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afonsonunes

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Os senhores do dinheiro que vieram dar uma ajuda, segundo uns, dar um aperto fatal nos gasganetes dos portugueses, segundo outros, chegaram cá e desde logo mostraram que não vinham para ser enganados, fartos de ouvir dizer a toda a hora que o país andava todo enganado, uns de uma maneira, outros de outra.

Mas, preocupava-os sobremaneira aqueles que, era bem evidente, se enganavam a eles próprios, através de um acto que em tudo se assemelha a uma auto flagelação constante, como forma de ganhar as graças não se sabe bem de quem. A mim, dá-me a sensação de que pretendem chegar ao céu dizendo que Deus os enganou.

Caladinhos no meio da vozearia, os senhores do dinheiro, salvadores ou carrascos, toparam logo que não podiam dar confiança a todos, do mesmo modo que também reconheceram de imediato, que não iam receber a confiança de todos os que queriam ouvir. Questões de pelos, pensaram eles, como se já tivessem adivinhado o pensamento de um ilustre intermediário.

Portanto, essa coisa do quem engana quem, ficou perfeitamente esclarecida. Agora eu acrescento que, se realmente alguém conseguiu enganar alguém, tenho de reconhecer que só pode ser quem tem méritos muito acima da média, contrariamente a quem admite poder ter sido enganado várias vezes, sem nunca ter dado por isso no momento próprio.

Bom, mas deixemos lá os enganos ou desenganos, que já têm um cheiro característico de coisa estragada. Passemos antes às pequenas grandes coisas que a troika não conseguiu ver enquanto esteve no meio delas. Tenho mesmo a sensação de que não quiseram ver as parangonas dos jornais e as aberturas dos telejornais.

Certamente, prevendo que se o fizessem, lá se ia a sua independência. Provavelmente, teriam receio de não resistir àquelas influências da apregoada roubalheira generalizada, ou pelo menos à fama delas, ao receio de ir na conversa dos bons ou dos maus das fitas que passam sem classificação etária nem tão pouco de qualidade digerível.

Há apenas uma pessoa que pode ter tido o privilégio de ter fintado os tais três, com aquela rara inteligência que se lhe conhece, para passar a perna a quem se julga muito esperto. Eu, sinceramente, entendo que o país perde muito em ter apenas uma única pessoa com o talento suficiente para um feito desta natureza.  

Imagine-se, se tivéssemos mais quatro pessoas dessas. A troika não teria hipóteses de nos submeter ao vexame de aceitar o que lhes deu na real gana. Porque sempre seriamos cinco do nosso lado e três do lado deles. Assim, com dois votantes abstencionistas, com dois votos de apoio com aclamação e um voto de resignação, nada feito.

Mas, vá lá, ao menos que tivéssemos um enganador, secundado pelo enganado que, nesse caso, seria apenas conivente. É verdade que perderíamos por três a dois, mas uma derrota à tangente é muito diferente de encaixar uma goleada. Ainda por cima em casa. Andamos eternamente a aprender.

A propósito de vitórias e derrotas, e com a bola a fechar portas esta noite, lembrei-me de chamar a atenção para o facto da troika não se ter apercebido do estado da bola que se joga por cá. Sinal de que os três craques não são assim tão eficazes como se pretende fazer crer. Há sempre qualquer coisa que escapa aos mais atentos.

A menos que a bola esteja incluída no pacote da justiça. Se assim for, então cala-te boca, que já cá não está quem falou. Esta minha ignorância persegue-me a toda a hora. Aliás, tenho uma desculpa. Isto, já são pacotes a mais para a minha eficiência. Ou então, essa coisa de pacotes, decisivamente, não é comigo.

Mas, aquilo que descaradamente a troika não viu, foi que mandou assinar uns papéis a uns indivíduos que, ou não os leram, ou não sabem mesmo o que leram, correndo a troika o risco de, daqui a três meses, quando voltar, lhes chamar analfabetos.