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afonsonunes

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Há muito tempo que oiço dizer que ele é mesmo teso. Teso no sentido de nunca torcer, nem tão pouco cair no ridículo de ter que quebrar. Lá diz o ditado que antes quebrar que torcer, mas ele é muito mais que sujeito a um qualquer ditado, mesmo mais popular que ele, ou não houvesse quem lhe atribua o cognome de ditador.

Ditador e popular, mas teso, tríplice que não quadra lá muito bem com o resultado final de cada uma das três componentes da sua génese. Mas, sobretudo, não quadra mesmo nada com aquilo que cada um dos seus seguidores espera no âmbito dos interesses específicos de cada um deles e próprios de sítio onde ainda se dita qualquer coisa.

A classe reinante e dominadora é a única que beneficia inteiramente desse tríplice, na medida em que assim, está protegida de todos os perigos que a pudessem ameaçar. Um protector que dita, teso e seguido sem qualquer contestação, é tudo o que uma classe exploradora pode desejar para se sentir segura nos seus abusos.

E a maralha pobre, ou mesmo remediada, no meio da lonjura em relação a outras vivências, não lhe resta mais que conformar-se com o pouco que a sua vista alcança, com o receio latente de que até pode perder esse pouco que ainda lhe deixam ter, certa de que mais vale uma banana na mão que duas a voar.

O Alberto é teso como se fosse de madeira feito. De madeira de pau-ferro, o que lhe tem permitido bater e abater outros paus de outras madeiras que noutras bandas do país se curvam perante a sua dureza, que é mesmo tesura de se lhe tirar o chapéu. Porque a sua língua não enrola dentro da boca, mas enrola quem ouse desafiá-lo.

Agora, com a tesura habitual, afirma que não tem liquidez embora tenha muito e valioso vasilhame. Mas, vasilhame sem líquido é zero, porque ninguém se consola a chupar por uma garrafa vazia, nem que ela seja de oiro. E o Alberto não bebe oiro, mesmo que o derreta até ter a liquidez do vinho da madeira mais qualificado.

É que a liquidez de que ele gosta tem de fazer estalos com a língua, sempre sem a dobrar, para não ganhar o hábito de sujeitar-se à disciplina de outras línguas que espreitam a maneira de lhe esconder o precioso líquido que ele reclama, a fim de que a sua liquidez fique sempre garantida e a coberto de qualquer rotura nos fornecimentos.

Porém, chegou o momento de se fazer uma avaliação muito séria sobre a tesura do Alberto e a tesura do Pedro. Mas, principalmente, de o Pedro mostrar qual a sua sensibilidade em relação à necessidade de liquidez da garganta do Alberto e à secura das gargantas que o Pedro se comprometeu a manter no limiar de sobrevivência.

Dirá o Alberto que também tem lá muitas gargantas em risco de começarem a ficar com pouca liquidez. Que ele fará tudo, mas mesmo tudo, para que nada lhes falte, nem a ele, nem aos seus melhores consumidores e fornecedores dos preciosos líquidos, o dele em garrafas finas e douradas, o dos outros em garrafões de OH2.

Quando a liquidez lhe escasseia, ao Alberto, claro, nota-se que começa a acusar um grau excessivo de acidez, fruto de que já não há sais de fruto que lhe acalmem o estômago e, por consequência, a língua. Tudo fruto de uma longa e excessiva abundância de liquidez, mesmo quando ela faltava nos domínios de quem o satisfazia.

É por isso que neste momento de sede generalizada, o país está suspenso do resultado de mais esta investida do Alberto. Porque é muito importante o veredicto do Pedro, quando não tem feito outra coisa que secar as gargantas que já nem as chuvas de todo o ano conseguem humedecer. É um teste muito forte à tesura de dois tesos em confronto amigável.

Não me surpreenderia mesmo nada, se este confronto viesse a ter o palco que merecem os grandes desafios nacionais. Uma justificação especial no Facebook que sirva para acalmar as gargantas sedentas que reclamam um copo de água. Mesmo sabendo que os donos delas nunca a verão. Mas podem vir a ver muitos copos do melhor whisky nas mãos do Alberto.    

Estas coisas da liquidez têm muito que se lhe diga. Realmente, o país está cada vez mais seco e cada vez mais teso. Mas, ao que vejo e sinto à minha volta, a única maneira de esquecer a liquidez é engolir em seco a toda a hora.