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afonsonunes

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Três línguas distintíssimas da nossa praça política que, por mais que alguém queira dizer que o Sócrates tinha um grande nariz, apalpe os destes três e veja se consegue meter cada um deles numa só mão, sem ficar nada de fora. Refiro-me a mãos de gente normal e não a mãos de gente habituada a metê-las onde não deve.

Três línguas, três narizes, com uma dimensão muito acima da média, ou não fosse mais que natural, que o crescimento de umas é sempre equivalente ao crescimento dos outros. Facilmente se pode comprovar que os três lá de cima constituem o fenómeno da multiplicação dos pinóquios nacionais.

Tínhamos forçosamente de ter alguma coisa a crescer neste momento de decadência. Em menos de três meses perdemos um pinóquio mas ganhamos três de uma assentada. Haverá quem se questione se o nariz que se perdeu não seria maior que os três que se ganharam. Bem observado mas, também há quem diga que qualquer dos três é muito maior que o outro.

Além disso, para ser suficientemente meticuloso, há a referir que o tempo de crescimento dos narizes é muito importante. O que se foi teve cerca de seis anos para atingir o tamanho que se lhe conhece, ao passo que o tamanho dos destes três pinóquios recentes foi conseguido em apenas dois meses e tal.

Claro que é obra. E é uma obra que vai dar água pela barba ao respectivo chefe comum, ou seja, o responsável pelo crescimento de tão respeitáveis narizes que podem influenciar, e muito, o crescimento do nariz do Coelho, dada a coabitação dos quatro na toca comum de governos do país.

Tal incidência poderá muito bem determinar que tenhamos de acrescentar mais um pinóquio aos três que já estão devidamente identificados, se o Coelho não impuser em tempo útil a tão prometida disciplina organizacional da sua toca. Senão, será mais um avanço do seu próprio nariz em direcção ao espaço sideral.

Não adianta fazer uma medida por dia, mesmo que essa medida represente uns reles milímetros de crescimento do nariz pois, com o tempo sempre a correr, não tardará que se chegue a valores considerados socráticos. Parece pois aconselhável e urgente que o Coelho consiga trocar medidas por obras palpáveis que se vejam por cima do nariz.

E a primeira obra que se destaca de imediato é controlar adequadamente o crescimento dos narizes dos três supra referidos pinóquios, pois a não concretizar essa obra, é o seu próprio futuro de Coelho que está em causa, pois toda a toca será, num curto espaço de tempo, insuficiente para albergar tantos narizes de tamanhos incontroláveis.

Se, por um lado, estes obreiros estão a fazer perigar a toca com o seu alarido, outros estão demasiado calados e, na ausência dos barulhentos, a toca fica uma tumba, onde o silêncio obstipa de tal modo os ouvidos exteriores que, já há quem pense em renúncia colectiva às juras de salvação do país.

Depois, como os quatro nunca poderiam formar um quinteto de pinóquios, eis que saem umas Moedas a tilintar dos cofres vazios de notas, dando ao oco espaço onde se ouviram, um tom de falsete em tudo condizente com as línguas e narizes que bem caracterizam a cena política de que o país vai descrendo de deixar para trás.

Espero ansiosamente para ver o que acontece ao trio e, sobretudo, se não acaba por se transformar em quinteto. Também depende muito do maestro e da sua batuta mágica.