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afonsonunes

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14 Out, 2008

Dias de esperança

Haverá quem esteja a pensar que este título só pode ser uma brincadeira ou uma alusão a um qualquer desabafo presidencial no meio de uma visita em busca de qualquer coisa que valha a pena. Pois quem pensou isso, pensou muito mal, porque não se deve brincar com coisas sérias, nem podemos especular sobre desabafos presidenciais, que são sempre extremamente sérios.

Os dias de esperança querem simplesmente dizer que já se divisam no horizonte, largas possibilidades de haver um grupo de contundentes que dão sinais de se pacificarem e tornarem-se bons amigos.
Foi o Jerónimo que deu o primeiro toque ao Francisco e, surpreendentemente, a chamada não caiu de seguida, o que motivou um suspiro de alívio do primeiro. O segundo ouviu, e apenas murmurou: pois, pois, venha de lá conversa, um pouco mais para a frente. Mas, para ambos, foi um bom princípio.
Porém, o melhor pode estar para vir, pois o Jerónimo e o Francisco, sozinhos, continuam a não poder ir a lado nenhum. Por contágio, Manela e Paulinho, podem entusiasmar-se e partir dessa ideia brilhante, para repensarem experiências passadas, agora assentes em moldes diferentes, pois ainda ninguém esqueceu fiascos de então. Também eles, sozinhos, vêem muitas curvas no caminho demasiado longo, para chegarem a tempo e horas ao seu destino.
Então, um deles, Manela ou Paulinho, vai clarificar a ideia do Jerónimo, que é uma ideia de grande convergência, e acrescentará pomposamente que é precisa ainda uma maior abrangência, que só pode conseguir-se com os quatro a falar a uma só voz. E, em nome de uma rotura com a situação catastrófica actual, não há divergências que os possam separar ou divergir no discurso.
Só vão ter um pequeno problema. Quem vai ser o porta voz e quem vai ser o grande comandante desta força invencível. Em princípio, cada um deles terá três votos contra, em escrutínio entre os quatro. Parece que vai haver um impasse difícil de ultrapassar, mas Jerónimo, o homem das grandes ideias, não desarma, e vai lembrar que ele próprio já tinha antes uma aliada. Portanto, não serão quatro, mas cinco, os integrantes dessa força inovadora e original.
É então que o Jerónimo dá o problema como resolvido. Dado o empate entre os quatro amigos, não resta outra alternativa senão entregar a liderança à sua dedicada e aliada colaboradora, agora a quinta do grupo, de quem disse ter esquecido momentaneamente o nome. Mas isso não interessa, pois a camarada sempre falou bem e depressa.
Manuela e Francisco poderão encolher os ombros, mas Paulinho não deixará de chamar a atenção para o facto de não querer voltar a ser, apenas, número dois.
De então para cá, já se viu muita coisa, mas a esperança está aí…