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afonsonunes

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21 Mar, 2014

O MELHOR CAUTELAR

 

 

Acabo de fazer uma longa e dura reflexão sobre o melhor programa cautelar para a penúria com que nos brindaram uns senhores que não se cansam agora de botar conselhos, suponho, destinados a si próprios.

Não ignoro que estes senhores, que tão bem nos aconselham, também fizeram a sua reflexão, no mínimo, tão longa como a minha. No entanto, como um cautelar implica cautelas, as conclusões não podem ser iguais.

Do lado deles, há muita coisa que tem de ser acautelada, enquanto da minha parte, não há nada a acautelar. É a vantagem de quem tem limpa a saída, do mesmo modo que também teve uma entrada limpa em tudo.

Já ouvi muitas sugestões para a saída. Mas só hoje soube qual era a melhor. Já depois disso, tive uma ideia brilhante. A melhor saída do programa cautelar era um abraço valente, entre dois valentes presidentes.

Imagine-se a repercussão altamente favorável que teria nos mercados e nos mercadores, um sinal de inquebrável amizade de Pinto da Costa e Bruno de Carvalho. Ou de Bruno de Carvalho e Pinto da Costa. É igual.

O país sentiria de imediato um novo élan, principalmente, porque ficaria implícito nessa amizade, que os títulos, todos os títulos, mesmo os das dívidas, seriam repartidos criteriosamente entre os dois grandes clubes.

Obviamente que, perante tal consenso, não haveria mais conversas que só servem para trair a séria consensualidade. Aliás, falar deste grande e incomparável consenso, é reduzir ao ridículo qualquer dos já sugeridos.

Um acordo Sporting/Porto uniria de vez o sul ao norte. Lisboa ao Porto. Os mercados, a Europa, o FMI, o mundo inteiro, veriam um país pequeno, mas de grande capacidade para fazer tudo. Até o impossível consenso.

Portugal provaria ao mundo, mais uma vez, a sua propensão para grandes feitos. E o futebol, pela primeira vez, estaria a provar à política, como se faz uma reanimação milagrosa. Presidentes e governantes, acordai.

20 Mar, 2014

CRISPADO

 

 

Desde há muito tempo que este país está uma crispação. Ora, se o país está assim, é porque está cheio de crispados. Alguns deles até estão convencidos de que, se todos fossem como eles, não havia crispações.

Mas, estar convencidos de que são uns puros anjinhos é uma coisa, e estar constantemente a criar mais crispados, é outra. É fácil deduzir que as crispações são como as constipações. Pegam-se. E com elas vem a tosse.

Tosse que é precedida de espirros que espalham gafanhotos ao redor do constipado. E do crispado. Que, na sua ânsia de espirrar, fecha os olhos e começa a ver milhões de estrelinhas. São os seus milhões de crispados.

É então que o crispado se assusta e desencadeia um esforço enorme para conter a contaminação geral que criou. Com receio que venha a ficar como eles, sem se aperceber que foi ele o primeiro. A origem. A semente.

Há maleitas que a gente tem muita dificuldade em ver em nós próprios. É muito mais fácil descobri-las nos outros. E ter medo delas, mesmo quando elas já se entranharam em nós, à boleia dos nossos vícios e pecados.

À beira deste mar de crispações há um país chamado Portugal que, quer se queira quer não, está a meter água por todos os lados. Como se já não bastasse a orla marítima a deixar-se invadir por ondas ultra crispadas.

Mas, nem tudo é desgraça na crispação. Os mais altos responsáveis pelos nossos destinos, já promoveram a limpeza de alguns crispantes nacionais. Agora, vão pedir ao FMI que olhe para os seus. Que se crispem fora daqui.

Porque os amigos são para as ocasiões e não é aceitável que esses crispantes de vinte países, alguns conhecidos consultores do FMI, tenham o descaramento de repetir as loucas teorias dos que andam a mais por cá.

 

 

 

19 Mar, 2014

BOA NOITE

 

 

Até o bom hábito de saudar as pessoas se está a perder, quando nos dirigimos a elas. Se calhar, é mais uma das muitas coisas que estamos a perder em cada dia que passa. Além de dinheiro, muitas palavras também.

É aquilo a que se chama valores. E um desses valores a que o povo sempre deu muito valor é a chamada ‘salvação’. O bom dia, boa tarde, ou boa noite. Boa noite portugueses, ou boa tarde ti Maria, ou bom dia ti Manel.

Enfim, os tempos são o que são e os portugueses não têm outro remédio senão irem-se habituando à frieza de outras bandas, com outras noções de solidariedade e amizade. E aos portugueses que suspiram por isso.

Vem aí, ou já está aí, mais um período, o costumeiro longo período, que precede eleições. Onde abundam as comunicações televisivas e outras. Espero que as comecem com o tradicional ‘boa noite, portugueses’.

Depois, que não nos encham do habitual fastídio, com a habitual conversa do esclarecimento que só é pedido e nunca dado, através do martelar de sempre numa serenidade e num apelo ao voto, mais formais que sinceros.

Pois bem, vamos à campanha. Vamos discutir o Sócrates, o Face Oculta, a bancarrota passada e esquecer as prescrições dos milhões, as roubalheiras dos ilustres e ‘mai nada’. Mas, por favor, depois, digam sempre: Boa noite.

 

 

 

18 Mar, 2014

ETERNA APAIXONADA

 

 

Sempre apaixonada, mas nem sempre pelo mesmo homem. Revela até uma tendência acentuada para relações periódicas de maior ou menor duração. Há quem considere que ela tem sentimentos muito instáveis.

Acontece a muita gente que gosta de ter as suas paixonetas ao sabor dos conhecimentos que vão fazendo. Nestas coisas, os homens têm a fama mas, neste caso, é ela que tem o proveito. Eles não o têm com certeza.

O José foi a primeira vítima. Quando se apercebeu da situação em que se deixara cair, ainda se lamentou: era só o que me faltava. Mas não teve outro remédio senão aguentar enquanto pôde. Sem poder nada.

Agora é o Pedro que anda enredado nos seus braços. Recebe muitas provas de carinho e promessas de amor para a vida inteira. E ele acredita. E até agradece de todo o coração. Sente-se nas nuvens com esse clima.

Talvez ainda não tenha pensado nisso, mas corre o risco de levar com o mesmo perfume do José. Sem o José, obviamente, pois esse, para o Pedro, é uma carta fora do baralho. E, sem ele, ela está garantida.

Mas será que está? Ninguém pode garantir que ela não venha a apaixonar-se pelo António, se ele arranjar uma fatiota nova e um novo penteado. E se ela não se apaixonar pelo amigo alemão do António.

 

 

 

17 Mar, 2014

DESPERDÍCIO

 

 

Ando a fazer um estudo, que espero venha a ser esclarecedor, sobre as vantagens e desvantagens de se utilizarem nomes curtos ou compridos quando nos referimos aos políticos. Estas linhas são apenas um palpite.

Estou convencido de que vou concluir pela necessidade de um simplex para a onomástica oral e escrita dos portugueses em relação aos políticos. Para cada político apenas um nome. O máximo, dois em casos excecionais.

Vamos a casos concretos. Todos os dias e todas as noites, se pronuncia e escreve, um nome: Pedro Passos Coelho. Imagine-se a quantidade de saliva e de tinta que se poupariam, se fosse utilizado só um dos nomes.

O mesmo se passa com Manuela Ferreira Leite. Podia ser só Manuela? Não. Há muitas. Tal como Ferreiras. Tal como Pedros. Mas Leites, Passos e Coelhos, falando de políticos, são mesmo inconfundíveis.      

Compare-se o que se passa com Seguro. Ninguém o refere como António José Seguro. É o Seguro para cá e o Seguro para lá. Também ninguém, ou muito raramente, se trata o PR por Aníbal Cavaco Silva. Estará mal?

Como digo, estou apenas a estudar o assunto. Há alguns políticos que têm o privilégio de ter dois nomes de referência. Não têm só um, mas também não têm os três. São, portanto, a já pobre classe média dos políticos.

O Pedro está a dar cabo de nós. O Cavaco está a ajudar o Coelho. A Leite não gosta do Passos mas adora o Aníbal. O Seguro está desiludido com o Silva. A Manuela detesta o António e o José. Há um Portas e um Maduro.

O Jardim vai fundar um partido, mesmo que o senhor Silva não deixe. Não, aqui parou. Se não se permite mais que um ou dois nomes, também não há senhores, nem doutores. Quanto a professores, já estão abaixo de cão.

Estou convencido de que nenhum português tem dúvidas de quem se trata nos nomes atrás referidos. Se assim for, a que propósito se gastam tanto e tão desnecessariamente, os três nomes de Pedro Passos Coelho?

 

 

 

16 Mar, 2014

PIMBA!...

 

 

Musicalmente o nosso pimba vai já chegar à Europa dentro de momentos. À primeira vista fizemos progressos, embora pudéssemos avançar mais nessa cantoria, pelo menos no entender de quem não aprecia pimbas.

Politicamente, o país já atingiu a felicidade pimba, pois a fatura da sorte das finanças é uma nota falsa na música da fraude e evasão fiscal, pois o sorteio de ‘bombas’ vai estoirar com a pobreza dos contribuintes.

Santana Lopes deu agora uma ‘pimbalhada’ tremenda completamente inesperada, uma surpresa ‘surpreendente’, ao lembrar que Sócrates não foi o culpado de tudo o que aconteceu ao país. E que até fez coisas boas.

O PM anda a ‘pimbalhar’ em demasia ao afirmar: ‘Grande parte da nossa ação política destina-se precisamente a corrigir estas injustiças, estas assimetrias, estes acidentes ou os privilégios que ainda possam existir…’  

‘Os portugueses pensam que há uma justiça para ricos e outra para pobres’. E ‘está surpreendido com prescrições…’ Parece que o PM está na onda pimba que domina o país e o mundo. Influência das televisões.

Como elas, na música e no, liga, liga, para o sorteio, aos fins-de-semana, o PM acompanha tudo isso com ‘pimbalhadas’ de encantar, aplaudido pelos comentadores pimba, e a preparar-se para calar os que não vão na dança.

Vou ficar por aqui. Não há condições para continuar. A partir deste momento, o futebol destabilizou tudo, o país todo, pois não se ouve mais que rugidos de leõezinhos em festa. Ganharam hoje e vão ganhar tudo.

 

 

 

15 Mar, 2014

INEVITÁVEL

 

 

Zangam-se as comadres descobrem-se as verdades. Também a justiça começa a dar sinais, ‘ainda muito ténues’, de que não está para aguentar com todas as culpas que a banca lhe quer imputar nos milhões que voam.   

Não sei, nem tenho que saber, se o Banco de Portugal agiu bem ou mal no caso das prescrições que levam os banqueiros criminosos a ficar com o produto dos seus crimes, não pagando as multas que lhes foram aplicadas.

Mas sei, e não é preciso ser bruxo, que não há justiça que toque nestes e noutros sorvedores de milhões e mais milhões do erário público, que acabam por sair dos bolsos já exauridos dos contribuintes empobrecidos.

Estas guerras entre causadores ativos e passivos destas injustiças vão, inevitavelmente, conduzir à descoberta de verdades bem escondidas sub-repticiamente dos sacrificados, por negras cortinas de fumo.

O jogo das escondidas vai cedendo, apesar dos esforços para o reforçar e das retaliações de que se vai tendo conhecimento, contra quem luta pela verdade. Hoje, já se sabe mais que ontem. Amanhã saberemos ainda mais.

O poder apregoa verdade, liberdade e democracia. Mas o que dá, cada vez mais, aos cidadãos, é a mentira, restrições de toda a ordem e a pretensão de que devem ser submissos, sem ideias, nem iniciativas, nem direitos.   

Uma sociedade assim não pode prevalecer muito tempo. Não se pode demitir toda a gente. Não se pode sequer manter famílias unidas, quando o ódio se entranha nelas. E que dizer dos estranhos, se na família é assim.

 

 

 

14 Mar, 2014

PENTA PRESIDENTE

 

 

A nossa democracia tem cinco pilares fundamentais para o equilíbrio político das decisões que vão regular os comportamentos dos cidadãos e das suas organizações e corporações. Cinco pilares, cinco presidentes.

Pelo que vamos vendo ao longo do tempo, há presidentes e presidentes. Há presidentes que tomam decisões e presidentes que deixam isso para os outros. Principalmente, quando as decisões queimam presidentes.

Depois, há presidências que são ocupadas pela mesma pessoa, quer através de mandato efetivo, quer através de sobreposição de funções em mais que uma presidência, apesar de ocupadas por pessoas diferentes.

Há presidentes que têm uma apetência especial para abafar outros presidentes, pressupondo que, mesmo entre presidentes, tem de haver quem manda mais e quem manda menos. Ou não manda mesmo nada.

Este conceito levado ao extremo explica a existência de ditaduras. Mário Soares disse há dias que o país caminha para uma ditadura. Só não previu ainda quem será o ditador. Mas, eu já comecei a deitar as minhas cartas.

Coelho é presidente do partido dele e é presidente do governo, vulgo, primeiro-ministro. Há sinais, ainda muito ténues, de como algo vai evoluir nesta democracia. Já se viu na AR, como a presidente lida com o PM.

Tenho a sensação de que três presidências já cantam de Coelho. Mas, também é visível como Coelho se bate há muito tempo à presidência do Tribunal Constitucional, para fugir às ‘tropelias’ que dali têm vindo.

Obviamente que haverá sempre uma maneira de o contornar, nem que para isso, Coelho tenha de assumir mais essa presidência. Mesmo sem mandar embora o titular. Basta que ele se comprometa. Ou se distraia.   

Agora, ficamos a saber que o veto do PR se pode facilmente ultrapassar, mesmo dentro da legalidade e sem criar rancor de espécie alguma, colocando a AR de ponta de lança. Tudo isto, dentro da democracia.

O doutor Mário Soares está completamente enganado quanto a ditaduras. Pedro Passos Coelho pode ser presidente de tudo, mas nunca será um ditador. Podemos é ter um Coelho democrático a orientar os presidentes.

 

 

 

13 Mar, 2014

SERÁ QUE LERAM?

 

 

Eu li-o todinho, de fio a pavio, só para ter a certeza de que aquilo não continha erros de palmatória. Sinceramente, se os tinha, eu não consegui topá-los. Faço esta ressalva depois de tanta gente falar do que eu não vi.

Assim sendo, ‘das três, quatro’: não sei o que leio, essa gente não sabe o leu, não leram nadinha ou não sabem ler. Há qualquer coisa que não bate certo. Sobretudo, porque há por ali gente que andou na universidade.

Sim, não se trata de gente ignorante, que essa nem liga a essas coisas de ler ou não ler, até porque muitos nem sabem ler. Nem se manifestam. Ao contrário de quem manifesta um medo terrível de quem se manifesta.

Mais, há por ali gente que fala em irresponsáveis quando se refere aos que escreveram aquilo. Só pode ser um lamentável equívoco. Devem estar a falar de pessoas erradas. Só podem estar a falar de si próprias.

Também há por ali gente que inventa adjetivos mais que rebuscados, que bem podia guardar para consumo pessoal já que, nem de longe nem de perto, consegue colocá-los nos destinatários que pretende ridicularizar. 

Partindo do princípio que leram aquilo, só pode concluir-se que a verdade real, não a verdade fictícia deles, lhes abre mesmo feridas que fazem doer muito. Mas se leram apenas o título, bem podiam ler tudo antes de falar.

Se acaso leram tudo, perceberam tudo, e disseram cobras e lagartos do que leram, então o caso é mais grave. Trata-se de vendedores de mentiras a soldo de alguém. Sabendo, ou não, que há mentiras que podem matar.

Vai ficando cada vez mais claro que, quem lê tudo das avessas, está a pôr em risco a vida de muita gente, senão mesmo a sobrevivência do país. Além de não perceber que da discussão nasce a luz. Sim, luz, precisa-se.

 

 

 

 

 

Se não estivesse escrito em letra de forma, ninguém iria acreditar que Manuela viesse a transformar-se numa militante masoquista, tal como muitos dos seus amigos. E também os seus maiores e menores inimigos.

Acima de tudo, sabendo que essa deriva masoquista, desagradaria profundamente ao seu muito estimado amigo Aníbal, que só tem o defeito, ou a virtude, de não poder encarar com masoquistas por perto.

Não será pois de estranhar que Manuela acabe, mais tarde ou mais cedo, por renunciar a essa amizade e ao aconselhamento que eventualmente lhe venha a ser pedido. Maus conselhos já o Aníbal deve ter quanto baste.    

Vamos lá ver se a coisa fica por ali. Já lá vão dois e, depois de consultada a extensa lista, podem aparecer mais alguns desertores. Obviamente, não fazem lá falta nenhuma, podendo até ser uma boa maneira de poupar.

Já há quem avente a hipótese de essas saídas serem compensadas com a chamada, inesperada, é verdade, do António que, ajuizadamente, se tem mantido estrategicamente calado, além de não ser nada masoquista.

No entanto, a comitiva do António, que não iria só, teria de ser muito bem negociada, não fosse levar algum masoquista infiltrado, do tipo João ou Eduardo, isto para não pensar em alguém muito mais indesejado.

Contudo, não se pode excluir a hipótese de Manuela cair na real e pedir desculpa ao Aníbal pela sua leviandade momentânea. Talvez até levasse alguém com ela. E assim, tudo voltaria ao doce paraíso do mel a pataco.

Desta vez deixei completamente de lado a política. Estou farto destas novelas do diz que é bom mas não presta. Hoje manifestei preferência por trazer aqui estes cidadãos anónimos que também queriam manifestar-se.