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afonsonunes

afonsonunes

06 Jul, 2011

Lixo, nunca!

Anda por aí muito lixo a conspurcar a vida dos cidadãos sérios, incansáveis e cumpridores, que são talvez a grande maioria, razão mais que suficiente para não se dizer que o país todo seja lixo, como pretendem uns tantos sebentos que enfiaram lá na deles, que o dinheiro é coisa que não pode servir senão para os pôr a nadar nele.

Tal como há quem goste de se banhar em leite de burra, estes sebentos, que o são porque se emporcalham a mexer em tanto dinheiro sujo, roubado à pobreza e à miséria, adoram banhar-se no mar de sangue, suor e lágrimas que vai invadindo a terra com as suas ondas cada vez mais arrasadoras.

Lixo verdadeiro, são todos aqueles que se alimentam da destruição provocada por essas ondas imparáveis e pelos seus incondicionais defensores e apoiantes, sempre prontos a não permitirem que as vítimas possam construir os seus abrigos bem longe das zonas de catástrofe.

No meio do lixo e com tantos lixados por perto, já não me repugna ver o leite de burra tão valorizado, tal como não me repugnará um dia verificar que os sebentos talvez venham a tentar um banho em leite de burro, porque lá virá o tempo em que não haverá burras que cheguem para tais necessidades leiteiras.

Precisamente, acredito plenamente que não somos um país de burras e de burros, embora ainda haja que chegue. São suficientes para fazer algum lixo, mas claramente insuficientes para tornar o país numa lixeira lixo. Até porque, com a água que se tem metido, e continua a meter-se, muito desse lixo tem-se tornado solúvel.

Porém, com o tempo, a solubilidade desaparece porque o lixo vai aumentando até atingir níveis nunca dantes imaginados. Dantes e nos tempos bem próximos de nós. Nunca tínhamos descido a um nível tão baixo, nem nunca tínhamos levado com quatro níveis de uma só vez, o que é uma verdadeira cabazada.

Curiosamente, isto acontece quando a confiança exterior em nós devia estar a um nível incomparavelmente superior ao tão apregoado descrédito de ontem. Pelos vistos, parece que as coisas não mudaram assim tanto. E se mudaram alguma coisa, essa coisa está bem à vista, como também fica bem claro quem elogiava as tais agências e hoje tanto as repudia.

Não adianta andar a cuspir para o ar. O vento é traiçoeiro e as palavras não o são menos. Quem tanto se indignou com promessas passadas está hoje, apenas em poucos dias, a correr o risco de se juntar ao rol dos que falam antes do tempo. Porque há muitas maneiras de prometer e há muitas maneiras de ser desmentido com as viragens súbitas dos tempos.

Não se pode falar apenas da boca para fora, principalmente, quando se fala com aquela aparente segurança de quem sabe tudo, de quem não acredita em mais ninguém que em si próprio, ou de quem confia demasiado nas palavras dos seus patronos. Palavras, leva-as o vento e o vento muda a cada momento.

Logo agora que eu julgava que tudo ia tão bem. Até os quartéis vão ser limpos e .No entanto, não é um qualquer murro, que nos vai tirar a vontade de comer, apesar da lixeira que nos põem à porta. Quando a fome aperta e o estômago dói, até o lixo marcha…