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afonsonunes

afonsonunes

01 Mar, 2009

Se quiser esparar

De microfone em punho, uma jornalista preparava-se para ouvir uma personalidade que já tinha junto de si mas, vendo passar por perto uma outra personalidade mais atractiva do ponto de vista jornalístico, disparou de cabeça erguida: se quiser esperar um bocadinho… Mas, como não obteve sucesso, comentou: também já esperava…

A cena passou-se num local ao ar livre, onde se encontrava muita gente que podia ser alvo da abordagem da jornalista. Como é óbvio fazia o seu trabalho. O que me parece uma deselegância, é o modo como se oferece para ouvir aquela personalidade, que não é daquelas que tem de se andar a meter na frente dos jornalistas, para ver se são notadas.
No meu entender, foi assim uma espécie de convite de favor. Se queres que te oiça, vai para a bicha, desculpem, vai para a fila de espera, que eu tenho mais que fazer agora. Mas, pior ainda, foi o desabafo seguinte. Pois se já sabia, escusava bem de ter armado em caridosa, ou benevolente, ou importante, perante quem se esteve nas tintas para tanta petulância.
Momentos antes, outros jornalistas, atacavam positivamente uma outra personalidade, no sentido de lhe arrancarem palavras sobre um assunto que não vinha nada a propósito do que ali se tratava. Como não obtiveram sucesso, logo desancaram para os seus ouvintes e espectadores, um ror de acusações porque nada lhes foi dito.
Eu sei que ser jornalista é procurar notícias, fazer perguntas e obter respostas, entre outras coisas. Mas, também julgo saber que ninguém é obrigado a dizer o que não quer, até mesmo nos tribunais, quanto mais na rua, perante alguém que só falta fazer do microfone, uma pistola apontada à cabeça do inquirido.
Temos bons jornalistas que muito aprecio e leio diariamente, principalmente, na imprensa escrita. É que ali, o que se escreve e fica no papel, não tem nada a ver com a conversa tantas vezes tonta, que mais parece encomendada por quem lhes paga, tal como tantas vezes querem insinuar que alguém os pressiona, se é que também não há alguém a encomendar-lhes esse sermão.
Os jornalistas são pessoas, são profissionais, com missões bem difíceis que já custaram a vida a muitos deles. Mas há alguns que esquecem os direitos das pessoas com quem têm de lidar no seu trabalho. Quando não respeitam esses direitos, arriscam-se a que se vejam criticados por quem lhes responde à letra. Ou será que não podem ser criticados? Mas, pior ainda, é quando usam uma linguagem pouco própria, ou atitudes de menos respeito para com cidadãos com os mesmos direitos que eles. Parece que pretendem que toda a gente tem de ser cortês e gentil para com eles, mesmo quando eles o não são.
Sabemos que alguns jornalistas e comentadores não são capazes de disfarçar as suas preferências de natureza diversa, esquecendo que informar e comentar, não é querer convencer ninguém, nem impingir nada, seja do que for, se não for dito com maneiras. Mas esses querem, chegando mesmo a roçar a inconveniência.
E então alguns comentadores, jornalistas ou não, fazem das suas opiniões um autêntico festival de evidentes conjecturas siderais. Não faz mal. Eu faço o mesmo.   

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