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afonsonunes

afonsonunes

29 Nov, 2011

Privatizem-se

Parece-me que é chegada a hora de o governo se privatizar antes que se lembre de privatizar o país na sua totalidade. Não é difícil verificar que já pouco falta, se atendermos à suculenta lista de tudo o que está pronto a mudar de mãos para satisfazer a gula insaciável dos senhores que não querem roubar os cidadãos por via directa.

Para lá dessa gula que se revela um mar de apetites e tentações, aparece a ela associada uma sede incontrolável, aliás, altamente justificada com o facto de que quem muito come, tem uma necessidade ainda maior de beber. Assim se justifica que, num país com tanta pobreza, haja tanta gordura balofa neste paraíso dos privados.    

A primeira razão que justificaria a privatização do governo prende-se com a insidiosa aversão que tem demonstrado em relação a tudo o que é público e a simpatia indisfarçável que nutre por todas as actividades privadas. Estas opções são mais que suficientes para que se modifique completamente o conceito de governar o país.

A segunda razão tem a ver com a entrada dos agora novos governantes internacionais infiltrados que, à vista desarmada, ditam as leis que nos asfixiam, tornando totalmente desnecessário um governo interno que apenas serve de intermediário na aplicação dos castigos ao sector público e nas benesses ao sector privado.

A terceira razão é facilmente fundamentada com o facto de não precisarmos de um governo que só tem servido para nos deitar areia para os olhos desde o primeiro dia após a sua tomada de posse. E refiro só a partir desse dia, pois o que fez antes nesse sentido, não o fez como governo, porque ainda o não era. Mas fez muito como se já o fosse.

Questiono então para que preciso eu de um governo que dirija o estado se, na verdade, ele não dirige senão os interesses dos estrangeiros e, com a orientação destes, os superiores interesses dos privados. Daí que seja urgente e necessário que o governo seja privatizado para que não tenha que meter o bedelho no sector público.

Aqui, os funcionários, do mais pequeno ao maior, que é como quem diz, ao maior dos menores, viveriam de uma tabela de taxas a cobrar aos privados pelos serviços que lhes prestariam, naquelas áreas em que eles não quisessem pegar. Claro que aí, teriam de pagar com língua de palmo, pois está-se mesmo a ver o que eles não queriam, ainda que de borla.

Como é evidente, os funcionários seriam uma espécie residual na sociedade, logo, isenta de todos os impostos e de compromissos com os estrangeiros, substituindo nesse privilégio os que até agora nada pagavam. O país seria uma enorme propriedade privada, tão grande como a enorme dívida que contraiu e iria ter de pagar sem os bolsos dos funcionários.

É evidente que os reformados e os pensionistas também seriam privatizados, que mais não fosse porque as actividades que podiam praticar não estão incluídas nas tabelas de preços a cobrar pelos funcionários. Além disso, eles apenas poderiam dar serviços mínimos e, por esses, ainda teriam de pagar para os fazer. 

Depois de privatizados, esses funcionários, que nunca mais pensem no dinheiro que descontaram ao longo de uma vida de trabalho. É bem conhecido que estes sujeitos de agora, não querem saber do que foi a vida antes deles. Só querem saber e bem, qual a melhor maneira de sacar tanto, ou mais que os outros, agora por métodos muito melhores.

Não vale a pena perderem tempo a reclamar direitos. Isso já era. Mesmo o pessoal do privado que ainda trabalha, escusa de protestar por estar a descontar para uma reforma que já sabe que não vai ter. Tem apenas que se preocupar em manter o trabalhito com o ordenadinho da praxe. Podem tentar uma queixa para o tribunal lá de fora mas é tempo perdido.  

É sabido que no privado é preciso dar o litro, mesmo sabendo que se não leva para casa mais que meio quartilho. Portanto, quem quer descanso, não come, poupa. Quem quer trabalhar, ou continuar a trabalhar no público, já sabe que, mais dia, menos dia, vai ser privatizado. Portanto, só tem que aceitar as regras e, juizinho.

Agora a minha grande esperança para o desenvolvimento sustentado e integrado do país, ai isso não há qualquer espécie de dúvida. O governo que se privatize. Quanto mais depressa melhor.