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afonsonunes

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Olá se é, tanto na sua elaboração, como na sua execução, atendendo até a que se trata de um documento ‘Órdinário’ que só se elabora uma vez por ano, mesmo que seja estúpido e inútil, como tem sido de há muitos anos a esta parte e dá agora todas as indicações de superar todos os outros. Difícil, só se for por isso.

Mas este Ó É sem dúvida o mais ordinário da democracia nacional e, embora tenha poucas dúvidas e me engane muito, esta democracia também está a ficar muito ordinária, muito por culpa de um reformismo extra ordinário, que nos dizem ser ímpar pelo tempo recorde em que está a ser implantado. Mas os tópicos, já eram conhecidos há muito.

Pretendem ficar com os louros desta diarreia legislativa mas cá para mim, os louros e os espinhos devem ir para outras cabecinhas pensadoras, pois não é segredo que os autores vieram de fora e os negociadores foram outros que não estes. Portanto, estes de agora, são apenas os executantes, com alguns exageros pelo meio.

Portanto, reformismo, tal como no-lo querem impingir, mesmo no que toca à sua autoria, nicles, nada. Aceitando como inevitáveis as ideias base da sua inevitabilidade, estão a vir ao de cima os desvios que inverteram completamente a justiça social que o devia orientar, pelo que este Ó É acaba por ser um autêntico Ó Não É.  

Paradoxalmente, este terrível documento em vias de ser apresentado, é muito melhor aceite por todos aqueles que pouco ou nada contribuíram para a situação que o gerou, que por todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, tudo fizeram para que o país descambasse neste pântano, tantas vezes anunciado, mas sempre desejado ou tolerado.

Desejado e tolerado por todos aqueles, e foram muitos, talvez milhares, senão milhões, que se fartaram de gastar o que não tinham. Desejado e tolerado por aqueles que meteram, e agora metem mais à vontade, a mão no pote, bem como os amigos que meteram a mão nos cofres onde havia montes de dinheiro de muitos outros amigos. 

Tem sido muito fácil, trespassar esses negócios para outros que, com culpas no cartório sim, mas em nada comparáveis àquelas de que estes de agora se querem libertar, acusando, na mira de não serem acusados. Sempre ajudados por outros poderes que mais alto se levantam. Para lá das palavras, também estes desejavam a continuação do que sempre toleraram.

Este não é o Ó É dos que podem ajudar a destruir os vícios que os engordaram. Este Ó É não toca nos gordos nem nos obesos, mas ataca ferozmente todos aqueles que já carregam com o esqueleto apenas encoberto pela pele enrugada. Estes, sim, vão ser os verdadeiros salvadores da pátria e dos que continuam a dormir à sombra da iniquidade, da conversa e da preguiça.

Este não é o Ó É daquele que já tinha tudo na cabeça há muitos meses atrás. Nem tão pouco daquele e daqueles que nunca deixaram de incitar ao despesismo, mesmo depois de se começar a conhecer os verdadeiros contornos da crise. Crise que para eles era exclusivamente interna e que, à medida que se vão afundando, já só vêem a crise que vem lá de fora.

Chegados a este ponto, tenho uma curiosidade mórbida em saber quais as razões que levam a considerar este Ó É o mais difícil de toda a nossa história. Penso, pelo que ficou dito, que não se trata da sua elaboração. Então só pode tratar-se da sua discussão e aprovação mesmo com esta mais que garantida.      

Difícil, mesmo muito difícil será, sem dúvida, conseguir defendê-lo na sua discussão. Porque já sabemos de antemão, pelo menos eu já sei, quais serão os argumentos. E qual será o responsável único que obrigou estes patriotas a estar a fazer papel de idiotas perante tão indesculpáveis dificuldades que lhes puseram em cima das costas.

Mas, já todos ouvimos dizer que os anjos não têm costas. Logo, eles, dado o seu estatuto largamente auto proclamado, não tendo costas, também não têm nada sobre elas, incluindo o peso deste Ó É que terá de levitar pelos ares da assembleia, sem que se consiga que assente em alguma cabecinha pensadora, que só pode ser algum fantasma que também levite por ali.

Só espero e desejo que este Ó É, difícil, brutal, estúpido, indesejado, cruel, inútil, mas necessário, não provoque ataques cardíacos em cadeia. Para desastre já basta o Ó É. E seria um desastre irremediável perder esta preciosidade. Oh n’ Ó É?