Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

Ora aí estão dois assuntos de que eu sou um verdadeiro especialista. Aprofundando um pouco mais a matéria, talvez até conseguisse retirar dali um terceiro assunto. Mas, para mim, o mais interessante é o monstro, nado e criado nos anos noventa e agora muito oportunamente trazido à realidade actual.

Realidade que, segundo muito boa gente, é efectivamente uma monstruosidade, bem como a história do próprio monstro que, passados estes anos todos desde o seu nascimento, ainda vê por aí muitas confusões sobre a sua paternidade. É consensual que ele nasceu em mil novecentos e noventa e qualquer coisa.

Realmente, há qualquer coisa que anda a causar cócegas a alguém. Contudo, se as cócegas servem para fazer rir os mais pândegos, os mais sérios não perdem a seriedade com qualquer coisa desse tipo. E a história da paternidade do monstro está devidamente localizada no tempo e na melhor testemunha presencial do evento.

Como não sou professor de história, não me cabe dar lições dessa disciplina, nem dessa indisciplina factual. E a verdade é que o monstro tem pai, identificado por um familiar muito próximo do progenitor, monstro que agora é evocado por outro familiar, substancialmente mais novo, mas que fala dele com aquela proximidade parental.

Com tanta proximidade, que se prepara para assumir que vai assassiná-lo, nem que seja à má fila, que é como quem diz, a ferro frio, estando por definir se será com um golpe frontal, ou com um golpe vibrado pelas costas, para não sentir a força do olhar do monstro no último momento da sua já longa vida.

Se é verdade que monstro é monstro, também é verdade que matar é matar. Quem criou uma vida, mesmo que ela seja uma monstruosidade, e quem prolongou e alimentou essa vida ao longo do tempo, pode considerar-se, também ele, um monstro, ao pegar no cutelo para o enfiar nas entranhas seja lá do que for.

Não queria fazer histórias monstruosas mas a verdade é que parece que estou a cair nessa tentação. Por isso vou cavar desta a todo o gás, antes que me enrede numa qualquer cavacacofonia, coisa esquisita que até parece que tem a ver com a junção de sílabas que nunca deviam estar pegadas numa só palavra.

Por vezes fico espantado por ver coisas destas escarranchadas por tudo quanto é notícia, até porque sempre me pareceu que entre familiares ninguém devia meter a colher, sem correr o risco de criar ‘cacofonocolheradas’ que nos causam mau gosto de boca nestes tempos em que a união familiar tinha de comer a uma só voz.

Espero não ser acusado de andar para aqui a fabricar cacofonias, só porque já ouvi falar disso. É verdade que sim, mas juro que nem sei, nem quero saber, o que isso é. Portanto, como é que eu podia falar sobre o que não sei. Não podia coisa nenhuma. Isso até podia deixar-me ainda mais espantado que os espantos de que ouço falar por aí.

Confesso sinceramente que não há coisa que mais me entristeça que uma zanga de compadres. Ainda se fosse de comadres, bom, a gente sabe que essas, zangam-se agora, mas daí a nada já estão aos beijinhos e aos abraços. Mas, com os compadres, não é bem assim. Comportam-se sempre como aqueles matulões que querem a mesma namorada.

Não percebo porque razão se não dispõem a arranjar uma solução negociada já que, no resto, estão constantemente a proceder como se tudo fosse um negócio. Se é tudo, é mesmo tudo, e ambos me parecem negociadores de palavra e com provas exemplares mais que demonstradas nas suas palavras e nos seus actos.

No entanto, nos vossos negócios cacofónicos, por vezes monstruosos, não envolvam os ‘monstrozinhos’ que já constituem a rejeitada e enjeitada geração monstruosa da vossa era.