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afonsonunes

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03 Dez, 2011

Relvaticamente

Relvaticamente só pode ser a maneira como as relvas daninhas atacam tudo o que se lhes depara pela frente, não sei se numa ânsia de demonstrar que são muito firmes e decididas, se num desejo de se salientarem internacionalmente, mostrando como o seu país lhes está agradecido pelas suas interpretações das ordens que recebem lá de fora.

Somos um país de relvas verdejantes nesta época do ano, principalmente quando chove, mesmo debaixo de telha, como tem sido o caso. A última grande bátega que eu conheço aconteceu em Portimão, de tal forma que muitos fregueses levantaram ferro do local assoalhado, ao verificarem que estava a ser invadido por relvas que bem conheciam.

Para quem está de fora como eu, até é evidente que os fregueses não têm razão, atendendo a que ninguém tem o direito de contestar, e muito menos relvaticamente, as ordens que vêm do poder supremo que nos obriga a baixar a bolinha. Mas, é preciso ter em consideração que há sempre alternativas para tudo, contra a opinião dos melhores relvados.

Não se pode transformar um chão de cadeiras, num relvado que não deixa pisar bem, sem estragar o lustro dos sapatos. Vai daí, toca a assobiar e a sair num reboliço que, no entanto, e felizmente, não estragou o momento alto da questão, que foi o floreado palavroso de relvas que tinham por finalidade afinar as desafinadas vozes dos fregueses.

Portanto, o essencial ficou feito. O discurso das relvas encheu o recinto coberto, preenchendo assim, os muitos lugares que haviam ficado vazios. Depois, o país, lá em casa, não perdeu o capitoso pitéu, incompreensivelmente perdido pelos fregueses. Incompreensivelmente, porque bem podiam ter ficado lá dentro e apresentarem as suas propostas.

De fontes fidedignas, consegui extorquir o principal dessas importantes propostas. Os fregueses, atendendo a que as relvas o que querem é dinheiro, para encher a malvada dos seus patrões, comprometem-se a trabalhar absolutamente de borla, desde que todas as suas casinhas, casas ou casarões mantenham, todas elas, as suas portas abertas.

Isto quer dizer que, tal como dantes, esses lugares se destinariam apenas a voluntários, que se obrigavam a servir as suas gentes, pelo prazer de servir e não de se servir, como de há anos a esta parte se verifica à vista desarmada. Estes fregueses reunidos em Portimão, tinham ainda em mente, embora ainda de forma indefinida, mais duas propostas.

A primeira tinha a ver com as relvas daninhas de que estavam fartos de ouvir falar sobre coisas que, no seu esclarecido entender, eram sempre apresentadas de forma relvaticamente infeliz e tendencialmente gratuita, como se estivesse a falar da forma de lhes tratar da saúde, sem sequer lhes conhecer os diagnósticos.

A segunda dizia respeito à gestão e funcionamento dos seus aposentos. Tudo passaria a ser decidido pelos presidentes das câmaras de que dependem actualmente. Mas, estas deveriam passar para metade e dependentes do poder central. No entanto, isto apenas entraria em vigor depois da primavera, que é quando as relvas secam.

Estes fregueses não têm dúvidas de que, depois de tudo estar devidamente implantado, nunca mais se ouviria dizer que alguém os estava a tratar relvaticamente.