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afonsonunes

afonsonunes

01 Jun, 2011

Bom apetite

 

O nosso incontestado PR entendeu por bem convocar os maiorais da justiça, mais  alguns dos que mais se têm distinguido na agitação que levanta ondas permanentes no seu seio. Estou em crer que se tratou de um meio de tentar que todos falassem menos e fizessem mais, em prol de uma justiça menos penosa e menos injusta.

Como é costume nestas altas esferas, não se prescinde de uma boa refeição, quando se diz que é necessário discutir ou trabalhar sobre qualquer assunto. Pessoalmente, e no caso da justiça, parece-me justificada esta opção, com o facto de, como referi, se pretender falar pouco e trabalhar muito.

Ora, segundo a minha lógica, enquanto se come não se deve falar, pois é feio e pouco cómodo, misturar o trabalho de dar ao dente e à língua ao mesmo tempo. Tanto mais que o almoço devia estar uma delícia. Qualquer interrupção no seu seguimento normal, daria origem a que os acepipes arrefecessem e perdessem o seu verdadeiro sabor.

Portanto, é minha convicção de que almoços ou jantares de trabalho é uma maneira de não se comer de jeito nem se trabalhar como deve ser. Suponho eu que trabalho é mesmo só para dar à língua, isto quando não se trate de dar o corpo ao manifesto que, visivelmente, não era o caso. Logo, o ideal seria uma reunião pela manhã, a seguir ao pequeno-almoço.  

Porque depois de almoço ou de jantar, fica sempre aquela moleza, para não falar de quem gosta de fazer o seu repouso depois da refeição. E seria uma injustiça privar as pessoas dos seus hábitos, diria mesmo que dos seus vícios, como aquele em que se não prescinde de um bom charuto. Ora isto leva o seu tempo com o trabalho à espera.

Voltando ao almoço da justiça, quase adivinho que o doutor Marinho não deve ter prescindido de dizer ali, que a justiça está pior que antes de vinte cinco de Abril. Quase arriscava dizer que os sindicalistas presentes, não se devem ter esquecido de falar do governo, com ou sem apelo ao voto no próximo domingo.

O nosso incontestado PR pode sentir-se orgulhoso por, finalmente, conseguir reuni-los à mesma mesa. Nem me passa pelo pensamento que tal se tenha ficado a dever ao menu que, certamente, fez juntar à convocatória. Também não me passa pela cabeça que se tenha trabalhado já sobre o que vai ser a justiça do próximo governo.

Mas, estou plenamente convencido de que se tenha discutido a probabilidade de acabar com o cargo de procurador-geral e de presidente do supremo, em linha com a redução dos ministros para dez, mais ou menos, sendo de admitir que um dos que vão à vida seja o da justiça. Em boa verdade, a coisa parece ter alguma lógica.

Sem querer ser derrotista, demagogo ou simpatizante bota abaixo, são cargos que, na prática, são perfeitamente dispensáveis, talvez até inúteis porque, ganhando bem, não se tem visto que sirvam para alguma coisa. Segundo o meu raciocínio, já temos um super juiz e procuradores que resolvem tudo. E sindicatos que defendem tudo.

À margem do almoço, e que nada tem a ver com ele, lembrei-me agora de que em todas as culturas há ervas daninhas. Há lembranças assim, que aparecem sem ser convidadas, que desaparecem quando menos se espera. Mas, penso que as ervas daninhas nunca se devem regar. Devem simplesmente ser arrancadas.

Voltando ao tema da justiça, tenho quase a certeza de que o nosso incontestado PR tirou conclusões muito válidas sobre este almoço. Ficou a saber quem deve decidir sobre o que se investiga e sobre o que é intocável. E, sobretudo, que há um novo verbo na língua portuguesa descoberto por Francisco Louçã. Mesmar. Vamos comer sempre do mesmo.  

A ocasião para este acontecimento é de uma oportunidade à prova de qualquer discussão. O nosso PM e nosso ministro da justiça não podem dizer que há aqui qualquer coisa de esquisito ou anormal. O que há aqui é uma refeição para gente que não passa fome, porque a outra, vai aos restaurantes que dão as sobras a quem não come em casa.

Com isto, já estou a ficar com vontade de comer. Bom apetite.