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afonsonunes

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08 Abr, 2014

À MADURO

 

 

Poiares Maduro diz que ‘o cidadão vai tratar de tudo num único local’. Não diz o quê, nem quando é que pode começar a tratar. Mas diz tratar de tudo, como se tudo fosse tratável numa só secretária.

Seguro disse há dias que ia acabar com a pobreza em quatro anos. O governo de Maduro e não só, escandalizou-se com a revelação. Como se isso fosse algo de especial. Já não há madurezas que surpreendam.

Depreendo eu que no único local anunciado por Maduro, também se trata de acabar com a pobreza. Provavelmente antes de quatro anos. O que será ainda mais sensacional. E mais uma vitória sobre Seguro.

Seguro nunca conseguirá acabar com os pobres que o querem ser. Mas Maduro vai poder, porque já arranjou maneira de tratar de tudo. Naturalmente, sem contestação, sem dúvidas, nem dificuldades.

Seguro não promete mais nada que não possa cumprir. Uma bastou. Maduro promete fazer tudo num único local. Encher chouriços, dar banho ao cão, ou reparar o automóvel. Ferramentas não vão faltar.

Seguro é um irresponsável porque teve uma triste ideia. Maduro é um inteligente de craveira superior, porque eliminou problemas infindos com a fenomenal descoberta do que significa ‘de tudo’.      

Como agravante da inabilidade de Seguro, não lhe ocorreu que pode nunca vir a disputar, e muito menos a ganhar, eleições. Se tivesse pensado nisso, também não teria sequer pensado nos pobres.

Mas, Maduro não se esqueceu de nada. Mais um problema para Seguro, que não vai ter ponta por onde lhe pegue. Porque Maduro matou à nascença qualquer ideia de Seguro. Ele pôs tudo no tal local.

 

 

 

07 Abr, 2014

CHERNE MAL-AMANHADO

 

 

Antes de ser consumido qualquer peixe precisa ser devidamente amanhado por quem o saiba fazer. Normalmente, as peixeiras, que lhe conhecem os podres para tirar e limpar o que fica para a cozinha.

O cherne não é carapau nem sardinha logo, mais cuidado tem de haver na supressão da sua tripa suja. Até porque quem o consome é gente mais exigente que a da petinga frita, que come tripa e tudo.

Certamente que não é por causa da tripa que o cherne mal-amanhado está a provocar um certo fedor informativo. Já circulam mesmo diversas narrativas sobre os seus lapsos de memória.

Estamos em época de dar. Muito ou pouco. Até o cherne quer dar o que não tem. Diz-se que há quem prometa demais. Mas ninguém, ou muito poucos, dizem quem é que roubou demais. Memórias curtas.

A televisão pública está metida num berbicacho dos diabos, agora agravado com o farejador de arquivos. Infeliz ideia a de tirar a Cristina, pois com ela, felizmente que as audiências eram escassas.

Mas isto vai acabar mal. Por isso, é que é um berbicacho. Acabar com o espaço, só com um ato de coragem, que é matar uma narrativa, com todas as consequências em termos de imagem de pluralismo.

Manter o espaço, é submeter o JR às alfinetadas do JS, sabendo-se de antemão quem é que não vai desistir, e quem é que pode não suportar por muito tempo a destruição sistemática dos seus arquivos.

Depois, com as audiências a subir, o cherne sem reagir, o Coelho e o governo a ouvir, o presidente calado a assistir e todos os partidos a engolir (em seco), o país é capaz de começar a rir (de gozo).     

Tudo isto por causa de um cherne mal-amanhado que pôs a barbatana fora de água, sem avisos prévios aos muitos que estão agora a escamá-lo. Se quer piscina de Belém, cuide da memória.

 

 

 

06 Abr, 2014

FILHO

 

 

Filho de peixe sabe nadar, viva ele onde viver, no mar, no rio ou no aquário, com escamas ou sem elas, com asas ou com barbatanas. E para viver, não precisa que, quem o desovou, carregue com ele ao colo. 

Já os humanos não são assim. Filho de empresário, tem de ser empresário, a não ser que o pai consiga metê-lo no partido em que sempre militou. Com um empurrãozinho, depressa chegará a deputado. Depois se verá.

Do mesmo modo, filho de artista (ator, cantor, equilibrista), tem de ser artista. O pai lá se encarregará de tratar do assunto, pois ninguém melhor que ele conhece as reais virtudes do seu rebento. Para o sucesso.

Ser banqueiro, jornalista, futebolista, ou de qualquer outra profissão de nomeada, é coisa que não custa nada. Os dotes não se herdam, mas as heranças sim, valem vidas que nunca estarão ao alcance de todos.

Agora o que não falha, é filho de político ter a sina de ser político. Pode ter mil e uma ocupações extra. Mas todas derivadas. Todas com uma ligação direta ou indireta, àquilo que lhes ensinaram de pequeninos lá em casa.

Pois, eu sei que isso não é bem assim. Claro que não. É para isso que há exceções. Há banqueiros que não depositam, só retiram. Há jornalistas que não escrevem, só ditam. Há futebolistas que não jogam, só rasteiram.

Agora bom, mesmo bom, é ser político. Até eu gostava de ser político. E jornalista também. Tinha a certeza de ser bom, desde que fosse as duas coisas ao mesmo tempo. Assim, não fazia figuras tristes, comigo próprio.

 

 

 

05 Abr, 2014

NOBRE PAULO

 

 

O Paulo está magro, deixando pressupor que alguma coisa se passa com ele. Não deve ser da claustrofobia democrática que em tempos o afetou bastante. Porém, agora, já pode dizer o que quer e lhe apetece.

Ia a dizer que podia ser da fraca qualidade da comida que lhe dão lá fora, mas lembrei-me que, se fosse isso, não estaria agora envolvido nesta ingente tarefa de trabalhar forte e feio para reforçar a sua presença.

Aliás, o Paulo está a prestar um enorme serviço a todos os portugueses que andam assustados com a possibilidade (embora muito fraca), de virmos a ficar muito pior do que estamos agora, voltando três anos atrás.

É evidente que o facto de o Paulo estar mais magro, preocupa igualmente os portugueses, tanto mais que ele ainda não deu uma explicação que tranquilize o país. E isso pode vir a ter uma grande influência eleitoral.

Mas, já que ele não o diz, certamente por modéstia, ou por altruísmo, revelo eu esse segredo. Não me perguntem como é que eu soube. Mas soube. O Paulo resolveu fazer um regime alimentar muito reduzido.

E para quê? Sim, para quê? Simplesmente, melhor, generosamente, para se solidarizar com todas aquelas pessoas que, infelizmente, não comem o suficiente para ter um aspeto normal. O Paulo passa fome porque quer.

 

 

 

04 Abr, 2014

SURPREENDENTE

 

 

Não, já nada é surpreendente neste país surpreendido a toda a hora por notícias que nem valia a pena gastar tempo a elaborá-las, nem a serem lidas ou ouvidas. O título não é da minha lavra, mas sim apanhado no ar.

Não é surpreendente que a Assembleia da República tivesse sido mais uma vez invadida, agora por um gás que levou alguns deputados mais cautelosos a abandonar os seus lugares. Não foi medo com certeza.

Talvez não estivessem preparados, em termos de consciência, para correr o risco de desmaiar. Ou então sentiram que o cheiro do tal gás poderia ter-se evadido do assento das suas cadeiras e deixaram-nas a arejar.

Ora, nada disto é surpreendente, num dia em que a agitação da AR esteve particularmente forte, com os dois maiores galos de cristas eriçadas, a creditarem argumentos, ou bicadas, para as eleições lixadas que aí vêm.      

E com tantas ondas agitadas não é surpreendente que o país todo esteja cheio de maus cheiros. A maior parte deles provenientes daquele local, onde a flatulência nem sempre escolhe o melhor local para desopilar. 

Também não é surpreendente que haja gente tão habituada a ambientes que tresandam e se retirem assim, sem sequer avisarem dos perigos que podem ter deixado para trás. Gases, são gases, venham lá de onde vierem.

Não deve ter sido por causa disso, mas a verdade é que vi hoje uma foto do primeiro-ministro na AR, em que aparece a tapar o nariz com os dedos. Não me surpreenderia se tivesse dito alguma coisa mal cheirosa. 

 

 

 

03 Abr, 2014

VERGONHA OCULTA

 

 

Que ninguém pense que isto tem alguma coisa a ver com o processo Face Oculta que decorre em Aveiro, com juízes e procuradores badalados, com advogados famosos e com arguidos já mais que elevados à celebridade.

Embora ande por ali muita coisa oculta, não quero falar de quem já perdeu, ou vai perder a face, no final de toda aquela comédia. Comédia no sentido puro do termo, que é uma demonstração de boa disposição.

Não é disso que quero falar. Porque com a justiça não se brinca, tal como a justiça não brinca com os cidadãos. Em circunstância alguma. Não é como em tantas coisas, em que a falta de vergonha, nos envergonha.

Portanto, de Aveiro ao Porto, ou de Coimbra a Lisboa, anda tanta coisa oculta, que não admira que a vergonha faça o mesmo. Esconde-se. Oculta-se. E não é apenas nas faces. Se calhar até nem era mau que fosse assim.   

Mas, que havemos nós de fazer, se até um português em Bruxelas, é capaz de virar a face para as costas e, em lugar de fazer lá o que lhe compete, anda a fazer tudo para fazer parte do grupo que, por cá, nos oculta tudo.

Pensavam os portugueses que estavam a ser conduzidos por três pastorinhos munidos de rústicos cajados. Qual quê! Na verdade são quatro, porque os pastorinhos têm companhia, consultadoria e porta-voz.

 

 

Um deputado nacional do PSD e um deputado europeu do CDS querem saber o teor das conversas entre Barroso e Constâncio sobre o BPN, no tempo em que o primeiro era PM e o segundo Governador do BdP.

Tem graça, mas eu também gostava de saber. Porque, como eles afirmam, têm direito à verdade. E têm por missão procurá-la. Mas a verdade deles é outra. Bem mais evidente que os seus escondidos desejos de a ocultar.

São muitos os que hoje sabem tudo sobre determinados assuntos do tempo em que ninguém sabia nada, incluindo os sabichões de agora. Que também deviam saber e, se sabiam, calaram as puras e virgens boquinhas.

Os dois referidos deputados pertencem aos partidos que mandam chover, ou parar a chuva, na AR. Onde se aprova toda a espécie de coscuvilhices que visem achincalhar a oposição. Incluindo os relatórios das comissões.

Onde se recusam todas as tentativas da oposição para esclarecer a verdade sobre as mentiras do governo e de todos os seus protegidos. Estas verdades não cabem nos deveres desses púdicos e sérios deputados.   

Dos lados desta atual maioria vemos denúncias e denunciantes aos molhos. Mas vemos também que é da área dessa maioria que todos os dias se vê como nascem novos e florescentes casos de forte corrupção.

Para além dos que andam abafados há tantos anos. Que não atam nem desatam, apesar de provados. E os tribunais entretidos com casos de denúncias que ninguém consegue provar. Esta é a verdade que lhes dói.

É por isso que esta sociedade ‘D. Gommes & N. Melro, Ldos’ é bem um caso puro de limitados nos seus deveres. Procurem a verdade por todos os meios sérios e objetivos. Porque a verdade não tem dono, nem patrão.

Assim sendo, deixem que outros colegas vossos, com iguais obrigações, procurem rebater, ou confirmar, as vossas conclusões. Em democracia não se bate: debate-se. E vós, sociedade de imbecis, só sabeis bater.

 

 

 

01 Abr, 2014

TRANSIÇÂO

 

 

Ao fazer a habitual ronda pela informação do dia, pareceu-me ter visto várias notícias próprias do dia um de Abril. Se me tiver enganado, então é porque já nem se pode acreditar na genuinidade das mentiras deste dia.

É óbvio que não vou enumerá-las para não dar aso a que me chamem mentiroso. Embora hoje, até pudesse desculpar-me com a data. Mas, não quero roubar o protagonismo deste dia a quem mais o merece.

Cá para mim, hoje é um dia muito especial para um dos mais célebres mentirosos de sempre, senão mesmo o maior, para muitos portugueses. José Sócrates, com certeza. Que hoje cedeu definitivamente esse troféu.

Não sei se isso representa um alívio para ele, ou se vai sentir uma certa frustração por ter sido ultrapassado por alguém de quem notoriamente não gosta. Ninguém gosta de perder nada, mas esse cetro, não sei, não.

Toda a gente gosta de ganhar, seja lá o que for. E mais ainda, quando se ganha a alguém que constitui uma espinha atravessada na garganta. Daí que os dois herdeiros de Sócrates, deviam sentir-se mais felizes hoje.

Mas não será fácil ver os seus amigos Passos Coelho e Paulo Portas galardoados por três anos de mentiras permanentes. Suponho que José Sócrates já terá dito hoje, ‘ era só o que me faltava ’. Mas ele sabe perder.

Esta transição de um, para dois, tem até uma aparência de injustiça, por Sócrates ver repartido o seu fulgor individual de tantos anos, por dois apagados mentirosos. Mas, a vida é assim. As mentiras não têm dono.

Depois, há os mentirosos que se vão regenerando com o tempo e com as línguas que se vão calando. E há os mentirosos que estão em crescendo, ano após ano, com a cotação das suas generosas e qualificadas mentiras.

 

 

     

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