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afonsonunes

afonsonunes

12 Nov, 2011

Mais um

Mais um que caiu sem apelo nem agravo, este agora com a surpresa de ser de direita, mas de direita daquela que não se endireita mesmo. Que me desculpem os que se situam nessa ala, mas tenho o mesmo direito de me pronunciar nesse sentido, que eles têm quando se pronunciam sobre a esquerda.

Temos assistido à queda de governos socialistas, caso de Portugal e Grécia, com a Espanha à espera da próxima onda. À primeira vista mas, sobretudo à vista dos que só vêem os seus partidos e as suas ideologias, o problema é do socialismo e da esquerda em geral. Pelo menos essa interpretação serve-lhes de lenitivo para as suas dores.

É por isso que esta queda do governo italiano, e como ele custou a cair, vem contrariar de certo modo essa ideia de que a direita faz tudo direitinho e a esquerda arruína todos os países por onde passa. Esquecem-se de que, no tempo de vacas gordas, tudo é leitinho gostoso e no tempo de vacas magras, não se pode beber senão água.

A gente vai ouvindo coisas de pasmar da boca de quem governa, mas também da boca de quem fala de cor, de quem só vê para o seu lado, ou de quem quer deitar areia para os olhos, sobretudo, para os olhos daqueles que já têm alguma deficiência de visão. Como se não fossem capazes de olhar para essa Europa e para o mundo.

A verdade é que os governos vão caindo e não se vê que isso resolva qualquer das questões que assolam os respectivos países. A verdade é que todos esses países sofrem do mesmo mal e a verdade também é que cada um deles teve personalidades muito diferentes a dirigi-los. Custa a crer que estivessem todos a cometer o crime de governação com dolo.

Como na Europa está em marcha a onda de remodelações governamentais, é de prever que ela se vá tornando avassaladora, chegando ao desplante de ter efeitos de arrasar mesmo aqueles governos que hoje ainda dominam a cena política que, paradoxalmente, na Europa da democracia, eles deitam abaixo uns, e colocam lá quem lhes agrada.

E quem lhes agrada é aquela categoria de defensores do primado do dinheiro, que sejam capazes de, como eles, dominarem, não só a cena política, mas também a cena financeira, única forma de continuarem a garantir a sua subsistência na crista da onda, onde cavalgam a crise dos outros e lhes permite ir escondendo a sua.

E não admira que se chegue ao extremo de serem contagiados, na medida em que o dinheiro tudo compra e tudo muda. Como esses países, ao que parece, não estão muito melhor que aqueles que vão caindo, lá chegará a sua vez de irem beber da mesma água que aqueles que já derrubaram, ou vão derrubar nos próximos tempos.

Também não admira nada que haja governos que vão fazendo uma espécie de rodízio, se não conseguirem fazer melhor que os governos que substituíram. Como as coisas estão a desenhar-se na cena mundial, onde começa a haver indícios de haver quem não escape à tal onda avassaladora, já nada pode surpreender ninguém.

Portanto, recomenda-se muito cuidadinho com certezas que só podem estar carregadinhas de incertezas. Isso das promessas já foi chão que deu uvas e está demonstrado que as do presente, são muito mais virulentas que as do passado. Nem admira, na medida em que tudo tem vindo a ser cada vez mais virulento.

Em boa verdade, a Itália não foi apenas mais um país a tombar perante a onda que galgou o sul da Europa e promete subir para norte. A Itália é a campainha de alarme de que a onda pode ser sinal de tsunami que não escolhe países nem governantes. Que não olha a lados esquerdos nem a lados direitos.

Ninguém pode garantir que a Itália é apenas mais um governo a cair, ou o primeiro dos muitos que se lhe seguirão. Porque ninguém pode garantir que até os governos que sucederam a governos derrubados, não venham também eles a cair, levados na mesma onda dos primeiros.

Os tempos não estão para fanfarronices. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.