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afonsonunes

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Tenho a certeza de que o país teria tudo a ganhar se, de uma vez por todas, todas as cidadãs e cidadãos eleitores, fossem devidamente esclarecidos sobre quem foram os maiores thieves da nossa história, ordenados num ranking tão sério, quanto o exigem tão altos dignitários da nossa política e da nossa alta finança.

É evidente que tal ranking não poderia nunca ser elaborado ao critério de uma qualquer organização que integrasse os potenciais candidatos ao primeiro lugar. Como eles estão metidos em tudo o que é dinheiro, está-se mesmo a ver que seria muito difícil arranjar um júri que, ao menos, parecesse isento.

Como me considero um sujeito muito criativo, embora pouco esperto e, por vezes, porque não dizê-lo, um tanto brutinho, não me importando mesmo que alguns, no mínimo, que o são tanto como eu, julguem que o sou mais que eles, daí que goste de lançar umas dicas que sirvam de assunto a todos os inteligentes deste país que, afinal, não criam nada de novo.

A minha preferência iria para um concurso do tipo Master Chefe, onde a confecção de amostras de comidinha, seria substituída por cofres com os mais sofisticados sistemas de abertura retardada, por meio de segredos não passíveis de ter sido violados antecipadamente e passados à socapa aos concorrentes da cor.

Seria o concurso de apuramento do Master Thief, cujo vencedor seria aquele que, ao longo das muitas sessões de assalto aos cofres, derrotasse todos os outros, por ter as mãozinhas mais suaves do país, resistindo a todas as eliminatórias. Dada a sensibilidade da matéria, todos os concorrentes poderiam usar luvas, à maneira de perfeitos thieves.

Apurado o Master Thief, acabava-se de vez esta incerteza de quem fanou mais e de quem fanou menos, bem como este aproveitamento constante de cortinas de fumo para ocultar as virtudes de uns e os defeitos de outros na nobre e rica arte do fananço ao mais alto nível. Esta manobra, além do mais, é altamente deprimente para os que só têm a fama.

Depois há aquela eterna mania de uns sujeitos que passam a vida a inventar histórias de thieves os quais, quantas vezes, nem sequer algum dia chegaram a ganhar para o susto. Inventores que lá vão vivendo, coitados, com uma percentagem mínima sobre as audiências ou as tiragens que conseguem mobilizar.

Mas, mesmo assim, ainda têm a benevolência de uma garantia precária de trabalho, enquanto conseguirem manter os seus thieves vivos e na berlinda. Estes riscos podiam ser colmatados enquanto durasse o concurso do Master Thief, um êxito com garantia total, por mostrar ao vivo, mãozinhas tão famosas em acção nas suas especialidades favoritas.    

Findo o concurso e conhecido o Master Thief, bem como o ranking completo dos activistas militantes, seria um desastre rotundo para os inventores na modalidade. Com tudo em pratos limpos, conhecidos os que tiveram a fama e o proveito, bem como os que não tiveram fama, mas tiveram o maior proveito, o país podia, finalmente, viver melhor e em paz.

Todos podiam lavar as mãozinhas depois de terem tirado as luvas com que manejaram as rodinhas dos segredos dos cofres com todo o profissionalismo e seriedade. Aqui, no concurso, só um ganhou o prémio de Master Thief. Mas, os restantes ficaram com todo o dinheiro que tão hábil e inteligentemente conseguiram sacar dos cofres que abriram.

Há quem pense que está mal e há quem pense que está muito bem. Afinal de contas, há sempre quem pense que difícil, difícil é aquilo que eles pensam, porque é fácil pensar muito e não fazer nada. Já a minha prima dizia com alguma ironia. Mais vale dizer asneiras que estar calado. Coitada, ela, como eu, não é nada inteligente.

De uma coisa estou eu certinho como uma calculadora de última geração. Difícil, mas mesmo muito difícil, é ter cabeça para ganhar o Master Thief. Quem a tiver, só tem que se habilitar. Com as minhas limitações, não consegui traduzir o nome do concurso para português, pois thieves, não há cá disso.