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afonsonunes

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02 Out, 2011

Anjinhos e anjolas

Não sei se na Madeira existem muitos ou poucos anjolas mas o termo, que o meu computador recusa, veio exactamente de lá, segundo as mais recentes provas da sua existência, que eu conheça. Segundo essas provas e segundo o utilizador do termo, os anjolas estão no continente e não na Madeira ou no Porto Santo.

Cá no meu fraco entender, os anjolas só podem ser todos aqueles que vão na conversa dos anjinhos e, até que me demonstrem o contrário, estes pequenos anjos só podem existir nos céus da Madeira e do Porto Santo. Porque, no território do continente, já ninguém espera ganhar o céu, que já lá tem anjinhos a mais.

Já dediquei a este tema muitas horas de profunda reflexão e o caso não é para menos. Ainda cheguei a admitir que eu próprio estivesse incluído nessa categoria, não sei se boa se má, de cidadãos anjolas continentais. Não podia estar, pois o anjinho mor madeirense não me pode conhecer, o que me dá um descanso muito reconfortante.

Partindo desta premissa, só se pode rotular alguém de anjinho ou anjola, desde que se conheça minimamente o, ou os, rotulados. Portanto, já fiz a minha ronda mental por todas as individualidades que eu conheço de nome e os quais, penso eu, o grande anjinho conhece pessoalmente de há muito tempo.

Se as minhas deduções têm alguma lógica, é entre essas personalidades que se encontrarão os tais anjolas. Mas, de repente, deparei-me com outro problema não menos complicado, que é saber o que é um anjola. Isto porque do meu dicionário não consta tal palavrinha, ou palavrão, não sei, e assim fiquei meio a nadar em indecisões.

Ora, não sabendo defini-los, não me é possível individualizá-los, a menos que pudesse contar com a prestimosa colaboração do maior dos anjinhos que, lá do alto do seu céu, bem podia esclarecer-me sobre tão importante problemática. Sim, porque não se pode estar a puxar para cima ou para baixo, quem não se sabe o que é.

Depois, a muito custo, lá encontrei uma pista para prosseguir a minha ronda mental. Lembrei-me de que a nossa gramática também tem os seus parentes. Talvez as palavras, mariola e rapazola, me dissessem qualquer coisa ao serem comparadas com anjola. Depois de muito pensar, lá arranjei um pretexto para continuar a ronda.

Comecei pelos mariolas de alguma maneira ligados ao conhecimento do utilizador do termo em questão. Não foi difícil encontrar quem pudesse ser enquadrado no círculo vicioso das amizades úteis que se transformaram subitamente em inimizades de conjuntura imposta, ou de moralidade meramente circunstancial.

Depois, lá me vieram ao pensamento aqueles rapazolas que encheram o peito de ar para depois produzirem umas baforadas sonoras, que só podem significar que tiveram de se distanciar dos rapazes que eram e deliravam com as aventuras de motos, que tiveram agora de substituir por experiências de carros topo de gama.

Como palavra puxa palavra, lá me vieram mais duas à ponta da língua. Gabarola e graçola. Estas até estão em perfeita sintonia entre o anjinho da Madeira e alguns dos agora odiados amigos do continente. As graçolas de uns e de outros pendem sempre no sentido de grandes gabarolas das virtudes de que só eles se orgulham alegremente.

É evidente que a minha ronda mental descobriu muitos nomes no meio de todos os anjolas do continente. Mas seria uma injustiça para os que não o são, terem de pensar, pior, terem de pronunciar, nomes que são uma aberração da justiça, caso dos poupadinhos, agora no poder, que foram os grandes instigadores da despesa do estado, quando na oposição.

Portanto, todas as histórias de gastadores e poupados têm muito que se lhe diga, desde logo, a história dos grandes e poupados limpadores de cofres e dos que ficaram à porta à espera de que lhes enchessem os bolsos. Vá lá saber-se quem foram os maiores anjolas e os melhores anjinhos deste reino, agora da troika.