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afonsonunes

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05 Jun, 2011

Logo, vou comemorar

 

Não antes das oito porque sou muito precavido e nunca me esqueço de que o destino não se cansa de pregar partidas aos que deitam os foguetes dias antes de a festa começar e antes até do arraial estar montado e iluminado.

Daí que as minhas comemorações não tenham hora marcada para começar. Mas, certo, certinho mesmo, é eu comemorar, o que equivale a dizer que vou ganhar, pois, para mim, são mesmo favas contadas.

No entanto, posso garantir que não voto em nenhum dos espertalhões que dizem que vão ser primeiro-ministro, nem tão pouco em nenhum dos finórios que sabem de antemão que ninguém pensa neles para tal.

É verdade que esses finórios também não pensam nisso, mas falam como se fossem endireitar o mundo a partir de segunda-feira, competindo de igual para igual com os espertalhões que só servem para o entortar ainda mais do que já está.

No entanto, para comemorar logo à noite, preciso de ter um vencedor. E para o ter, preciso mesmo de votar. Parece complicado mas não é. Vou votar, aliás, à hora a que escrevo esta ‘coisada’ já votei mesmo.

Pois, não votei em figurinhas nem em figurões, porque as eleições não são para isso. Não é o nome deles que está nas listas, mas os nomes dos partidos que os albergam. E eu, que nem tenho, nem quero ter nenhum, lá pus a cruzeta num deles.

Sinceramente, não foi por causa do apelo arrebatado do chefe que contribuí com o meu esforço, nem foi para que não ficasse com remorsos na consciência, nem tão pouco com medo de que não pudesse abrir a boca contra o próximo governo.

Sou franco e digo com toda a frontalidade que fui votar porque não tinha mais nada que fazer e podia ir pé, ao contrário de muita gente que tem ou teve de fazer uma ginástica dos diabos e gastar litros de gasolina ou gasóleo por causa de um voto que ninguém lhe agradecerá.

Mais, que apenas vai servir apetites e caprichos dos que já se sentem à rasca agora, devido aos ventos que sopram do lado das duvidosas consequências de um dia em que se gastaram milhões e podem vir a custar muitos mais milhões por tudo ficar ainda mais complicado.  

As comemorações feitas e a fazer, parece indicarem que tudo está resolvido. Puro engano. As complicações vão chegar devagar, devagarinho, tal como as complicações que nos levaram a ir botar o papelinho com os nomes dos partidos. Que fartura.

Bom, mas ainda não me esqueci de que vou comemorar. E não só eu, como é costume. Toda a gente sabe que no final da contagem dos votos todos os partidos ganharam. Uns por isto, outros por aquilo.

Só ainda não percebi por que razão, ninguém ganha juízo, dos partidos, claro. Se isso acontecesse, já teria valido a pena gastar o que se gastou e já se teriam justificado as canseiras a que tanta gente se sujeitou.

Tendo em conta as circunstâncias em que vai ocorrer a minha comemoração, terei uma muito especial contenção com os gastos. Coisa que o chefe se deve ter esquecido de recomendar. O país não aguenta comemorações com champanhe e canapés.

A minha comemoração, por ter votado no partido que vai ficar menos à rasca, vai levar-me ao supremo prazer de saborear uma cerveja de lata fresquinha, de vinte e tal cêntimos, e uns tremoços para a acompanhar e fazer com que a comemoração dure alguns minutinhos.

Depois disto, gostava que o chefe me dissesse se teve uma comemoração assim.