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afonsonunes

afonsonunes

04 Jul, 2011

Teção de mixo

 É evidente que esta terminologia não está contemplada no novo acordo, até porque a pronúncia não está aqui privilegiada em relação à respectiva morfologia. Devido ao meu pouco sentido etimológico, é bem provável que ninguém entenda estas confusões de gramática verbalizada e levada aos limites da parvoíce.  

Portanto, é melhor deixar o título para trás, porque o seu significado não é mais do que um assomo de grandeza no início de um dia, ou final de noite, em que tudo esteve muito reduzido em termos de actividades, ou não correspondesse esse período a um descanso normal, durante o qual, algo encheu, logo, tem de ser despejado.

Quando algo cresce, ou incha, fica imediatamente a reclamar uma acção interventiva rápida que acabe com o suplício de uma inactividade prolongada, durante a qual se corre o risco de uma rotura brusca, do tipo de uma inundação semelhante à rotura do dique de uma barragem quando a sua capacidade fica excedida.

O nosso corpo também tem o seu vasilhame, cada qual com as suas capacidades bem definidas e que variam de harmonia com o físico, melhor, com a envergadura de cada um. Mas, de manhã ao acordar, há um vigor especial em que tudo parece fácil, porque há uma vontade extra de atacar, para mostrar a outrem o que se tem.

É assim que está o país agora, neste dealbar do seu dia de início de vida nova. Ou mostra o que vale agora com o vigor de um acordar cheio de energia, ainda mesmo antes de começar a despejar os seus inchaços, ou correrá o risco de ficar com a moleza das partes que lhe têm faltado de há muitos anos para cá.

Não quero mais repetir o que inadvertidamente pus no título, pois já me apercebi que pela manhã se anunciam grandes coisas para mudar outras coisas que já foram grandes em tempos e que à noite, afinal, não passam de pequenas coisas que só visam mostrar que as coisas de uns não são melhores que as coisas dos outros.

Pela manhã, ao acordar, as coisas parecem sempre maiores do que na realidade são. Com o decorrer do dia, com os apertos das multidões que se movimentam, com alguns apalpões de gente mais atrevida, o entusiasmo decresce, a vontade diminui e, quantas vezes, o inchaço passa sem que nada se tenha feito para o dominar.

Vamos a isso, pois. Mas é preciso saber muito bem o que é isso. Se é o que temos de manhã ao acordar, ou se é simplesmente aquilo com que ficamos à noite, exaustos, apenas com vontade de nos estendermos na cama e ressonar por todos os lados. Desejosos de que nos deixem em paz, cheios de moleza da cabeça até aos pés.

E, no meio nada de novo, porque tudo o que cresce, ou incha, também mingua, ou murcha, por melhores que sejam as intenções de quem quer mostrar que é melhor que os outros, esquecendo que todas as obras, que todos os feitos, têm de ser o resultado de quem as pensa, mas também de quem as executa e de quem delas vai beneficiar.

De contrário, são muitas as possibilidades de muita coisa correr mal. Precisamente, porque fazer coisas com alguém que está a pensar noutras coisas diferentes, é um sinal de arrefecimento que pode dar concretamente numa coisa a que muita gente dá o nome de nega, coisa chata para caramba em certas ocasiões.

Quando se acorda com vontade excessiva, não há nada melhor do que ir de imediato aliviar, antes de começar a pensar. Depois, com calma, com muita calma, reflectir no que se vai dizer e só depois, mas muito depois, se deve começar a divulgar o que se quer efectivamente fazer, depois de ter as ideias bem claras e os pés já calçados e bem assentes no chão.

Se os pés devem estar já bem calçados, as ideias não podem estar calcadas como estiveram durante uma eternidade. Libertem-nas, mas com leveza, com clareza e muita nobreza.