquerda que se confunde facilmente com alguma direita, digamos que uma espécie de gente híbrida dos dois quadrantes mais afastados do espectro político, têm muita culpa desta espécie de ódio crescente entre o dinheiro em excesso que não dá felicidade e a riqueza de ideias que não pode viver sem algum dinheiro.

O país e o mundo debatem-se no meio deste pântano que não foi criado por ninguém em particular, que ninguém em particular pode ser responsabilizado por não se ter saído dele, ou mesmo de não se ter entrado nele, pois tudo reside numa força cada vez mais poderosa que se chama capital, que o mesmo é dizer dinheiro.

Capital e dinheiro, um colosso criado por homens sem rosto de todo o mundo, a que outros homens com rostos bem conhecidos aderiram e aderem todos os dias, de todos os países, comprando o que não tem preço, vendendo o que não existe, destruindo vidas com a maior das crueldades.

Chegados a esta encruzilhada, nenhum país pode viver isolado, sem intercâmbios com outros países, sendo tão independente quanto sonham alguns. Mas, no meio do pântano, há que saber escapar dos tubarões que andam à nossa volta. Finos, mesmo finórios, não deixam de tirar os olhos de nós, para nos impor a sua grossura sangrenta.

O percurso é mau. É muito difícil. Mas há sempre escolhas que, parecendo iguais, não o são. Mesmo falando de finos e finórios, há sempre algumas diferenças que nos indiciam qual o melhor caminho neste deserto onde a sinalização, ou não existe, ou é muito enganadora, por vezes, completamente falsa.  

E então agora, à beira de uma campanha eleitoral que se queria séria, é um fartote de poucas vergonhas, por parte de quem devia ter vergonha na cara. Devem pensar que o país é um curral de burros, que só vêem o chicote dos donos do dinheiro. Nada disso! …

 

 

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