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afonsonunes

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Ainda continua a haver quem não dispense umas bicadinhas no ex PM e ainda há quem não se contenha com aquela verborreia que lhe faz falta para se auto avaliar. Mas há uma coisa que o ex sabe fazer na perfeição, que é ser bem-educado e, acima de tudo, muito bem-mandado.

Precisamente no dia em que o presidente aconselha determinados ignorantes a estudar, o ex, ao que parece ainda suficientemente atento à voz que o perseguiu durante anos, resolveu pedir uma licença sem vencimento no seu antigo emprego, com a justificação de que ia estudar para o estrangeiro.

O presidente aconselha e ele marcha. Mas, não precisava, isto é, não havia necessidade, pois o conselho não era para ele, mas sim para certos analistas que têm o defeito de ter o ouvido apurado demais pois, deduzo eu, não deviam fazer análises tão detalhadas daquilo que ouvem.

Assim, penso eu, deviam levar em linha de conta que aquilo que se diz hoje pode não ser verdade amanhã, sem que nisso haja qualquer contradição. É evidente que isso só vale para o que diz o presidente pois nunca, mas por nunca ser, isso podia valer para o que disse o ex, ao longo do seu consulado.

Até porque está bem de ver que durante todo esse consulado nunca se verificaram mudanças de circunstâncias, ao contrário do que aconteceu agora, precisamente, nestes últimos dias, em que foi uma escandaleira que deixou toda a gente de boca aberta. Toda a gente, refiro eu, com toda a convicção.

Portanto, estou a provar que não preciso de ir estudar, pois estou perfeitamente integrado na correcta interpretação do que são, ou não são, contradições fictícias e contradições verdadeiras. Se não preciso de ir estudar, logicamente que também não sou um desses incorrigíveis cábulas que abundam por aí.

Logo, estou de acordo que os cábulas ignorantes vão estudar para aprender a colocar as vírgulas e os pontos e vírgulas nos espaços certos. Do mesmo modo que estou de acordo que o ex vá estudar para aprender a distinguir os recados que são para ele, dos que não lhe dizem o menor respeito.

 Esta coisa das circunstâncias que mudam ou não mudam faz-me cá uma confusão dos diabos. Por exemplo, quando o ex saiu e entrou o in, fiquei sem saber se as circunstâncias mudaram ou não. Digo isto porque não vi mudar nada, mas fiquei na dúvida se o presidente mudou alguma coisa ou não.

Provavelmente sou eu que não vejo nem enxergo as circunstâncias que estão aí, agora, à minha frente. Mas não tenho o direito de pensar que as circunstâncias são como o vento suão que só me põe os cabelos em pé, a mim e a ninguém mais. Com franqueza, começo a pensar que também estou a precisar de ir estudar circunstâncias.

Não duvido de que encontrarei cá dentro do país, um catedrático especialista nessa área. Essa circunstância já me deixa bastante reconfortado. Não gostaria mesmo nada de ter de ir para o estrangeiro estudar uma matéria que, circunstancialmente, teria de a estudar em algum banco do jardim, por falta de docentes mais qualificados do que eu.

Mas, sobretudo, daqueles que me chamassem cábula e me mandassem de regresso a casa, onde seria sempre bem recebido, em todas as circunstâncias.