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afonsonunes

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 Com esta sugestão é evidente que só posso estar a falar para o boneco. E este, é um símbolo que representa todos aqueles que podiam e deviam fazer alguma coisa para que houvesse mesmo alguma ordem nisto. Para quem gosta do preto no branco, tenho de dizer que, nisto, nisso ou simplesmente, isto, é este país no seu todo, ou as partes que fazem dele esse todo.

Enquanto houver regabofe numa parte que seja do país, teremos sempre a sensação de que a contaminação é inevitável. Fala-se muito no regabofe da política, e com carradas de razão, porque ninguém é capaz de fazer aquilo que se impõe, que é dar uma vassourada nisso, dando como feito, o que foi dito e repetido até à exaustão.    

Sendo isso o cerne da questão, qual cancro de que todos falam mas que ninguém aceita o risco de uma operação intrusiva e radical, a contaminação irradia da política para todos os domínios, com ramificações que infectam todas as ordens, associações, corporações e todas as decisões e opiniões por onde circulam interesses individuais ou colectivos.

Não faço a mínima ideia de quem nos pode valer nesta aflição. Bem me esforço por pensar neste e naquele, no outro e na outra, tudo gente grande mas, bem vistas as coisas, meter isto na ordem, com certeza, não é com ninguém. É que, cada vez mais me convenço, a desordem está sempre por cima de todas as ordens.

Por esta ordem de ideias nós, os cidadãos, estamos sempre às ordens da desordem, que é a grande entidade que nos envolve nos seus braços dominadores e nos isola de qualquer veleidade que tenhamos de nos integrar inteiramente em qualquer ordem cívica, moral ou legal, como se tudo isso fosse já relíquias de um passado totalmente para esquecer. 

Tudo por causa dos agentes da desordem, esses sim, visíveis e intervenientes em tudo o que seja combate às ordens, dando sempre prioridade ao derrube do civismo, da moralidade e da legalidade, onde ainda se notem sinais da sua existência, ainda que muito ténues. Porque a vontade desses agentes, que se tornou obrigação, diz que se ponha isto na desordem.

Pelo contrário, eu não me cansarei de insistir para que ponham isto na ordem. Para que matem a fome a quem não pode fugir dela, mas metam na ordem todos aqueles que vivem à grande, à custa da fome dos outros, tirando-lhes o pão da boca para o meter na sua, através das mais cruéis acções de hipocrisia.

Ponham-se na ordem todos aqueles que passam a vida a falar na miséria e nos pobres, mas roubam tudo o que podem ao estado, que é quem tem o dever e a obrigação de dar aos que precisam, o que lhes pertence. Mas não o pode fazer, se consente em ser esbulhado, roubado ou enganado, por todos aqueles que só vivem bem com a desordem.

Pior ainda, é quando o próprio estado colabora nessas práticas, entregando a esses egoístas insaciáveis e insensíveis o produto do trabalho dos cidadãos que, assim, vêem as suas vidas e as dos seus, reduzidas a um rol infindo de privações e limitações que são um autêntico atentado à dignidade e aos mais elementares direitos dos seres humanos.

Não deixa de ser um verdadeiro atentado à justiça social, o facto de haver quem tenha o privilégio de ter vários empregos num país onde há tantos desempregados. Tal com é inaceitável que haja multi-reformados, quando tanta gente que precisa não tenha uma pensão de sobrevivência.

Isto não é uma desordem, porque é um escândalo. Embora se saiba que quem tem muitos empregos, não faz nada em nenhum deles. Mas recebe de todos. Tal como quem tem muitas reformas, nada fez para as justificar. Mas recebe-as. E não há quem ponha isto na ordem, para que sobre alguma coisa e permita que ninguém tenha de andar de mão estendida.

Ponham lá isto na ordem, obrigando todos e cada um, ao cumprimento dos seus deveres, para que não haja pequenos nem grades opressores. Para isso, metam ordem na garantia dos direitos de todos e de cada um, para que de uma vez por todas se acabem os muitos medos que ainda assaltam muita gente permanentemente insegura.

E, se há gente insegura, isso deve-se, sem dúvida, a gente que se sente segura demais, o que lhe permite atentar contra o direito à segurança dos outros. Se houver alguém que possa meter a mão na consciência e sinta o peso da responsabilidade de deixar que tudo isto vá assim, vá lá, decida-se e, quanto antes, meta isto na ordem.