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afonsonunes

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20 Set, 2011

Vivó PSD

Dizem os entendidos que, se não pudermos vencer aqueles de quem não gostamos, devemos juntar-nos a eles. Pela minha parte, estou constantemente a verificar que o dever, nem sempre significa obrigação de aderirmos a esse princípio. Até porque o dever é uma coisa muito ambígua, ou muito vasta, para ser tomada como obrigação.

Ora o PSD está a aumentar a sua performance eleitoral, segundo a última sondagem que eu conheço, apresentando-se à beira da maioria absoluta. Vamos lá ver se o tombo do seu parceiro de coligação, não representa um aumento das disfunções que a governação já começa a evidenciar, nomeadamente, no jardim do Atlântico.

Mas, isso agora não interessa nada, se o PSD chegar mesmo à maioria absoluta, caso em que teríamos novas eleições, se de Belém não viessem orientações precisas e concisas, sobre o tão perfeitamente identificado interesse nacional que, como sempre, terá de ser o interesse daqueles que sempre estiveram ao nosso lado nas boas e nas más.

Com o PSD a consolidar posições de hegemonia, não nos resta alternativa senão voltarmo-nos para esse lado, deixando de sonhar com coisas do passado, mesmo aquelas coisas que o PSD sempre rejeitou e agora parece ter adoptado como grandes descobertas de poupança de incontáveis milhões.

Não é que eu tenha de ir contrariado para o PSD. Nada disso. Vou com todo o gosto se o estado contribuir para as poupanças com o que gasta e não devia gastar. O problema é que ainda não o vi poupar nada, senão nas promessas de que vai reduzir em tudo o que só, e apenas, afecta a vida dos cidadãos que já estão espremidos até à exaustão.

No entanto, mesmo estando eu disponível para aumentar os valores das sondagens favoráveis ao PSD, tenho esperança de que ele se não transforme no partido único da unidade e da coesão nacional, sob pretexto de que é esse o interesse inquestionável para que sejamos os melhores, mesmo entre os piores, protegidos da troika.

Apesar de me encontrar entre os que não simpatizaram com o PSD da oposição, nem com o actual PSD da governação, até este momento, admito perfeitamente que num futuro próximo, venha a dar-lhe vivas, mesmo sem esperar que me caia em cima alguma benesse, ainda que não tenha a benigna designação de tacho.

E chamo aqui o tacho magnânimo, porque quero deixar bem claro que gosto muito de cozinhar, mas as minhas preferências culinárias vão para os grelhados na brasa. Em primeiro lugar, porque brasa é brasa, aqui ou qualquer parte do mundo. Ou não fosse o lume onde a gente se aquece feito de brasas, quentes, vivas, escaldantes.

Voltando à vaca fria, ainda não é agora que o PSD me leva nos seus braços. Para isso, tem de fazer muita coisa que anda a dizer que vai fazer, além de ter de esquecer muitas outras coisas que já fez e não devia ter feito. É que eu sou esquisito para caramba, ao não aceitar hoje como bom, aquilo que ainda ontem era inaceitável.

No entanto, já aprendi que o mundo é feito de mudança. E eu estou pronto a ir de corrida para o PSD se, alguns que por lá andam, incluindo uns tantos do governo, mudarem o seu estilo de profetas da desgraça, adoptando o estilo de obreiros da reconstrução, com as mãos metidas na massa e fazendo recolher a língua ao forno onde se mastiga o pão.

Porque reconstruir é erguer o que está derrubado, sem passar a vida a olhar para ruínas e lastimar ter de pensar que é preciso meter mãos à obra. Reconstruir é também olhar para dentro de nós próprios e para o contributo que podemos dar para que não se repitam os erros dos outros e, sem complexos, assumir os nossos próprios erros.

Até posso ir direitinho ao PSD. Mas, primeiro, tenho de ver que aquilo está mais limpo que os outros. Que aquilo já não se refugia na hipocrisia das palavras ocas, ou na verdade das mentiras de conveniência. Ou ainda na opacidade de uma transparência de faz de conta.

Quando, aos meus olhos, tudo estiver mais clarinho que a água quase pura, então sou capaz de estar lá a dizer, vivó PSD.