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afonsonunes

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23 Jul, 2011

Colossal-mente

Temos a sorte de ter um primeiro de mente colossal que, bastou ele abrir a boca fazendo-se eco de outra boca colossalmente insuperável, para que a Europa abrisse os olhos e visse como neste reduto de gente sábia, há crânios com inteligência, coragem e sentido de oportunidade para fazer tocar todas as campainhas de alerta dos riscos que corre a sobrevivência europeia.

Temos a sorte de ter uma troika colossal com o vértice em Bruxelas e os dois pilares cá dentro. Assim, os recados que iam de Belém a S. Bento mudaram de destino, passando agora a ir de Belém direitinhos a Bruxelas, quando Bruxelas não pode vir a Lisboa recebê-los. Isto não é coisa de somenos nos tempos que correm, em que o colossal tomou conta de tudo.

Parece que até a dura e intocável chefe germânica vai amolecendo a pouco e pouco, não sei se por via dos suculentos alertas que vão de cá para lá, se por necessidade própria de não se deixar arrastar na queda colectiva que tantos adivinham, e que bem pode estar a caminhar de lá para cá, como colossal tempestade vinda de leste para oeste.

Não sei se as palavras colossais que se ouvem nos mais variados teatros de operações, são uma mais-valia para as nossas aspirações se, pelo contrário, também elas são campainhas de alarme que prenunciam o fim do espectáculo que, de novo, tem apenas o facto de os novos actores serem obrigados a obedecer ao mesmo ponto, o antigo.

Colossalmente falando, o espectáculo é para bem do povo, como tenho ouvido dizer repetidas vezes. Pena é que não seja o povo a determinar o espectáculo que lhe agrada e então, sem dúvida, ele, o povo, diria que era colossal. Assim, tem de contentar-se com os foguetes que outros lançam ao ar e, uma ou outra vez, ir apanhando as canas que caem lá do alto.

Canas que, ao cair no chão, abrem um buraco colossal, susceptível de provocar um desvio colossal na vereda de quem passa por ali, obrigando a um esforço colossal para retomar a vereda que dá ao povo a segurança de uma viagem através dos campos onde o cheiro a flores e a mato, grosso, como convém, produzem uma embriaguez que só pode ser colossal.

O povo não, mas eu sinto-me completamente frustrado por termos tido o azar de as nossas melhores vozes terem passado tanto tempo a falar baixinho, tão baixo que, infelizmente para nós, ninguém as ouviu lá fora. Teria sido colossal se a Europa tivesse acordado mais cedo, ao som das campainhas de alerta que foram, só agora, de cá para lá.

Olhando para o histórico, colossal, deste espectáculo que vem de lá para cá, verificamos que desde há muito tempo se vinha aplaudindo o que se fazia por cá, através de manifestações de confiança nas receitas de bilheteira, má, mas em vias de melhorar. Agora, também está tudo bem, só que as receitas continuam mal.

Parece que nos garantem que o esforço colossal do homem do ponto vai resultar num êxito rotundo. Só que o público, todos os dias vai ter de pagar mais pelo bilhete, para que o ponto não dê origem a um nó cego colossal. Por enquanto ainda se vai pagando sem bufar. Porque é preciso, porque se não for o público a pagar, adeus espectáculo.

Quem não paga nada são os borlistas que todos os dias estão na primeira fila a bater palmas. Os espectadores da geral, por enquanto, vão na onda e também batem umas palminhas de compreensão, de uma colossal compaixão. Lá fora, para lá da porta, já há quem bata com os pés no chão, talvez porque se esqueça que as palmas não se batem com os pés.

Mas, o que realmente interessa realçar, é que o espectáculo colossal está vivo, actuante e virado para o bem do povo, que terá a sua recompensa. Porque, mesmo que o sacrifício seja colossal, mais colossal será a sua satisfação de ter contribuído para uma causa super colossal. A salvação dos colossos que sempre sustentaram.

E essa causa promete ser assim por muitos e bons anos. Colossalmente, o povo lá vai indo, pagando e não bufando, com os outros sempre rindo. Há que seguir as mentes colossais, porque é preciso acreditar que nem sempre a mente colossal mente.

 

 

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