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afonsonunes

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24 Mai, 2011

Morreu o coveiro

Logo agora que o governo está em gestão é que o coveiro lá do sítio se lembrou de lhe dar o badagaio. Há quem diga que ele era um PSD do mais macarrónico que se possa imaginar, a ponto de fazer discriminação na quantidade de pazadas de terra que deitava lá para dentro, consoante a cor do caixão do finado.

Também se diz à boca cheia que o coveiro que agora abriu uma vaga na função pública, apressou a sua decisão para fazer estalar uma polémica em tempo de campanha eleitoral, em torno da sua substituição. Realmente, se isso for verdade, o amor partidário é uma coisa muito mais forte que a vida de um apaixonado pela política.

O governo está em gestão e o lugar de coveiro não pode estar vago, porque os mortos não podem deixar de ser enterrados em tempo útil. Por outro lado, a vaga de coveiro só pode ser preenchida pelo governo que sair das eleições, coisa que ainda vai demorar uma data de tempo, talvez muito mais do que se pensa.

Pensando neste imbróglio, a autarquia arranjou um candidato a coveiro para enterrar o anterior, antes que o cheiro se notasse. Avisou o homem que não podia ser nomeado já, porque só com o futuro governo em funções lhe podia ser dada posse. O coveiro ainda recalcitrou dizendo que, se não tomava posse, como é que começava já trabalhar.

Oh homem, o diário da república está fechado, logo, ninguém pode tomar posse sem sair a publicação da nomeação. E foi assim que o homem começou a trabalhar, mesmo pensando que o novo governo o podia mandar dar uma volta, nomeando outro a seu gosto para o lugar que já estava a ser desempenhado. 

Mas, o coveiro já enterrado mandou uma mensagem lá de baixo ao seu presidente, alertando-o para o facto de já ter sido substituído, sem que tivesse saído a sua vaga no diário da república. E aqui começou a grande polémica ao segundo dia da campanha eleitoral, que até tinha começado calminha como um laranjal juncado de rosas desta dita cor.

Ora o presidente do coveiro, tratou logo de fazer divulgar que queria ajudar o governo a esclarecer este episódio simples, resultante da actuação de algum simples servidor menos cumpridor e que, de maneira nenhuma, queria criar um facto de campanha. Claro que não criou, pois apenas apareceu uma polémica.

E campanha sem polémica é que se não podia imaginar. Disse ele que o governo tinha toda a legitimidade para fazer nomeações. Mas, o governo não nomeou o coveiro. Diz o presidente que o governo escondeu a publicação. Mas, se o governo não nomeou, a publicação também não podia ter tido lugar, logo, não foi escondida.

Parece que afinal houve mais cinco coveiros que tiveram de entrar ao serviço em situação de emergência. Não se sabe se todos telefonaram ao mesmo presidente. Também não se sabe a que propósito os coveiros estão a ter tanta importância na campanha eleitoral. Talvez se presuma que o país está todo a cheirar a mortos ou a cera de velórios.

Deus nos livre que os coveiros se lembrem de que podem enterrar a campanha eleitoral, alegando que ela não fazia cá falta nenhuma, pela simples razão de que lhes atrasa as nomeações, as publicações e as tomadas de posse. E, vamos lá ver se não se lembram dos políticos que já andam a cheirar a cera.  

Isto agora é a sério, diz um. Pois eu digo que até já as polémicas não são para levar a sério, embora haja quem não possa passar sem elas, porque vive delas e para elas.