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afonsonunes

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16 Out, 2011

Matracas e pífaros

 Não sendo a música e os instrumentos musicais o meu forte, a verdade é que os meus ouvidos estão a ficar fartos de serem fustigados por certos tocadores de pífaros que, com sons agressivos e cada vez mais desafinados, se vêem nos píncaros do estrelato efémero de quem anda ao sabor das modas.

Atrevo-me mesmo a dizer que andam ao sabor das modinhas brejeiras que conquistam simpatias fáceis, enchendo a boca com aqueles palavrões de fazer rir, principalmente, quem nunca foi capaz de ser sério, perante a música onde até os pífaros podem ouvir-se sem ferirem os ouvidos de quem quer que seja.   

Do mesmo modo que até as matracas se podem abrir e fechar com aquela contenção e integração em partituras que toda a gente entende e ninguém detesta. Daí que não seja preciso ameaçar quem abre a matraca, soprando o pífaro com aquela fúria ordinária do ódio incontido e ameaçador de quem se julga dono da mentira com disfarce de verdade.

Em cerca de mil cidades, milhões de pessoas abriram as suas matracas neste quinze de Outubro, não para abafarem os pífaros de quem quer que seja, mas para lembrarem a quem detesta matracas e pretende fechá-las de vez, que o mundo tem de mudar de música e, sobretudo, de músicos que saibam tocar decentemente os seus instrumentos.

Quem pensa que as bocas dos outros não passam de uma matraca qualquer, no isolamento do deserto, está muito enganado e mais se vai enganar ainda, quando o som do seu pífaro murchar, incapaz de se fazer ouvir definitivamente. Porque nada, nem ninguém poderá abafar indefinidamente, os sons e os ventos da história.    

Porque a questão que se põe é que a língua tem tendência para se sobrepor à inteligência. Falar muito nem sempre é falar bem, sobretudo, quando a inteligência não ajuda, ou quando não convém dar-lhe muita atenção, ou ainda quando se subestima a inteligência de quem é amesquinhado a todo o momento.

É verdade que, no imediato, a esperteza dá notoriedade, mesmo quando espezinha a inteligência. Mas, o imediato é efémero. O tempo sempre foi mudando as coisas, precisamente, porque tudo é efémero. E hoje, o mundo muda mais que à velocidade da luz, que vai deixando para trás a escuridão da ignorância.

Cada vez é mais difícil a um pífaro fazer calar uma matraca, mesmo tendo em conta que todas as leis têm tendência para proteger os pífaros. Porém, temos vindo a assistir a um gradual enfraquecimento das leis, precisamente, porque o som das matracas desprotegidas, tende a romper todas as barreiras que lhes têm abafado o som.

Seria bom que se abandonassem de vez as sobrancerias de quem julga que a sua matraca é pífaro que dá música a todas as matracas do mundo inteiro. Destas, milhares de milhões já não têm pão suficiente para meter nelas, quanto mais as balelas dos pífaros onde sopram línguas imundas, egoístas e ameaçadoras.

É bom que se vá pensando nisso enquanto é tempo.