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afonsonunes

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14 Jun, 2011

Cheira a manjericos

 

Parece que o nível de mexericos que andam no ar tem baixado substancialmente nos últimos dias, tanto quanto se pode avaliar por aquilo que me cheira, quando entro em locais onde habitualmente se notava um cheiro pestilento. Pode ser que isso seja para manter, a menos que atrás de mosquitos venham moscas.

Também pode acontecer que estejamos apenas num interregno proporcionado pelos festejos dos santos populares, no caso, o Santo António que, tudo o indica, está a gerar um casamento fácil, dizem que muito fácil, mas que tem necessariamente de meter umas provas e contraprovas de fidelidade.

Há quem diga que não se trata verdadeiramente de um casamento, em que há sempre aquelas dúvidas de vai dar certo ou vai dar em separação, a curto ou a longo prazo. Não. Trata-se, dizem, de uma reposição de um ajuntamento que terminou mal, depois de ter começado bem. Tudo indica que, também agora, vai começar bem.

O nível de mau cheiro também pode dever-se ao aumento do bom cheiro dos manjericos e, porque não, da sardinha assada que anda próximo deles. Depois, o Santo António fechou a cidade de Lisboa, mandando muitos mexericos para o Algarve, deixando para trás um ar muito mais puro e saudável cá para cima.

Como é normal, com o ambiente mais puro, diminui logo a quantidade de moscas que temos de sacudir, apesar de haver sempre quem insista na velha treta de que mudam as moscas, mas onde elas poisam não muda nada. Sinceramente, não quero contribuir aqui, para aumentar o nível do pivete real ou imaginário.

Detesto mexericos mas adoro manjericos. Mas que fique bem claro que gosto dos manjericos dos santos populares, mas detesto tanto ou mais que os mexericos, aqueles manjericos que durante o ano inteiro passam a vida a mexericar com o que ouvem, o que não ouvem e, sobretudo, com o que inventam.

Mas, por esta altura do fim dos festejos de Santo António, tem sido um descanso. Um ou outro zunzum de moscas isoladas, não têm conseguido manter no ar, o cheiro pestilento que sempre adoraram. Depois, tenho de reconhecer que até há moscas que têm reuniões, onde ficam presas e impossibilitadas de fazer outros zunzuns.

Santo António casamenteiro não conseguiu, até ao final do dia da sua consagração, que se trocassem as alianças e fosse abençoada a união dos nubentes mais desejada de que tenho memória. Provavelmente, sou eu que tenho a memória muito curta, porque o santinho não tem problemas desses. 

Mas têm os noivos, porque sabem muito bem naquilo em que falharam na última vez, e acabam de reincidir agora, ao renovarem um acordo copiado à pressa, para que a viagem de núpcias à tão amada Europa, não fique prejudicada por uns dias de adiamento. Contudo, ficará prejudicada, e bem prejudicada, porque os noivos não terão tempo para uma comemoração nupcial tão romântica quanto o devia ser.     

Depois, passado o Santo António, com os manjericos encerrados em Lisboa ou exilados para o Algarve, está mais que comprometido o S. João, com essa viagem enjoativa ao reino das desilusões. Que começarão por aí. Quando chegar o S. Pedro, já perto do fim do mês, não será de estranhar que se volte aos mexericos.

Até porque nessa altura já não haverá cheiro a manjerico que disfarce a invasão de moscas e mosquitos que nos vão lixar o ar que respiramos. Tudo porque o novo circo já terá sido montado, o círculo estará menos arredondado e o ciclo já terá mudado. Só não terão mudado as moscas, chatas, sujas e mexeriqueiras.

Contudo, já me sinto feliz por me ter sido proporcionado um Santo António relativamente limpo de mexericos e de manjericos incómodos, abafados pelos manjericos bem cheirosos.