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afonsonunes

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Já estou mesmo a ver o filme da minha sorte que logo se transformará em azar. Vou pedir fatura do copo de água que, oportunamente, irei pedir no café. A menina vai dizer-me que só passa faturas a quem fizer despesa.

Eu vou dizer-lhe que é obrigada a passar fatura, ainda que ela seja de zero euros. A menina hesita, pede-me o número de contribuinte e passa a fatura, como manda a lei. A minha lei, que é igual a tantas outras leis.

Obviamente que vou ficar habilitado, automaticamente, a ter o carrinho que o fisco vai sortear em breve. E então, vou ficar boquiaberto quando receber uma mensagem do fisco para ir levantar o tal carrinho.

Depois pus-me a pensar, com toda a calma, e acabei por descobrir que ali havia gato escondido com o rabo de fora. Tanto rabo, que também eu pus o meu de fora imediatamente. Porque o fisco estava a tentar seduzir-me.

Vamos supor que eu aceitava o carrinho. O fisco ia ver a minha folha de contribuinte e via que eu estava isento de quase tudo. Até de receber ordenado. Imediatamente me colocava na lista negra dos incumpridores.

Simplesmente, porque eu não podia ter carro. Se não tinha dinheiro para pagar impostos, também o não tinha para meter gasosa. Se não metia gasosa também não ia de carrinho. Portanto, lá ia mais uma penhora.   

E será assim que o meu carrinho será penhorado ainda antes de me ser entregue. Nada de especial. Não tarda, os portugueses já estarão rotinados com penhoras, com confiscos, com roubos, etc. e tal.

O fisco quer que vamos todos de carrinho na corrida às faturas. Muito bem. Então comece o fisco por nos passar faturas, autenticadas com selo branco, do que cobra, ou retira, ou rouba, de salários e pensões.

 

 

 

10 Jan, 2014

PAGAMOS BEM

 

 

Os nossos muito estimados benfeitores dos mercados, acabam de dar uma preciosa ajuda à nossa sobrevivência. Ontem, tiveram mais um ato misericordioso no sentido de fazer felizes os seus agentes nacionais.

Esses agentes rejubilaram com o sucesso que proporcionaram aos seus queridos agiotas. O caso não era para menores manifestações de regozijo. Podiam ter ido para a nossa vizinha Espanha ou mesmo para a Irlanda.

Mas, ‘graças a Deus’, preferiram vir meter aqui os seus milhões, pois podiam fazer esse favor a outros. Ninguém venha dizer que vieram atrás de juros especulativos. Nada disso. Para os seus agentes até é baratinho.

E, para os contribuintes, coitados, é só mais um ínfimo sacrifício. Que é lá isso de pagar juros de 4,6 ou 2,3 ou 3 e tal. Isso vai ser tudo igual ao litro. E, afinal, daqui a cinco anos quem cá estiver, então, que se desenrasque.

Até pode ser que sejam eles, os mesmos, a desenrascar-se. Nesse caso, a solução já está estudada e decidida, com a habitual estratégia de mestre. Isto, se ainda houver serviços públicos e funcionários públicos. Talvez não.

Os beneméritos agiotas, esses estão cá de certeza para cobrar a maquia. Os seus agentes estarão todos, como estão agora os vinte e três da EDP, que não tem só chinocas. Nem andam todos por lá com os olhos em bico.    

Os beneméritos agiotas sabem que não são os seus atuais agentes a pagar-lhes os juros. E sabem também que os contribuintes portugueses nunca poriam as dívidas em causa, até porque a UE não deixaria.    

O chefe nacional dos agentes da agiotagem já deu o primeiro passo para tentar que não venha outro qualquer intrometer-se nestes negócios de sucesso. O povo diz que são negócios da China. E paga com todo o gosto.

Em 2015 o negócio também está garantido, nem que seja necessário recorrer a favores especiais dos agiotas amigos, para que seja um ano de estrondoso sucesso. Se ainda houver contribuintes, tudo será bem pago.

 

 

 

09 Jan, 2014

SOPA DOS POBRES

 

 

Começa a ser voz corrente que o atual governo está a preparar o enterro da Segurança Social. Aliás, quem acompanha esta problemática, de há muito que fala nessa eventualidade. Os factos vão muito nesse sentido.

Por outro lado, crescem os apoios às instituições que fornecem alimentos a famílias em dificuldade, cujo número cresce todos os dias. Não podemos acreditar que o governo esteja a preparar enterros em série.

Mesmo que o pretendesse, teria sempre o Ministério da Saúde em total oposição, com uma assistência sempre em cima da hora e sem restrições nem constrangimentos de qualquer natureza, incluindo alimentação.

Mas, não será de estranhar que, a menos que os portugueses preparem o enterro do governo, o ministério da Segurança Social seja ‘recalibrado’ e tome a designação, e funcione, como ministério da Sopa dos Pobres.

Nessa eventualidade, podem os portugueses contar com a pronta, rápida e adequada intervenção do governo, sempre atento e lesto na defesa dos interesses de todos os cidadãos. Quem duvidar, não é de cá, com certeza.

Na verdade, o ministério em eventual transformação, terá a inédita intenção de acabar com os pobres, transformando-os em remediados. No entanto, também há quem receie a sua lenta e calibrada exterminação.

Para já, além da sopa, o repasto ainda é uma refeiçãozinha decente. É verdade que não tem aperitivos, nem vinhos, nem doces, mas tem arroz e massa com fartura. Portanto, nada de especulações mais que tontas.

Tudo estará já mais que estudado para que a futura Sopa dos Pobres, seja uma agradável realidade na sociedade portuguesa e não aquele ministério que, sem qualquer justificação, se quer apresentar como uma jocosidade.

Pela parte que me toca, longe de mim tal parvoíce. Até porque eu não sei bem o que é essa coisa do Ministério da Sopa dos Pobres. E também ainda não ouvi falar sequer da Sopa dos Ricos. Portanto, é tudo para esquecer.

 

 

 

08 Jan, 2014

MUITO CUIDADO!...

 

 

Mais uma onda de detenções por supostas fraudes no Serviço Nacional de Saúde. Mais uns milhões que andam por lá e não voltam cá. E é por isso que o produto de tantos roubos, obriga o governo a ‘roubar’ o pessoal.

Para além deste descalabro, está em perspetiva uma calamidade ainda maior, que não vai poder resolver-se com roubos. Todos os dias vão sendo detidos sujeitos honestos que apenas andaram a tratar da sua vidinha.

Ora esta gente, não pode estar detida e, ao mesmo tempo, estar a trabalhar, nem que fosse a fazer o mesmo que até aqui. Com este ritmo de detenções, não tarda que o país só tenha gente detida e gente idosa.

A menos que fechem todas as escolas do país, o que não surpreenderá ninguém, e ponham as crianças a fazer as tarefas inadiáveis. Como por exemplo, servir suas excelências vinte e quatro horas por dia.

Certamente que as autoridades que fazem as detenções ainda não perceberam que mais vale perseguir e deter banqueiros, que médicos e enfermeiros, pois mais vale fechar todos os bancos que os hospitais todos.

Tudo leva a crer que o governo também ainda não viu esta calamidade que se avizinha o todo o gaz. Possivelmente, porque só está a olhar para a diminuição do desemprego que, assim, depressa vai a zero por cento.

Daí o meu alerta. Cuidado, pois o país vai ficar parado. Ou então, num gesto inteligente, as autoridades não podem deter mais ninguém. Até por uma questão de igualdade de tratamento entre todos os cidadãos.

 

 

 

07 Jan, 2014

REDES

 

 

Aprendi hoje que um programa cautelar é uma rede de segurança. Achei essa ideia espetacular, na medida em que eu tinha um feeling que me levava exatamente em sentido contrário, ou seja, em contra mão.

Redes de segurança conhecia as que protegem os artistas dos circos, para não se estatelarem no chão, quando caem lá de cima. Fiquei a saber agora que essa rede também protege os nossos melhores artistas da política.

Só que me parece que ela é desnecessária, pela simples razão de que eles nunca caem. Quem cai, e sem rede, são só alguns, quase todos, os portugueses. Caem que nem tordos sob o fogo de caçadores furtivos.

Esses portugueses têm a sensação de estar debaixo da rede que, em lugar de os proteger, os prende e os manieta, obrigando-os a uma vida que está longe de ser comparável sequer, a animais domésticos dos seus donos.   

Todos os dias vamos assistindo ao lançamento de redes que prendem e não, redes que libertam. Redes que são lançadas por elementos que mais parecem membros organizados em redes que nada dão de segurança.

Ou será que não sabemos o que são as redes de deputados que se digladiam diariamente para nosso bem. Ou as redes que se organizam nos partidos quando, no poder, nos põem a pagar os seus desvarios.

Ou ainda as redes altamente organizadas no circuito do dinheiro, que de cautelares não têm nada, mas com toda a segurança no que respeita aos seus interesses, deixando os seus súbditos na maior insegurança.

De redes estamos nós cheios. De insegurança estamos nós fartos. Falem-nos verdade. Não se comportem como redes de mafiosos que nos obrigam a aceitar as suas mentiras como a nossa salvação.

 

 

 

06 Jan, 2014

A FORÇA DO EXEMPLO

 

 

Como não tenho o privilégio de ser uma pessoa importante, durante o dia de ontem, não proferi nenhuma frase bombástica sobre a vida ou a morte de Eusébio. Mas ontem, guardei silêncio absoluto em sinal de luto.

Como é sabido, as pessoas importantes dizem coisas bonitas mas, muitas delas, subjugam essas frases ao que lhes interessa realçar, das qualidades do falecido. Se nos detivermos sobre algumas delas, não teremos dúvidas.

Não está em causa a veracidade dessas frases, ou o seu conteúdo quanto às qualidades, mas as escolhas que cada uma dessas personalidades faz, para se pronunciar. A modéstia, a solidariedade, o consenso, o exemplo…

Tudo qualidades muito bonitas, no caso, verdadeiras, mas por que motivo, essas personalidades não praticam, ao longo das suas vidas, essas mesmas qualidades levando, com o seu exemplo, à sua prática generalizada.

‘Sigamos o exemplo do Eusébio’, ‘Eusébio era consensual’, vi escrito e reproduzido na comunicação social, além de muitas outras frases. Já tinha acontecido o mesmo, com Mandela e com as práticas do Papa Francisco.

Não estou a fazer comparações entre estes três colossos mundiais. Estou a salientar a hipocrisia de quem aproveita sempre o bom que acontece no mundo para se mostrar, mas não se emenda em relação ao mal que faz.

Eusébio está neste momento a caminho da sua última morada. No funeral, vejo muita gente vestida de negro. Não vi, eu não vi, ninguém com uma gravata vermelha, encarnada, laranja ou verde. Não combina com o preto.

Mas vi, um repórter da televisão pública, todo vestido de preto, com uma gravata azul clarinha. Pode ter sido mau gosto nos ‘condizeres’. Mas também pode ter sido um sinal claro de uma solidariedade sincera.

As forças que se movimentam no futebol, com muitas ramificações nefastas para o país, podiam ser canalizadas para o bem comum. Assim o teria feito Eusébio, se tivesse sido grande na política, como foi no futebol.

 

 

 

 

 

É o sucesso dos milhões cobrados aos devedores de impostos que, por obra e graça deste governo, foi possível realizar esse milagre vindo do mais além dos aléns. Pena que os cumpridores não tenham visto o furo.

Pena também que quase outros tantos milhões tenham deixado de ser cobrados, por terem prescrito os processos de cobrança coerciva. E assim, fica provado à evidência que há funcionários em excesso. É só poupar.

Fica no entanto a certeza de que, no futuro, não vale a pena ser cumpridor e, entretanto, os tansos e mansos contribuintes, funcionários públicos e pensionistas à cabeça, vão tapando todos os buracos abertos no escuro.

Os menos tansos e um pouco menos mansos, vão-se digladiando como podem e onde podem, puxando a brasa à sua sardinha, ou defendendo os seus ideais, nem sempre apenas com base nas suas sinceras convicções.

Depois, fala-se em arregimentados, como se houvesse quem se dedicasse a servir de puxa sacos de alguém, que não aceitaria coisas dessas. Aliás, eu próprio não acredito em arregimentados, para além dos que falam neles.

Num outro nível, são os pareceres que estão na baila. Cá para mim, os pareceres não são o que parecem e muito menos o que querem que eles digam. E eles reproduzem quase sempre a voz do dinheiro que os pagou.

E à volta de tudo isto andam os sucessos, os grandes sucessos, ou os enormes sucessos, conseguidos com os milhões que jorram de todos os lados. Com tantos milhões à vista, o défice está garantido sem mais cortes.

 

 

 

03 Jan, 2014

REGRESSOS

 

 

Segundo notícias recentes a direita francesa já pede o regresso de Sarkozy. É bem provável que a esquerda francesa desejasse que Soares e Sócrates regressassem a França, ainda que apenas em gozo de férias.

Pelo que se vai vendo em notícias de certos especialistas em furores, Sócrates está em vias de perder o seu espaço na RTP1, para mais um da área do poder. Talvez porque não conseguem desmentir as suas críticas.

Como gosto muito de inovação em todos os domínios, e não gosto mesmo nada de unanimismos, sugeria à RTP que mandasse vir o Sarkozy para substituir Sócrates e à TF1, que chamasse Sócrates para continuar a falar.

Se isso não for viável por qualquer recusa justificada, sugiro que Marcelo vá pregar de novo para a RTP e Sócrates vá rezar para a TVI. Seria apenas uma maneira de catequizar públicos tão infiéis às ideias pró unanimistas.    

Protagonista em evidência nesses feudos de especialistas, é o irrevogável Portas, agora promovido a melhor líder do centro direita. Portas em alta, Sócrates em queda livre, mesmo não sendo agora líder de nada.

Mesmo assim, apetece perguntar por onde anda Passos, líder nominal do governo e líder do maior partido desse governo. Realmente, já nem se ouve falar nele. Não há nada pior que um político esquecido ou ignorado.

Certa direita continua a falar de Sócrates, embora com raiva, dando aso a que se confirme que ele continua a ser lembrado. Passos já não é nada cá dentro mas, consolem-se os seus fãs, para o FMI é, de longe, o maior.

 

 

 

02 Jan, 2014

DELÍRIOS

 

 

Os anos vão passando mas os delírios não, como se não fosse possível tirar ilações do que tem sucedido ao país. De delírio em delírio, os delirantes tentam insistentemente convencer-nos de que o problema não é deles.

E lá continuam ano após ano a soprar para o lado, sem que nenhum deles tenha a coragem, que seria também o bom senso, de colocar o dedo na ferida, começando por acabar com delírios e falar séria e honestamente.

Continua a inútil treta dos consensos como se esse delírio não estivesse já totalmente esclarecido e comprovado. Só pode haver consensos quando as partes aceitam negociar na base da boa-fé e da cedência mútua.

Não interessa trazer para aqui, aquilo que toda a gente conhece. Aquilo que constitui a grande sede de poder para impor interesses que estão bem à vista. Interesses que colidem sempre com os de quem os elegeu.

Mas interessa ver a cegueira de quem diz sempre a mesma coisa. Que diz que faz, o que nunca vai fazer. Que diz que quer, o que nunca vai aceitar. Que diz pretender construir aquilo que sempre tentou destruir.

E foi tanto o que já se destruiu que, por mais que nos queiram meter ilusões de reconstrução à frente dos olhos, vamos ter ruinas à nossa volta durante anos intermináveis. Pois, vindo do delírio, nada podemos esperar.   

Já agora, apetece-me deixar aqui exarado o meu penúltimo delírio, a quem tanto deseja consensos. Juntem-se todas as partes e aceitem unir-se para bem do país. Mas, à volta de um governo saído de novas eleições.

Mas, o meu último delírio vai para as Ilhas Selvagens, onde as cagarras se devem sentir muito sós e muito isoladas. Daí que eu tenha sonhado com uma mensagem de ano novo só para elas. Tão felizes que ficaram.

Delírios evidentes. Porque o bom senso é outro. Temos de nos unir à volta de um programa de governo que nos dê miséria como benesse, para além de um novo sistema com laivos ainda ténues de ditadura e de escravatura.    

 

 

 

01 Jan, 2014

SE...

 

 

De um modo geral os portugueses andam com a esperança da vinda de dias melhores muito em baixo, apesar de haver uns tantos otimistas que não se cansam de tentar puxá-la para cima sem grandes resultados.

No entanto, esses otimistas, que se manifestam apenas em círculos muito fechados, podiam fazer muito mais para contagiar os outros com a sua visão de uma sociedade, na qual eles se não integram de corpo inteiro.

Se os maiores otimistas do nosso país se enchessem de coragem e saíssem à rua sós, com alguma frequência, por exemplo, sentar-se numa esplanada e tomar um café, sentir-se-iam muito mais confortados.

Falar ao povo através de uma televisão, numa entrevista ou numa cerimónia qualquer, não é o mesmo que sentir-se no meio do povo, tentando partilhar as suas angústias, os seus receios e as suas esperanças.

Se o presidente Cavaco Silva saísse do Palácio e fosse sozinho, a pé, comer um pastel de nata ali perto, teria oportunidade de ver e sentir como vão as pessoas que andam na rua e explicar-lhes o que pensa do seu país.

Se o Primeiro-ministro Passos Coelho e o seu vice Portas, quisessem explicar direitinho as suas políticas, podiam ir até ao Rossio numa bela tarde de sol e entrarem em conversa num dos grupos que ali se formam.

Se todas as personalidades importantes, do governo, ou não, fossem capazes de tomar atitudes semelhantes, dentro ou fora de Lisboa, o país estaria mais solidário com os seus cidadãos e menos com os de fora.  

Hoje é o primeiro dia do ano. Nunca é tarde para se corrigir atitudes e mudar orientações. Basta que todos cumpram e façam cumprir as leis do país. Só depois, todos podemos falar cara a cara uns com os outros.

 

 

 

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