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afonsonunes

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O dia dezassete de Maio aproxima-se com passos de gigante e, até lá, há que trabalhar muito bem e depressa, para que não se mexa no que está bem. O perigo é mexer onde é proibido, para não estragar o poder.

É preciso ter um espírito de missão muito grande para não desatar a fazer as tão faladas reformas que, imediatamente, acabariam com a coligação. O caminho é outro, como já estamos fartos de ver todos os dias.

Porque, assim, está tudo bem: na justiça que não anda, na saúde que não cura, no consumo que não gasta, no emprego reservado, na roubalheira em exclusividade, na educação limitada, na agricultura parada…

Até dezassete de Maio é preciso haver compromissos. Para isso, os dois da coligação têm de se ir preparando para a fusão. O mais pequeno tem de se transformar em tendência, para que as divergências de fundo acabem.

Só assim haverá poder. E o poder é que não pode ser posto em perigo. Senão, pode vir aí o papão e desatar a deitar cá para fora as malfadadas reformas. O que equivaleria a meter lá dentro os bons que andam cá fora.

Sempre haveria alguns a escapar-se para Cabo Verde ou para o Brasil. Talvez a Madeira pudesse vir a ser uma boa alternativa, depois de a tornar independente. Mas, não vale a pena falar na França. Aí, só para estudar.

Lá diz o ditado: burro velho não aprende línguas. Mas, ao que parece, muitos deles conseguem ter grandes manjedouras repletas de dinheiro. Coisa que nunca vi: o dinheiro a substituir a palha tradicional.

Com todo o espírito de missão que vai na coligação, vamos ter progresso igual ao que temos tido nos últimos tempos, durante muitos e muitos anos. A menos que a fusão seja amplamente alargada, como pretendem.

 

 

 

 

 

Felizmente que não se concretizou o que me veio ao pensamento quando vi a bola de ouro exposta em Belém, antes de Cristiano Ronaldo ter recebido a medalha que lhe foi imposta pelo presidente.

Aliás, a cerimónia foi muito bonita, ia toda a gente muito bem vestida e tive a grande, e talvez única, ocasião de ver em ação a diligente assessora da presidência para a juventude e desporto. Gostei mesmo.

Agora, o meu grande receio teve a ver com a bola de ouro e com a medalha. Era muito ouro. E estava ali por perto pelo menos um ministro. Que, não sendo das finanças, é de um governo que precisa muito de ouro.

Sim, eu sei que o governo tem lá muito ouro escondido não sei onde. Suponho que deve estar todo empenhado. Daí o meu grande receio. O ministro não deve ter tirado os olhos daquela bola e daquela medalha.

Longe de mim a ideia de querer deitar-lhe a mão. Não, o ministro não é desses e, além disso havia ali muita gente a ver. O problema, pensei eu, era outro. Não conseguia esquecer que esse ministro também fazia cortes.

E então levei todo o tempo da cerimónia a pensar nisso. Nem ouvi os discursos. Não tirava os olhos das mãos do ministro. Para ver quando é que ele ia cortar um bocado de ouro da bola e uma raspa da medalha.

 Agora estou arrependido. Se é verdade que o governo corta em tudo, era uma parvoíce da minha parte imaginar sequer que, mesmo considerando que o faria a título de imposto, estragaria duas peças tão valiosas.

 

 

  

19 Jan, 2014

COM A DEVIDA VÉNIA

 

 

“CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA JSD E SEUS compagnons de route” de CARLOS REIS DOS SANTOS, artigo de opinião publicado hoje no PÚBLICO ON LINE. 

“………………………………………………………………………………………………………….

Hoje vocês não se distinguem do CDS e alguns de vocês nem sequer se distinguem da Mocidade Portuguesa, ou melhor, distinguem-se, mas para pior.

A juventude já vos não liga nenhuma. E eu também deixei de vos ligar.

Jurista, militante do PSD n.º 10757 e militante honorário da JSD”.

 

Além de manifestar pública admiração por quem assim contribui para que haja uma comunicação social diferente da que temos agora, direi apenas que se trata de um artigo que Sá Carneiro não teria dúvidas em subscrever. Portanto, tudo o que eu acrescentasse seria descabido.

 

 

 

18 Jan, 2014

G...AGO, EU?

 

 

Há muita gente que só gagueja quando lhe interessa. Ou quando quer, mesmo que seja só para brincar. É o meu caso. Porém, hoje não me apetece gaguejar. Até porque gaguejar a brincar, não tem graça nenhuma.  

Passos, quer repetir a mentira original, a mesma de sempre quando está para ir a votos. A repetição do argumento que o levou ao poder. Passos, devia esquecer o PS de vez. Ou correr de imediato para os braços dele.

Vá lá, assuma que sempre quis fazer o contrário do que o PS propõe e destruir tudo o que foi bem feito. Que também houve. Foi, e é, a vontade da garotada do partido, o seu maior apoio. Que não é social-democrata.

Nem tão pouco outra coisa qualquer. Que olhe à sua volta e veja com quem pode contar. Assuma que, neste momento, que já é de desespero, apenas quer uma muleta de salvação. Apesar de tudo estar a correr bem.

Como é uma espécie de ditador com linguagem de democrata em saldo, siga o seu caminho e deixe os seus adversários fazerem o seu trabalho, que é também a sua obrigação. O tempo de um só rebanho já lá vai.

O país precisa de ter uma boa oposição, que não tem tido, e não ser um sacristão na missa das suas vigarices. O país até pode tirar a cabeça do lodo do poço em que o lançou. Mas o cheiro a lodo não mais se esquece.

Isto, só se Bruxelas autorizar que se possa respirar fora do lodo. Mesmo assim, o país não esquecerá ‘jamais´, ‘em franciú’, o terror que está a passar e do qual não vislumbra uma saída. Que não seja sempre a piorar.

A menos que o seu parceiro tenha um rebate de consciência e desista de o acompanhar nesse mergulho sem retorno. É uma hipótese que pode ser realidade a qualquer momento. Portas que se abrem também se fecham.

O que não quer dizer que um seja melhor que o outro. Mas, antes de este sufoco terminar, e ao contrário do que nos dizem, nada será pior que seguir por este túnel que dá para o terror que já estamos a sentir agora.

Pode ser que a época de saldos que aí vem, nos traga algo de novo. Isto se não for, entretanto, aprovada uma lei que proíba os saldos. Para evitar que o próprio governo se venda nas rebaixas. E po…por ho…je é tu…tudo.

Agora vou direitinho ao confessionário, ver se encontro um padre que me perdoe todos estes pecados. Depois, vou comungar, já que os governantes o não fazem. Porque não se confessam. São apenas cristãos de sacristia.   

 

 

 

17 Jan, 2014

BOM PROVEITO, SIM?

 

 

O PSD aprovou sozinho e de maneira absolutamente inédita, a realização de um referendo sobre a co-adopção. O argumento justificativo apresentado, foi a necessidade de os eleitores se pronunciarem.

Parece-me muito bem que se realize o referendo, desde que lhe seja acrescentada mais uma pergunta: Tem confiança neste governo? Assim, os eleitores poderiam exercer um direito útil e não apenas um frete caro.

O CDS, por sua vez, não se colou à posição do seu parceiro de coligação. Na minha modesta opinião, os seus argumentos representam uma visão lúcida, consentânea com a realidade do país e os seus efeitos perniciosos.

Torna-se difícil compreender como foi possível ver o PSD metido numa trapalhada destas. Por ela se compreendem outras que têm acontecido desde que chegou ao poder. Isso, sim, merecia um referendo urgente.

Só com um mundo de conivências, todas elas com um cariz de proteção duvidosa ou mesmo descarada, é possível exercer tamanhas injustiças e arbitrariedades. Mas há quem se sinta bem assim. Bom proveito.

 

 

 

 

 

Finalmente, tive um dia feliz nos últimos três anos. Depois de tantos enganos, desilusões e uma baixa generalizada dos abusos em todos os domínios da minha vida, estou consciente de que agora é que estou bem.

Finalmente, entendi que é muito bom para a saúde, reduzir para metade o que comia às refeições. A obesidade acabou, tal como acabou a mania de meter a loiça na máquina. Agora, as mãos é que rodam à volta dos pratos.

Finalmente, o Senhor Presidente pôs o dedo na ferida. O país já está a coberto dos inúmeros perigos que correu. Os portugueses já se encontram metidos na ordem e isso é muito bom para a nossa salvação coletiva.

Finalmente, é bom que se saiba, e eu reafirmo, a ferida que tivemos em 2010 está curada e, de modo nenhum, se deve voltar a falar nela para que não provoque comichão e, consequentemente, a sua infeção ao coçá-la.

Finalmente, também é bom que se saiba, e eu o reafirmo com convicção, definitivamente, que a crise internacional só cá chegou, depois de a troika cá ter entrado. Daí que a sua intervenção tenha sido uma bênção do céu.

Finalmente, garanto que não mais é preciso falar nos milhões do BPN, e outros, até porque não sei por onde eles andam mas, felizmente, isso está tudo pago. Já ninguém tem que perder o sono com ninharias dessas.

Obrigado, Senhor Presidente, pois a sua garantia de que tudo valeu a pena e de que tudo correu na ponta da unha, fez de mim outro homem. Hoje tenho consciência, e orgulho, de que ajudei os obreiros deste milagre.

Obrigado, Senhor Presidente, tenho a certeza que estas são as palavras que todos o portugueses estão com vontade de lhe dirigir, abandonando aquela ideia que tantos, erradamente, têm propalado: fomos roubados.

 

 

 

 

 

Depois de uma estopada daquelas, tanto a falar como a ouvir, é mesmo de esperar que se fique insaciável com uma daquelas laricas que não há nada que a estanque. E no descanso de uma viagem para o Algarve, pior ainda.

A Mealhada é uma espécie de meta volante para bons comilões na corrida ao leitão. Daí que seja uma meta, não para ser cortada, mas para ser bem regada e bem curtida, pois no Algarve só cheira a sardinha e a marisco.

Para gargantas secas e estômagos a dar horas, as doses de leitão tornam-se exíguas. Ora venha lá mais uma, e outra, e outra ainda. E, já agora, para variar, uma bifalhada a transbordar para fora do prato. Tudo à Mealhada.

No final, veio a conta. O pagador de serviço, de olhos meio turvos, nem se lembrou de ler a consulta de mesa, parcela a parcela. Até parece que os algarvios não sabem o que são doses pequenas e preços enormes.

Mas, na Mealhada, o mais natural nem é que as doses de leitão sejam muito pequenas. É evidente que tudo depende da envergadura da cintura de cada um e da vontade de atacar o loiro e estaladiço de boca aberta.

Ao que parece, aquela meta dos comilões, transformou-se na reta dos refilões. A barriga cheia deu lugar a uns animados jogos florais, onde os ladrões serviram de argumento. Pois é, comessem e bebessem menos.

 

 

 

14 Jan, 2014

EXPORTADOS

 

 

O país exporta cada vez mais e cada vez melhor. No entanto, o principal motivo de satisfação de todos os bons portugueses é o facto de exportarmos qualidade, muita qualidade, sobretudo, de massa cinzenta.

Não é de estranhar que os maus portugueses vejam nessas saídas de massas, o cinzentismo das suas próprias qualidades, etiquetando-as de amostras de lixo que o país tem dificuldade em reciclar. Maus juízos.

Deixando para trás tudo o que é mau, tento referir o que é bom. Ou mesmo muito bom. E estes dias atrás deram ao país a felicidade de ver sair três grandes personalidades da nossa tão recheada praça política.

Três exportados para a nata do mundo do dinheiro. Logo um país que não tem cheta para mandar cantar um cego. Mas tem bons especialistas para ir ensinar lá fora como se arranja maneira de o tirar a quem não o tem.  

Lembrei-me destes três, mas podia ter-me lembrado de uma dúzia deles, sem incluir os que já por lá andam. Isto sem forçar minimamente a memória. Mas, os que por cá vão ficando, estão apenas a tirar o tirocínio.

Não posso deixar de estranhar a razão que leva um deles, mais que tirocinado, membro insigne desta grande família, agora livre como um passarinho, a ficar por cá, sem aproveitar o seu currículo de equivalências.

Outros há que apenas aguardam uma próxima saída para breve, dos seus locais de recolhimento, para serem chamados a demonstrar, lá fora, as suas elevadas experiências, se possível, no mesmo ramo que ali os reteve.

Como se vê, candidatos à exportação não nos faltam. Com a mesmíssima qualidade de quem, lá fora, não se cansa de tudo fazer para que seja bem guarnecida a sua corte. Esta palavra corte é, agora, muito duvidosa.

 

 

 

13 Jan, 2014

TU E EU

 

 

Só nós dois é que sabemos como é bom sermos capazes de estar sempre de acordo em tudo o que cria divergências em quase toda a gente. Seremos apenas raras exceções, mas isso não abala as nossas convicções.

Noventa e nove, vírgula, nove por cento dos portugueses entendem que Passos e Portas não conseguem convencê-los de que são ótimos governantes. Para esses, são maus, assim, assim, ou mesmo bons.

Para nós, para ti e para mim, eles são mais que ótimos, são excecionais, são autênticos homens de estado, enormes estadistas, que fazem tudo direitinho e ainda lhes sobra tempo para nos manifestar a sua simpatia.

Nós, tu e eu, podemos orgulhar-nos de sermos zero, vírgula, um por cento, o que nos dá a certeza de que os outros não passam de uns mesquinhos e maledicentes coveiros deste país em vias de ressurreição.

A nossa sintonia política vai mais longe. Para além de Passos e Portas, os nossos heróis do presente, temos uma especial admiração por Sócrates. Quanto mais mentem, melhores são os governantes. Adoramos os três.

Esta nossa evidente razão, pode ser confirmada com a mesma posição no futebol. Uns dizem que o Pintinho é o máximo, outros afirmam que o Orelhas ainda é melhor. Pois nós, tu e eu, adoramos as virtudes dos dois.

Desde ontem que a mesquinhez e a maledicência se apoderaram de uns sujeitos que acham que o Pintinho já anda a dormir. Outros dizem que foi o Jesus que acordou só agora. Para nós, foram as duas coisas juntas.

Como facilmente se vê, não há melhor maneira de estar neste nosso país. Nós, tu e eu, somos a favor de tudo o que as grandes maiorias detestam. É por isso que as sondagens são uma vigarice. Até parece que nos ignoram.

Nós os dois, tu e eu, gostávamos que toda a gente tivesse a nossa clareza de raciocínio, a nossa frieza de análise e a nossa simplicidade de expressão. Com todo o gosto, até pagávamos para ver os outros calados.

 

 

 

12 Jan, 2014

AQUELA GENTE

 

 

Aquela gente não resiste a coisa nenhuma, pelo simples motivo de que nada, nem ninguém, a ataca sem conseguir fazer-lhe mais que umas cócegas. Quanto a aguentar, aguenta e bem, mesmo com vontade de rir.

Este é o sentimento de Paulo Portas quanto se refere à ‘nossa gente’. Portanto, a gente dele. Que não é propriamente a gente que ele tanto diz defender, mesmo tendo que alegar que até a traição tem muita força.

Por mais força que ele queira dar à sua razão, a verdade é que ele abusa da força que julga ter, embora devesse saber que não devia usar essa força que, afinal, muito pouca gente, a sua gente, lhe deu através do voto.

Bem pode dizer, ou deixar subentendido, que a força a que se refere não é a sua, mas a do seu inseparável ‘rival’. Mas, como diz o povo, tão ladrão é o que vai à vinha, como o que fica à entrada, pois ambos comem as uvas.

Bem pode Portas, orgulhosamente, dizer que a sua gente anda de cabeça erguida, sabendo que as suas decisões, com forças próprias ou repartidas, façam com que a maior parte dos portugueses ande de cabeça bem baixa.

Bem pode Portas tentar explicar o inexplicável, que nem a sua gente o compreenderá, embora façam de conta que sim. Tal como ele faz de conta que está de pedra e cal nesta coligação. Tal como está a sua gente.

Bem pode Portas pedir ajuda ao PS, prometer baixa do IRS, ou dizer que em Maio salvou a coligação sem birras. Isso só pode ser entendido como estar à vista nova deriva birrenta. Com a sua gente. Passos que se cuide.