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afonsonunes

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Esta história do árbitro de futebol que não quis ir a Aveiro tem muito que se lhe diga e aqui estou eu para dizer umas coisitas sobre tão estranho caso. Em primeiro lugar, assinalo precisamente o facto disto se passar na cidade da ria, talvez porque não tenha um rio no lugar da dita. Mas tem árbitros que são juízes, com maior prestígio que a ria.

Há largos dias que não se falava senão na falta de um juiz para a importante jornada entre a equipa dominguista e a quarta melhor formação luso/árabe do futuro. (Esta, que só será superada pelas três equipas mistas de sul-americanos e de euro indiferenciados, sempre arduamente disputados e concentrados em Lisboa e Porto).   

Mas, nunca houve falta de juízes, ou árbitros, em Aveiro. E tanto assim é que apareceu logo um, que acabou com essa falsa polémica. Aliás, muitos outros juízes haveria, prontos a entrar na liça, dispostos a mostrar que ainda há gente séria no desporto e no negócio sujo das bolas quadradas e dos apitos dourados por fora, mas cheios de tarro e de ferrugem por dentro.

Entendo que esta incidência de recusa de um árbitro, logo secundado pelos outros da mesma estirpe, veio mesmo em tempo oportuno. Mérito do presidente leonino que teve a coragem de colocar o problema em termos de aviso, de alerta e do caminho a ser trilhado no futuro próximo. Claro, quem está bem sentado, não quer olhar para quem está de pé.

Já é velha a alusão ao “sistema”, tal como velha é a realidade que os beneficiados e alimentadores do dito, não querem sequer discutir, quanto mais admitir que ele existe. Mas, em algum dia terá de se encarar o problema de frente e pegá-lo pelas pontas como se faz aos bichos nas touradas, que já vão tendo muita concorrência nas touradas do futebol.

Ao ponto a que isto chegou, não é com estes árbitros, que se consideram juízes incontestados, nem com esta classe dirigente, eivada de radicalismos e de clubite aguda, além de, em muitos casos, ter ali uma fonte inexpugnável de negócios escuros, que se consegue limpar as ervas daninhas que devoram os relvados.

 Há quem pense que a profissionalização desta vasta e enraizada cambada resolve o problema de vez. Pura ilusão. As ervas daninhas não se eliminam dando-lhes mais adubo e regando-as todos os dias. Só há uma maneira de as eliminar. É arrancá-las pela raiz e pô-las ao sol a secar. Depois, nova vida, com a terra limpa de vez e novas culturas.

Infelizmente o país está dominado por gente que se julga insubstituível, só porque se considera um elo de uma corrente indestrutível. E esta corrente nacional com muitas ramificações, para muitas actividades, negócios, corporações e instituições, tem sido capaz de resistir aos mais evidentes sinais de que ela é perniciosa, destruidora e bem alimentada.

Como se trata de elos de uma forte corrente, seria mais correcto dizer que ela está bem oleada por zelosos conservadores e bem protegida por altos poderes de que se vai falando baixinho. Mas os que assim falam não recebem a bênção de quem lhes interessa mais ocupar-se de outros interesses e poderes.

Voltando aos juízes de apitos perfumados fora dos relvados, foi bom verificar que um desqualificado das estruturas de Aveiro, abriu o livro no estádio e mostrou como se ensinam os altamente qualificados em esquemas e manhas, embora se saiba que nada disso vai modificar seja o que for. Por enquanto.

Mas, o tempo não pára nem perdoa. Exemplos? Cada vez mais por esse mundo fora, alguns deles já relativamente perto de nós, portugueses. No desporto, na política, na sociedade. Vão caindo os ditadores que ainda resistem. Vão sendo denunciados e perseguidos os corruptos e os egoístas que não respeitam nada nem ninguém.    

A impunidade não pode ser tolerada seja a quem for, por mais independência que reclamem os impunes, ou por mais independência que os beneficiados lhes queiram atribuir. A independência só se conquista com a consciência e nunca com poderes que só servem para dar cobertura aos actos mais atrabiliários.

Mal de quem convive bem com árbitros que apitam de olhos fechados, ou com juízes que decidem consoante o preço que cobram por cada decisão. Mais tarde ou mais cedo esse tipo de arbitragens ou de julgamentos vai caber-lhes em sorte. Porque há sempre um árbitro mais acima que pode despertar a qualquer momento.

Entretanto, má sorte a minha se algum dos aqui referidos ler esta coisa. Eles ofendem-se muito e são capazes de ver nestas palavras uma indignidade no que toca os seus actos. Como são árbitros e juízes de uma justiça muito própria, estou feito ó bife. E, quem sabe, mais uns jogos sem eles.