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afonsonunes

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Ainda tenho o mau hábito de fazer uma incursão ao mundo dos jornais diários e dos periódicos, passando mesmo os olhos pelos que dizem sempre, mais ou menos, a mesma coisa. De qualquer forma, não deixo de me sentir satisfeito no final de cada ronda, pois não há nada melhor que umas torceduras de nariz ou uns sorrisos de graça para começar bem o dia.

Porém, também não dispenso ler aqui e ali alguns comentários sobre os artigos que espreito, porque acho isso o máximo. Têm imensa piada e um extraordinário bom gosto todos aqueles que metem constantemente a sua cultura e a sua gramática na classificação de gente que não conhecem de lado nenhum, mas que a classificam genialmente.    

É o caso do uso do termo xuxas para saudar os socialistas, com aquele carinho de quem sabe que não há nada melhor para ninguém que viver xuxando a vida inteira como se a maminha fosse um dom exclusivo daquela família política. A graça está precisamente no facto de nem sempre mamar menos, quem mais chora.

É obvio que, no caso concreto, o choro é a algazarra que se utiliza para tentar impor essa ideia de que só os xuxas é que mamam. Isto porque se vê o país como se fosse um par de tetas, só abocanhadas pelos beiços de quem tem o poder, ou anda à volta dele. A mama, porém, nem sempre é poder. Quantas vezes, ela é o anti-poder.

Como o poder mudou recentemente entre nós, faz algum sentido libertar os xuxas desse estigma de mamões. Mas, não faz sentido pensar que deixou de haver mamões. Então, temos de ver por onde é que eles andam e como devemos falar deles, dentro da mesma lógica de poder e dentro do mesmo conceito de mama.

Já me constou que foram os xuxais a herdar a mama, como consequência de terem afastado os xuxas dos peitos do poder. A coisa, em termos de nomenclatura, até nem ficou muito diferente. Há ali apenas uma vogal a mais, precisamente um ‘i’, que até pode querer dizer que, mais coisa menos coisa, vai ficar tudo ‘igual’.

Sem querer fazer comparações técnico-científicas, assim, a ‘olhómetro’, os xuxais apresentam uma significativa vantagem que vai muito para lá do ‘i’, mas deixo isso ao critério dos próprios que, melhor que ninguém, lá sabem as linhas com que se cosem. E, de cosidos, está o país cheio, com suspeitas de que vai mesmo transbordar.

De qualquer forma, o que há de mais engraçado nesta xuxadeira toda, é que se mete toda a gente no mesmo saco. Ora, não é possível, é mesmo completamente impossível haver tantas tetas para tanta gente xuxar, ainda que o façam em tempos alternados. Para lá da graça que estas coisas sempre têm, vamos lá evitar as touradas verbais.

A hora é dos xuxais, muito ou pouco democratas. Eles dirão que já não é sem tempo. Contudo, muitos deles, ou apenas alguns deles, começam a ver o tempo passar e a perder a esperança de serem contemplados à maneira dos tempos que já lá vão. São maneiras de encarar as dificuldades da vida, sempre madrasta para quem não tem sorte nenhuma.

Mas, há sempre uma solução alternativa para quem não conseguiu ser um dos xuxais de primeira. É considerar-se ao nível de todos os xuxas que ficaram a xuxar no dedo. Para quem tem o vício, sempre é melhor que nada.