Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

afonsonunes

afonsonunes

19 Jun, 2011

Vai correr tudo bem

Nem podia ser de outra maneira, pois todos sabemos que depois da tempestade vem a bonança. Tanto mais que depois de um início sobre rodas, em que tudo correu às mil maravilhas, aliás conforme estava planeado e sem grãos de areia na engrenagem, a máquina está perfeitamente oleada e pronta a dar o máximo.

E o máximo é, como já se nota perfeitamente, os entendidos falarem agora de confiança no futuro, quando ainda há dias falavam da inevitável bancarrota. Como exemplo, lembro os ilustres Medina Carreira e Eduardo Catroga, os especialistas mais citados na televisão pública, neste dealbar do novo ciclo, em que a catástrofe começa a diluir-se.

Só me faz alguma confusão o facto de os doze salvadores ainda não terem ocupado os seus exigentes postos de laboração e já terem conseguido fazer metade do seu trabalho futuro que é, precisamente, ganhar a confiança dos tão sabedores, conhecedores e autores das mais aterradoras previsões.

Que Deus e os decisores da UE e do FMI os ouçam e lhes dêem o crédito de que estão agora rodeados cá dentro, tal como o tiveram há bem pouco tempo, ao afirmarem que o país não tinha salvação possível. Talvez digam que não mudaram de opinião, que não mentiram, que sempre pensaram e cantaram, ié, ié, agora é que é.

Sócrates vai-se e Coelho vem. Se, como tudo indica, esta era a chave do problema, então ele está resolvido. As medidas já estavam tiradas a um e ao outro. Bem ou mal tiradas é o que o tempo nos irá dizer, para lá das previsões dos entendidos que já falharam vezes sem conta, ao tomarem ou aconselharem medidas muito mal tiradas.

As fatiotas têm saído sempre com defeitos de adaptação aos respectivos físicos, variando desde a calça curta de canelas e meias à vista, até às cinturas largas onde se nota claramente a falta de barriga para as encher. Mas, de barrigas cheias não temos tido falta, e cada vez haverá mais, enquanto as barrigas vazias não vão também parar de aumentar.

Estranhas, estas contas, de muito difícil leitura. Tão difícil que provoca estranhos lamentos e dúvidas em quem mudou de fatiota, sabendo a barriga que tem, ou não tem. Até parece que houve claramente também, quem tivesse mais olhos que barriga, ao escolher as calças em que se meteu, sem atender ao número que gasta.

Ao contrário do que parece, isto não é um problema de pronto a vestir. É um problema de alfaiates que não sabem, ou não querem, tirar boas medidas a clientes que estão sempre à espera de melhorar o visual com as modas que outros lhes impingem. Depois, ao vestirem as novas fatiotas é que notam os defeitos que elas apresentam.

E ainda a chuva não apareceu a fazer das suas. Depois do fatinho molhado, a coisa vai notar-se mais. Porque a chuva nunca alarga nada, a não ser o seu leito de enxurrada. Mas, encolhe sempre o fatinho de quem se arrisca a andar à chuva sem o respectivo guarda. Guardem-se pois os incautos que escolheram roupa justa.

À cautela, convém que vão dando uma olhadela à volta certificando-se de que, por perto, há um porto de abrigo baratinho onde possa acolher-se em caso de emergência. Como está tudo pela hora da morte, uma gripe ou uma constipação mais renitente vai dar em pneumonia. Depois, vai precisar muito do carinho e da solidariedade de quem sabe disso.

É evidente que nunca lhe faltarão as aspirinas, o copo de água para as tomar e mãos amigas que lhe limparão o suor provocado pela febre. Encontrará muito amor à sua volta que, com todas as vantagens do mundo, substituirá os medicamentos caros e abundantes em demasia nos hospitais do serviço público.

Logo hoje é que me havia de dar para isto. Lá fora até está sol, não faz frio, e ainda ouço lá ao longe as sirenes do INEM a caminho do hospital, com gente aflita lá dentro. Mas, já ouço dizer que ali há muito despesismo, falta de carinho e de solidariedade, que poderiam ser obtidos a custo muito menor a meio caminho do hospital.

Mas, hoje é domingo. A partir de amanhã, melhor, de depois de amanhã, terça-feira, após o meio-dia, nada disto fará sentido. Não tenho dúvida alguma. Vai correr tudo bem.

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.