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afonsonunes

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Já foram mais, mas ainda são alguns, aqueles que dedicam ao PS, ou a quem a ele esteja ligado, uma parte, não direi considerável, mas a quase totalidade das suas preocupações, na grande maioria das vinte e quatro horas do dia. Aposto que não pensam noutra coisa, pelo menos enquanto estão acordados.

Enquanto dormem, para descanso das suas mentes, não é difícil concluir que sonham com os seus heróis que se salientam distribuídos pelos restantes partidos, onde encontram fortes lenitivos para abafar as mágoas que os socialistas, para alguns, falsos socialistas, não deixam de lhes fazer o juízo em água.

Se atendermos a que um dos grandes problemas da sociedade de hoje são as pessoas que se sentem sós, pelos mais variados motivos, é lógico pensar que ter a mente ocupada com algo que se vive intensamente, já é uma garantia de que não se deixam cair na inactividade mental, meio caminho andado para evitar perigosas doenças.

Nesse aspecto, o PS e todos aqueles que a ele estão ligados, são o melhor comprimido para manter a tão desejada estabilidade emocional, só comparável a outra purga quase tão eficaz, que é a da bola. Curiosamente, também aqui, é o vermelho que incomoda mais gente, mas não tenho a certeza, nem quero acreditar, que é o sindroma da cor.

É evidente que cada qual despeja a bílis para o lado que lhe apetece e ninguém tem nada com isso, ainda que o faça com muita ou pouca informação, com muitos ou poucos conhecimentos, com muita ou muitíssima vontade de bater, de morder, ou até de enterrar o lixo que vê em tudo aquilo que pensa.

Como é natural, todos temos uma tendenciazinha para ver tralha a mais nos procedimentos dos outros, mas nem sequer damos conta que, quantas vezes, a nossa tralha é bem maior que aquela que imaginamos, ou vemos, para lá daqueles que observamos, ou sobre os quais nos dispomos a fazer considerações.

Voltando atrás, à vaca fria da política, li uma coisa que me chamou a atenção e, ao mesmo tempo, me fez pensar nesta realidade que por vezes me choca, nem sei bem porquê. Essa coisa foi a proclamada ‘tralha socrática’. Não sei qual o sentido que o seu autor, Marques Mendes, quis exprimir, nem isso me preocupa.

Preocupa-me sim, pensar que me lembro muito bem dos tempos em que ele foi líder do seu partido, das peripécias que então viveu e o levaram a abandonar essa liderança, ficando na sombra durante largo tempo, talvez desiludido consigo próprio ou, com mágoa o digo, com a tralha que ele próprio criou ou, com a qual conviveu.

Do que eu tenho a certeza é que nunca empregaria termos desses, e não tenho qualquer parecença, seja em que aspecto for, com essa personalidade, para comentar ou qualificar a situação actual em que o choque é bem diferente, sem o querer quantificar ou relacionar com outros que o país já experimentou.

Mas, generalizando o assunto em título, quem tem um PS para desopilar, tem tudo. Mesmo não deixando de pôr tudo e todos pelas ruas da amargura, considerando os mais simples comentários vindos daquela área, como traições ou como desonra para o país. Até parece que ainda estão com medo de alguma coisa vinda dali.

Sosseguem, pois agora, o mal só pode vir de outro lado, embora se espere que de lá venha tudo de bom. E é esse pensamento positivo que deve varrer todos os pensamentos diabólicos que enchem tantas mentes que, agora, principalmente agora, devem mudar de agulha e viverem a vida que sempre quiseram, no que toca aos seus ideais.     

Aproveitem enquanto dura, já que a hora é vossa. Os ódios recalcados não fazem ninguém feliz. Não deixem que quem já passou de moda vos incomode até ao ponto de estragar esta grande oportunidade de mostrar ao país que sois melhores que os outros. E, sobretudo, que saibam estar todos unidos, mesmo que não o queiram estar com o PS.

Aliás, dando continuidade às vossas alianças alargadas que salvaram o país da banca rota. Só se espera que continuem assim, unidos, mas sem medo de ninguém, ou de alguém que já foi. Ah, não se esqueçam de nos tirar da banca rota, mesmo com muita dor.