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afonsonunes

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26 Mai, 2011

Desintoxicação

 

É frequente ouvir dizer-se que o PS e o seu secretário-geral controlam a comunicação social através de vozes do dono que encherão o país das tais mentiras que ficam sempre em abstracto, quer quanto ao conteúdo, quer quanto à justificação ou não, da sua existência.

Não tem havido, verdadeiramente, uma discussão séria e aberta, com intervenientes de ambas as partes, devido à grande desproporção entre os ‘prós e os contras’, bastando contar em cada órgão de comunicação social quantos militam para um lado e para o outro.

Esse desequilíbrio é gritante nas televisões, onde tudo o que emite opinião ou comentário é afecto ao PSD, com excepção de um ou outro PS discordante da orientação do partido. Claro que estou a referir-me aos assíduos e não aos acidentais ou integrados em notícias do dia.

Tal ideia de controlo por parte do PS e do governo, cai pela base logo que se constata esta realidade, pois não é sequer pensável que esses adversários se deixassem controlar ou manipular por aqueles que, a olho nu, são atacados permanentemente sem dó nem piedade.     

Esta vantagem do PSD, que ainda vai tendo a companhia frequente do CDS, do PCP e do BE, naquilo em que interessa atacar o PS e o governo mas, principalmente o PM, tem sido um autêntico massacre verbal ao longo do mandato de Coelho, diria mesmo uma verdadeira obsessão, com argumentos nem sempre sérios, nem sempre verdadeiros.

É evidente que os partidos existem para se digladiarem mutuamente, para que cada um manifeste as diferenças programáticas que os separam uns dos outros. Já é uma aberração, quando o único programa seja massacrar uma pessoa, com verdade ou sem ela. Pior ainda quando se esconde o próprio programa que devia ser discutido.

E, pior ainda, quando as propaladas mentiras são contingências de decisões de quem tem de as tomar em contextos bem diferentes daqueles em que foram decididas, e sob pressão de acontecimentos que se não dominam internamente, muito menos pessoalmente.

Daí que a intoxicação tenha tomado proporções de um flagelo que parecia incontornável para quem, sem máscara protectora nem voz para gritar contra os envenenadores, estava condenado ao último suspiro sob uma festa que já não escondia os foguetes e as fanfarras dos mais foliões.

Foliões que, entusiasmados com o sucesso fácil dos seus argumentos, desataram a cair na tentação de engrandecer esses argumentos com mentiras de fazer com que as contrárias, começassem a ficar reduzidas a insignificâncias quando comparadas com as suas.

Porém, com o começo da campanha eleitoral que decorre, começou o combate que passou a ter quatro vozes, permitindo que a desintoxicação se vá processando normalmente, por mais que os causadores da intoxicação se esforcem por lhe manter os níveis anteriores.  

Agora, até os que falam por fora têm de ter muito cuidado com o que dizem, porque lá fora, na rua, o povo vê e sente o que se passa à sua volta, sem ter de ficar a olhar para aquilo que os outros dizem, palpitam ou inventam, nos locais onde lhes pagam bem para dizer mal.

Lá fora, na rua, quem é atacado tem possibilidade de se defender de imediato e de atacar com as mesmas armas de quem se excede, porque o dinheiro ainda não comprou a rua, nem se vê que ela possa vir a ser privatizada.

A rua é o palácio dos pobres. É a casa de toda a gente. É o refúgio dos que não têm tecto. Mas a rua é também o local onde se protesta, com razão ou sem ela, e onde se responde aos que querem comprar ou alienar tudo, incluindo o poder, a verdade e a razão.

Coisas que têm de ser adquiridas através da conquista séria, feita através do convencimento dos cidadãos a aderirem às suas propostas e não do seu engano ou do desconhecimento das condições que lhes vão ser impingidas à socapa no futuro. Não chega dizer que os outros não prestam. Tem de se demonstrar que são melhores que eles.

O que se passou e está a passar não foi, nem é bom para ninguém. Avaliar onde e como podia ter sido melhor, sem vícios apreciativos, não parece ao alcance de ninguém. Os indícios primeiro, e as provas a que vamos tendo acesso agora, pendem mais para imaginar que podia ter sido pior com outros aos comandos.

É tempo de campanha eleitoral. É tempo de limpar os podres reais, mais que os podres imaginários. Que a campanha sirva para desintoxicar, a fim de que todos possam saber de facto de onde vêm os piores venenos para o país e para os cidadãos.

 

 

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