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afonsonunes

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Dizer que um é melhor que o outro não significa dizer que um é bom e o outro é mau. Até podem ser os dois maus e então eu diria que Seguro é menos mau que Passos. Tenho a sensação de que assim soa melhor ao ouvido.

O que não soa nada bem é ouvir dizer que ambos são bons. Nisso é que ninguém acredita. Mas ninguém mesmo. Até porque temos a prova evidente de que, pelo menos um, não presta para uma grande maioria dos portugueses.

Seguro é menos mau porque ainda não teve oportunidade para fazer aos portugueses as maldades, ou as barbaridades, que Passos já fez. Logo aí, Seguro está em vantagem. Além de que tem tentado ensinar-lhe umas coisas.

Inclusivamente, como se devem tratar os adversários, antes de vir pedir-lhes batatinhas. Ou como não se deve recusar tudo, para depois vir com ar de quem descobriu a pólvora, naquilo que lhe tinha sido proposto anteriormente.

Nestas coisas da política há quem distribua rótulos e panfletos sem olhar a que pode andar a baralhar as normas de consumo de um produto altamente inflamável. Mesmo que baste olhar para se verem os perigos.

O senhor dos passos em vão, que é o mesmo senhor dos passos inúteis, não há meio de acertas os passos com o povo que o escolheu. Depois de tantos passos no escuro descobriu, finalmente, que precisa de um seguro no trabalho.

Só que ainda não descobriu um bom mediador que lhe consiga esse seguro. Conclusão óbvia: o mau trabalho de Passos sem um Seguro, bom ou mau, não tem valor para os seus patrões, empregadores, conselheiros, patronos e juízes.

Nem será preciso pôr mais na carta para justificar o título destas linhas. Nem é preciso falar de Portas que se fecha, de Manuela que vasa o Leite, do Duarte que não foi a Lima, do Marcelo e da Constança, do Morais e do Mendes.

Tudo gente que não gosta do Seguro. Mas não podem dizer dele o que dizem diariamente do Passos. Simplesmente, porque o Seguro, mais que o Passos, gosta de jogar pelo seguro. Até demais. E não faz o jogo desastrado do Passos.

Mas Seguro não deixa de ter sonhos como Passos. Agora, por exemplo, quer um consenso à volta dele, mais ou menos como o consenso com que sonha o Passos. Que sonhos tão idiotas. A ir por aí, Seguro vai ficar só como o Passos.

Mas, Seguro acaba de cometer mais uma argolada. Depois de querer conquistar o reino por cima e a partir de Belém, quis agora unir o Rato à Lapa, depois de Passos querer caçar o Rato. Ambos têm muito mau acordar.

A grande diferença entre Passos e Seguro está, obviamente, nos sonhos de ambos. Os sonhos de Passos já morreram, enquanto os sonhos de Seguro ainda nem chegaram a nascer. É por isso que, em teoria, Seguro é melhor que Passos.

 

 

 

19 Abr, 2013

UM PARTIDO BARATO

 

Segundo o meu barómetro dos vendilhões do estado, onde se vende tudo e mais alguma coisa, temos um partido no poder que está a desvalorizar-se ao mesmo ritmo que a dívida do país vai crescendo a cada minuto que passa.

Isso quer dizer que esse partido corre o risco de cair na bancarrota dentro de algumas semanas, pois é evidente que já não pode fazer o que era habitual. Meter a cabeça toda dentro do pote, porque isso foi a primeira coisa que fez.

Muitos dos seus ilustres barões assinalados, bem assinalados como agentes de limpeza de cofres, continuam a contribuir para que o estado não consiga levantar a cabeça, arrebanhando o que podem, sem repor nada do que tiram.

Quer dizer que esses militantes, ou ex-militantes, estão podres de ricos, enquanto o partido que fez deles o que são, está à beira da falência. Mesmo que o queiram privatizar, ainda terão de dar dinheiro para que o aceitem.

Há hoje um grande consenso nacional, ao contrário do que dizem alguns desatentos. E esse consenso passa por todos os partidos, incluindo muita gente do grande desvalorizado e do seu parceiro de queda nas cotações.

Também a sociedade em geral já não dá nada por eles. Se os agiotas que comandam tudo, tivessem que se pronunciar, não hesitariam em atribuir-lhe a medalha de uma notação honrosa de lixo, mesmo próximo de tóxico.

Por isso, há um grande consenso nacional que não oferece dúvidas: todo o lixo, só tem um lugar – no contentor. Quem gostar de lixo, que arregace as mangas e meta lá as mãos. Por questões de higiene, convém não esquecer as luvas.

 

 

 

18 Abr, 2013

A MARMITA

 

O Conselho de Ministros que decorreu entre as quinze horas de ontem e as duas da madrugada de hoje, teve a particularidade de tratar de pizas durante toda a sua longa duração. Parece uma estranha maneira de o ver, mas não é.

Segundo os meus palpites, entre as quinze e as vinte e uma horas, todos os participantes se entregaram afanosamente à tarefa dos cortes. Das pizas, claro. Bem cortadinhas em fatias estreitas, porque não se pode abusar.

Depois, das vinte e uma às duas, decorreu o período de mastigação. Tarefa difícil, pois as pizas estavam um pouco estornicadas. Daí que houvesse alguma contestação a este programa de um Conselho de Ministros tão especial.

A propósito, Gaspar fez uma longa dissertação sobre os custos das pizas, concluindo que o governo tinha de se aproximar do povo. Se os funcionários públicos levam marmita para o trabalho, os ministros têm de fazer o mesmo.

Portanto, daqui em diante, nada mais de pizas, para que se possa pisar, mas pisar com justiça, os tão mal pisados funcionários e reformados. Ficou pois assente a presença de marmitas  no Conselho de Ministros diurno ou noturno.

Segundo um novo conceito gramatical, marmita não é apenas aquele pequeno tacho fechado onde se mete comida para uma refeição pronta. Marmita é também aquilo que se situa acima do pescoço humano. Vulgo, tola ou cabeça.

Dando exemplos concretos, Relvas já levou na tola, do mesmo modo que Gaspar está a levar na cabeça e Passos ainda está para levar na marmita. Isto, apesar de Maduro estar a fazer tudo para que todo o governo amadureça.

Sabe-se que o país precisa de promover a marmita à escala global. Cavaco está na Colômbia e no Perú, com a marmita bem quente, pensando num coelho seguro. Portas e Álvaro, com a marmita à pressão, fugiram às pizas da véspera.

Os portugueses que passam os dias a caminho das cantinas com a marmita na mão, não podem deixar de considerar uma luxuosa estravagância, um Conselho de Ministros a comer pizas, mas ainda sem verba para papel higiénico.

Entretanto, Gaspar já se raspou para o estrangeiro. Como ele é o mais poupadinho de todos os portugueses, estou em crer que vai alojar-se num banco do aeroporto e, à hora devida, puxa da marmita e cá vai disto.

 

 

 

17 Abr, 2013

O PEC VII

 

Este dia de quarta-feira começou cedo para Passos e Seguro. Passos teve bem vivo na memória o célebre chumbo do PEC IV, quando viu chegar à sua frente o líder do PS, que não é o mesmo de então. Mas ambos lembraram esse chumbo.

Passos está agora entalado, tal como na altura entalou Sócrates. Seguro está agora acossado pelo seu partido, porque foi obrigado a quebrar a intenção de passar seco por entre os pingos de chuva gerados pelo seu antecessor.

Quem anda à chuva molha-se. E Seguro já está bem molhado, tanto dentro do partido como fora dele. Passos esqueceu-se de que quem com ferros mata, com ferros morre. E a vida de Passos já está presa pelo fio de uma espada.

Em boa verdade, estão agora ambos bem entalados. E ambos bem merecem o que lhes está a acontecer. Passos quis poder e saiu-lhe a maior das servidões. Seguro quis que o poder lhe caísse nas mãos sem lutar por ele, e já está refém.

No final da reunião de hoje, nada de novo terão para dizer aos portugueses, tal como nada de novo terão dito um ao outro. Mas, até pode ser que a imensa sede de poder de ambos, conduza a úteis reflexões de quem já manda neles.

Porque outras reuniões se seguiram nesta quarta-feira, em que tudo se terá discutido, mas nas quais nada se decidirá, apesar da louca pressa de todos os intervenientes verem o país de pantanas, mais do que já está.

Recusado que será o PEC VII por parte de Seguro, Passos inventará, ou reinventará, como agora diz quem não sabe, talvez um milagroso IIV CEP, ou seja, o contrário daquela nova versão do PEC VII. Certo é que, o que vier morre.

O PEC VII é a sétima avaliação e o IIV CEP é aquele, visto ao contrário. Depois destas reuniões, numa quarta-feira cheia de hipocrisias, de cá e da Colômbia, tudo continua como dantes. Ouvidas as partes, cada um que tire conclusões.

 

 

 

16 Abr, 2013

QUANTOS SÂO?

 

É evidente que não estou armado em valentão, senão tinha de fazer a pergunta duas vezes seguidas. Além de que tinha de fazer a voz grossa e convencer alguém de que a quantidade de opositores não me assusta.

Sou tão pacífico que, embora não saiba ao certo quantos são, deduzo que são os sete que vejo numa fotografia, aparentando um grupo de turistas, todos engravatados e metidos em fatos de gente que quer mostrar que é graúda.

Reparo ainda que apenas dois deles trazem uma pasta, que só de olhar para elas impressiona. Sabemos que não trazem dinheiro dentro delas, mas trazem papéis que valem muito dinheiro. Papeis que nos custam os olhos da cara.

Os outros cinco vêm de mãos a abanar, fora dos bolsos, sinal de que estão vazios, mas a mim fica-me a impressão de que vêm com o firme propósito de os encherem à nossa custa, embora fingindo que nos vão dar qualquer coisa.

Olho bem para a fotografia e vejo que estão a entrar, se não me engano, no Ministério da Finanças. Aparentam um ar triunfal de quem vai assaltar, com o consentimento dos assaltados, um local onde vale a pena meter a mão.

Logo me vem à ideia que lá dentro estejam sete assaltados, com Gaspar à frente, sorridente, soltando um forte suspiro como o de quem, finalmente, vê chegar os seus salvadores. Ainda há assaltantes amigos dos assaltados.

Depois, imagino eu, seguiram-se os fraternais abraços, sete vezes sete e, lá mais para dentro, estenderam a papelada numa mesa onde já havia montes de outros papéis. Já sentados, começaram as trocas e os murmúrios entre eles.

Volto a olhar para a fotografia da chegada dos sete. Aquelas caras não me são estranhas. Um escurinho, um careca, um baixinho… Hum… Isto cheira-me a troika. Logo me veio à ideia que se devem ter esquecido de alguma coisa.

Se não foi isso, ainda na viagem de ida, devem ter recebido uma chamada de emergência do Gaspar, pedindo ajuda imediata. Só assim se percebe por que motivo me parece que os vejo partir e chegar quase todos dias.

Só pode ser: O Gaspar está mesmo atrapalhado. Agora ainda mais que nunca, pois já vê o Álvaro a tocar-lhe nos calcanhares, com o Portas a assumir um ar que me parece já estranhamente sério, quando ele era tão risonho.

Não sei se os da troika são mesmo os sete da fotografia. De qualquer forma, o ar confiante deles, parece desencadear um crescente ar de preocupação nos seus interlocutores. Que, em boa verdade, já não sei mesmo quantos são. 

Com Seguro ou sem Seguro.

 

 

  

 

Passos e Gaspar estão absolutamente convencidos de que vão ganhar este campeonato. Por tanta fé nos seus méritos e métodos, o povo português tem de lhes tirar o chapéu. Mas, sobretudo, pela sua teimosia, quase casmurrice.

Quer se queira quer não, só se ganham campeonatos com jogadores obstinados na luta sem tréguas pela vitória em cada dia que passa, ainda que em muitos dos jogos ganhos, se dê muita canelada nos adversários.

Se as vitórias estiverem em risco elevado, pode mesmo haver um ou outro jogador que ultrapasse os limites do respeito devido ao espetáculo. Nesse caso, exige-se uma intervenção imediata do árbitro para que o jogo continue.

Este é o jogo em que Passos e Gaspar, ou Gaspar e Passos, estão a defrontar o país inteiro, com todos os vícios e virtudes dos grandes desafios em que a bola rola nos relvados. Aqui não há bolas. Há cabeças que também podem rolar.

Os dois jogadores têm os favores do árbitro o qual, pelos avisos já feitos aos adversários dos seus protegidos, deixa entender que é bem capaz de mostrar o cartão vermelho ao país, para ter o prazer de entregar as faixas aos seus ídolos.

Os dois jogadores e o árbitro até podem acabar por ganhar este campeonato e ostentar orgulhosamente as faixas que alguém já se encarregou de mandar confecionar. Contam até que a UEFA política virá a mudar as regras do jogo.

Nesse caso, não pode demorar muito essa decisão salvadora do espetáculo, da pele dos jogadores e do respeito devido ao árbitro. A continuar tudo na mesma, o estádio pode vir abaixo e os derrotados reduzirem as faixas a fanicos.

Depois, acabam-se os campeonatos e os jogadores, o próprio árbitro perde o apito e o estádio fica às moscas. Depois, que ninguém diga que o desporto devia ser uma escola de virtudes, pois alguém devia ter pensado nisso antes.

A UEFA da política anda a falsear as regras dos jogos. Os árbitros estão demasiado agarrados a um apito que já mal se ouve, enquanto os jogadores já usam e abusam de agressões brutais que põem adversários fora de combate.  

Passos, Gaspar e Cavaco, cada um no seu pedestal de paixões, verdades e razões, podem acabar por ganhar o campeonato e receber as faixas. Mas, vai sendo cada vez mais evidente, que não terão povo para lhes bater palmas.

 

 

 

14 Abr, 2013

Tribunal SOS

 

Elevam-se nos ares cada vez mais sonantes as vozes que entendem que se deve rever a Constituição, pois ela constitui uma inversão na voz que deve comandar quem tem por missão conduzir os destinos do país.

O mesmo é dizer que o governo é que manda, sejam quais forem os atropelos à lei fundamental, à qual se devem submeter todas as leis e todos os intérpretes dos interesses do país. Mas, o próprio governo atual não pensa assim.

Daí que me apresse a dar-lhe umas sugestões que o ajudarão a resolver esse imbróglio dentro da mais estrita legalidade. Como tem maioria na assembleia só tem que lhe apresentar uma proposta que altere o nome que tanto lhe dói.

Esse nome é Tribunal Constitucional, que tem a presunção de querer obrigar o governo a tomar as decisões que ele não quer tomar. Portanto, muda-se-lhe o nome para Tribunal SOS, órgão condenatório de quem critique o governo.

Tratando-se de um tribunal de condenações, o governo tem que estabelecer a tabela das penas a que os infratores ficam sujeitos, se o ofenderem nos termos de uma tabela de críticas concretas também elaborada pelo governo.

Por exemplo: o líder de um partido da oposição chama incompetente ao governo, o tribunal SOS aplica-lhe a pena de um mês de boca calada. Se chamar gatuno ao primeiro-ministro, aplica-lhe a pena de desterro para a Chipre.

E assim sucessivamente, conforme consta das tabelas. Só assim o governo terá condições para governar e o tribunal SOS servirá para alguma coisa, sem atrapalhar o governo e, consequentemente, o sossego do governo e do país.

Portugal sempre soube viver com quem se limitou sempre a complicar a vida do país e dos governos. E sempre se saiu na perfeição dessas situações. Mesmo quando Portugal soube reinventar-se para correr com os complicativos.

Mas, mais teve de se reinventar, quando teve de se governar por si próprio, sem ninguém por perto que pudesse mostrar-lhe o que é isso de ter de se reinventar. O povo está habituado a inventar maneiras de sobreviver sozinho.

Só ainda não conseguiu inventar, ou reinventar, uma maneira de criar um tribunal SOS que o livre destas emergências em que nem a Constituição o salva. O tribunal SOS já está em exclusivo ao serviço daqueles que atropelam o povo.

É evidente que já nada há a mudar, pois já temos aquilo que merecemos e aquilo que o governo nos quer dar. E também, mais aquilo que nos vai cortar, além do que já cortou. Só falta cortar a sério nos seus amigos apoiantes. Vá lá!   

 

 

    

13 Abr, 2013

QUEDA FATAL

 

A sondagem diz que o governo deve cair. Mário Soares diz que o governo deve ser demitido porque o povo não confia nele. Seguro, Jerónimo, Catarina e Semedo, tal como Heloísa, são unânimes a reclamar eleições.

Estou de acordo com todos eles mas desconfio que não pelas mesmas razões. Parece-me que eles acham que o governo está a governar mal. Pois eu acho que, atualmente, os nossos governantes estão a governar-se muito bem.

Em boa verdade, o motivo da necessidade de os substituir, vem do facto de andarem a desprestigiar o nome do país, ao trazerem na lapela o emblema da bandeira nacional. No meu entender isso é um desrespeito imperdoável.

Além disso, já vi umas fotografias em que o ministro Portas, se constitui uma exceção governamental, ao não querer ser porta-bandeira. Ora isso reveste-se de uma enorme gravidade representativa de uma rotura na coesão.

Outro sinal evidente que, quanto a mim, leva o povo a querer que o governo caia, é o conhecimento de que Relvas e Seguro foram professores associados numa universidade. Tal é indesculpável, pois representa uma coligação PS/PSD.     

Com a agravante de Relvas ter aceitado o humilhante papel de auxiliar de Seguro, mesmo sabendo que não tolerava exames. No entanto, Relvas e o PSD deviam saber que o povo não tolera tudo. É o que diz a sondagem.

Mas diz mais. Que não quer um governo que teve um Relvas que vai agora para deputado, na convicção de que dentro de poucos meses pede uma equivalência do tempo de ministro, para ter uma subvenção mensal vitalícia. 

Para cúmulo, o povo ouviu Sócrates com muita atenção, e concluiu que, afinal, o curso dele, mesmo o dominical, é muito melhor que o de Relvas de sábado para domingo. O povo não gosta de ser enganado desta maneira.

Depois também já detesta o Passos, porque diz que ele já nem sequer sabe andar. Perdeu toda a mobilidade por tanto correr atrás do Gaspar e do Relvas. E agora, para desgraça do país, Passos já só anda ao colo do presidente.

O povo pensa que quem traz crianças ao colo corre o risco de as deixar cair. Sabe-se que Passos pesa muito mais que uma criança, o que eleva o risco. O presidente, bastante em baixo, está fazer um esforço enorme para o segurar. 

Daí que o pobre povo grite cada vez mais alto que o governo deve cair. O povo só ainda não disse que tipo de queda deve ter. Mas pensa-se que escolherá entre cair de paraquedas ou, simplesmente, em queda livre. Logo se vê.

 

 

 

12 Abr, 2013

VERDINHO E MADURO

 

O Dr. Pedro e Manuel de Mamede dos Passos e Coelho, não para de nos surpreender em tudo o que faz de bom e de mau. Sobretudo no que já fez de bom, mas também no que continua a fazer nas suas tiradas de bom senso.

Talvez seja por isso que, com todo o respeito, o seu nome é quase sempre referido, mais ou menos, conforme o referi acima. Nome afidalgado, a cheirar a monarquia, muito comprido, com ‘e’, ‘de’ e ‘dos’ a ligar os seus nobres títulos.

Entre a populaça lá aparece um ou outro inculto que o trata só por Coelho, ou só por Passos. Muito mais raramente, também citado como Passitos. Gente que afirma a pés juntos que ele já fez tudo o que de mau havia para fazer.

Contrariando esta teoria absurda, basta lembrar que ainda agora resolveu, e bem, não mexer no governo mas, para calar as tais raras vozes, buliu no governo, delicadamente, como se toca numa flor: o seu delicado governo.

Conseguiu tirar um pequeno espinho de junto das flores, colocando no seu lugar, um político maduro, de uns quinze graus, e um outro político verdinho, que não terá mais que nove graus. Juntos, terão uma graduação equilibrada.

Até parece que estou a falar de vinhos. Se assim fosse, diria que o maduro viria da Venezuela e o verdinho teria descido do Alto Minho. Quanto à qualidade, se a tradição ainda for o que era, teremos a garantia de que não vem aí zurrapa.

O segredo do Dr. Pedro e Manuel de Mamede dos Passos e Coelho reside no facto de ter conseguido que o político maduro seja um Marquês de Guedes, enquanto o político verdinho é, sem dúvida, um visconde de Poiares e Maduro.

Há quem diga com toda a convicção, que o país anda com os copos. Sobretudo agora que Sócrates foi à Venezuela em busca de um Maduro muito especial. Até é capaz de o trazer, para ver se esquecemos os nossos verdascos.

 

 

 

 

Só há duas personalidades nacionais que continuam a fazer viagens do nosso mundo, o mundo deste retângulo à beira mar plantado, para o mundo maravilhoso onde apetece descansar a cabeça deixando de pensar no nosso.

Essas duas personalidades, não era difícil adivinhar, são Cavaco e Portas, nas viagens dos quais, nem o supervisor Gaspar se atreve a meter o bedelho. Perdão, parece que Portas já está debaixo de olho, segundo li há pouco.

Mas, depende debaixo de que olho está Portas. Quero crer que será do superior direito, pois do inferior só poderia ser do central. De qualquer maneira, estarão em causa as viagens longas, duradouras e dispendiosas.

Até porque as ausências prolongadas de Portas causam prejuízos brutais ao país, pois o ministro polivalente faz cá muita falta, sobretudo, depois da ausência, ainda que virtual, do segundo mais polivalente: Relvas.     

A ministra da agricultura e blá, blá, blá, já não tem ordem para ir a uma vindima no Douro, nem tão pouco às ceifas no Alentejo, porque os comboios estão parados, os autocarros são caros e os carros do ministério sem motoristas.

Entretanto, Cavaco e Maria vão fazer a manutenção do avião, rodeados de dragões e de patrões, fintando Gaspar e os seus cortes de milhões. Penso eu de que, todos eles, irão à descoberta de falcões em saldo para revenda.   

Com a lotação ainda incompleta, o avião seguirá da Colômbia rumo ao Perú, onde seguirá a tentativa de boas e baratas aquisições, agora viradas para Lima, onde esperam encher o avião de limas como alternativa aos falcões.

Não sei se Portas integrará esta comitiva. Se não for nesta, chefiará outra qualquer, talvez mais profícua, com objetivos mais ambiciosos, seja na indústria aeronáutica ou submarina, agora para vender o que temos de bom.

É uma pena que Gaspar não entre nestes negócios de viagens à volta mundo e se limite a pequenas deambulações entre Lisboa e Bruxelas, com desvios a Berlim e Dublin, onde se vai o nosso pilim, é verdade, dos limas e dos falcões.

Não faço a mínima, como é que o país conseguiria aguentar-se com os devaneios de um Gaspar tão gastador nos negócios com os seus amigos, se não tivesse um Cavaco, uma Maria e um Portas, sempre na senda de bons negócios.