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afonsonunes

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Tenho a certeza que eu mesmo daria um bom caixeiro, com a vantagem de me contentar com um salário muito inferior ao do primeiro-ministro. Aliás, como manda a lei dos empregos do estado.

Na caixa, com certeza, o dinheiro abunda o suficiente para que todos aqueles que vão mandar no pilim dos depositantes, tenham regime de exceção. Boa parte dele passa a ser deles no fim de cada mês.

Quem não sabe ser caixeiro fecha a loja. Mas esta não fecha, ao contrário de tantas outras. A caixa, com certeza, tem de ter bons caixeiros. Mas quantos bons caixeiros tiveram já de emigrar?

A gente olha para os que já passaram por lá e fica a pensar que, afinal, por menos de metade do salário se arranjavam caixeiros iguais ou melhores que aqueles. E estes de agora não serão diferentes.

A caixa, com certeza, é uma espécie de seleção. Os selecionados não são caixeiros, mas também havia outros. Cada português é um selecionador, quer a escolher jogadores, quer a escolher caixeiros.

Não pode deixar de concluir-se que o grande problema está em haver só um selecionador para todas as matérias. E, pelos vistos, vota sempre nos mais caros. Como se não pudesse poupar uns cobres.

Anda tudo dependente de ajustes diretos. Quem manda são os empresários, que compram e vendem, ao mesmo tempo que avaliam as qualidades dos seus candidatos a ídolos. Aqui não há presidentes.  

Agora, sem dúvida, há quem saiba ser caixeiro. Há um que diz que as pessoas são iguais a mercadorias e capitais. Bom selecionador. E os seus selecionados apoiam. Boas mercadorias. Ou caixeiros sem loja.

 

 

 

 

 

Falhados porque não foi, nem é, nem o será tão cedo, o tal país que nos prometeram, nem é este o país que nos querem impingir, como o maravilhoso resultado dos seus êxitos. Saber mentir é muito difícil.

Toda a gente tem direitos. Até os falhados e os indignados, mesmo que fossem capazes de se indignar com os direitos que cortam aos outros. Logo, obviamente, também têm o direito de se indignar.

Ao olhar em frente, nestes dias de indignada parvoíce, vejo perfeitamente três falhados e um candidato que, por falta de oportunidade, ainda o não é, mas para lá caminha. Voluntariamente.

Começo por Passos, por questões de hierarquia. Tem todo o direito à indignação, pois são já muito poucos os que lhe compreendem o tão apregoado milagre da salvação do país. A realidade é muito cruel.

Portas é o célebre inventor de frases que buscam a indignação alheia. De pleno direito também se indigna com o facto de se indignarem muito contra ele. Não se indigna com o cinismo, se for o seu.  

Rangel é um caso típico de defensor do direito à parvoíce. Está no seu direito. Tal como tem o direito de negar aos seus adversários, o direito às suas parvoíces. Até podia dizer, eu é que não sou parvo.  

Seguro ainda é apenas um candidato à parvoíce. Deve dizer-se, em abono da verdade, que o é com todo o gosto. Mesmo cercado de bons e indignados autores de parvoíces por todos os lados. Falhados.

Apetecia-me perguntar: e tudo isto para quê? Respondo: porque a Europa dá muitos tachos; porque na Europa não se faz nada; porque estas eleições não decidem nada, nem mudam nada. Só dão cacau.

 

 

 

 

 

Só podia ser o comentador da SIC e divulgador oficial de todas as boas novas do governo. Que é, obviamente, o ex-líder do PSD, Marques Mendes. Um homem de direita e um homem às direitas.

Numa altura em que tantos se movimentam em busca de uma posição de relevo que lhes permita ascender a qualquer coisa, Marques Mendes não procura nada para si. Já deve ter tudo.

Em contrapartida, desassombradamente, lançou a atual ministra das finanças na corrida à liderança do PSD. Sinal evidente de que o ex-líder não está interessado em voltar. Mas aponta uma boa solução.

Claro que Maria Luís também é uma mulher de direita. Para Marques Mendes, sem dúvida, ela é uma mulher às direitas. Não se sabe o que irá na cabeça do comentador, para pôr Passos fora de questão.

Precisamente numa altura em que ele já não quer que as eleições se lixem e tudo faz para as não perder. E ele ainda não esqueceu como ganhou as últimas. Marques Mendes lá sabe o destino que lhe dá.

Como a extrema-direita avança, ao que parece, imparável, é preciso e é urgente que a direita se reposicione em consonância com as tendências que vêm lá de fora. Senão, Portas ainda passa Passos.

Mas, o melhor dos caminhos é, sem dúvida, restaurar a velha aliança da extrema-esquerda com a aliança da direita. Será a dupla aliança que foi testada e bem, no passado. Quanto mais me bates…

Quem sabe se, para grandes males, grandes remédios. Maria Luís e Catarina Martins, podiam salvar o país com dois beijos. Como testemunhas, Jerónimo e Semedo, dariam o abraço salvador.

Marques Mendes é mesmo um homem às direitas. E ele sabe bem que isto não vai lá por vias mais ou menos tortas. Não sei se ele vai anunciar isto. Mas ele já anunciou a boa nova de Maria Luís.

 

 

 

 

 

Era assim que se despediam os militares deslocados para as guerras do ultramar. Muitos por lá deixaram a vida e o seu regresso foi doloroso para as suas famílias. Esse adeus foi para eles o fim de tudo.

Agora, há quem esteja a considerar este dia 17 de maio como o fim deste pesadelo que escurece a vida de inúmeros portugueses. E festeja o adeus à troica, garantindo que, com eles, ela não mais virá.

Mas há muita gente para quem isto não passa de um outro adeus até ao próximo regresso dessa tropa. Que outra tropa fica por cá a garantir a sua influência, fazendo de conta que eles se foram de vez.

Entretanto, este dia 17 de maio fica também assinalado como o dia do regresso em força de José Sócrates, via campanha da aliança. Não pode haver campanha sem ele. Mas, ninguém mais que ele, está feliz.

Podia estar esquecido, mas não está. Alguém está interessado no seu reaparecimento ativo. Alguém que espera obter votos à sua custa. Mas, tudo indica, estariam bem mais confortáveis com Seguro só.

Confortáveis não estariam de modo nenhum. A questão é apenas de mais ou menos desconfortáveis. Depois do desconforto que vai trazer o depois do 17 de maio, fica-se à espera do choque do 25 de maio.

Garantem-nos já que não haverá regresso. Mas o problema, para já, é que não haverá sequer adeus. Eles continuam aí. Regresso certo e garantido, só o de Sócrates, porque há quem não prescinda dele.

 

 

 

16 Mai, 2014

MALDIÇÕES

 

 

Espantalhos, fantasmas, maldições e aberrações, eis o que não falta nestes dias em que muitos alvoroços se misturam com muitos mais alheamentos. Mas o povo já não vibra com os espantalhos que vê.

O mais curioso é que, quem mais os mostra, ou tenta mostrar, são os mesmos de sempre. Agora, até são aqueles que pintam o sucesso do país de amarelo e laranja, que mais precisam de velhos espantalhos.

Quem está convencido de que conseguiu ultrapassar velhos vícios e maus hábitos, podia e devia arvorar essas bandeiras para ser recompensado pelo voto que tanto disputam com fantasmas no ar.

Quem não deve não teme. Mas, quem tanto deve aos que agora pretende voltar a ‘indrominar’ julga que, repetindo táticas antigas, vai obter o mesmo sucesso invocando velhas maldições e aberrações.

Hoje, supostamente, terá sido o último espetáculo circense com rede. As comemorações já começaram há algum tempo e vão ter o seu momento de glória amanhã, com a festiva reunião dos heróis.

Não será de estranhar que nessa histórica reunião, sejam inventados mais uns cortes que ainda não haviam sido detetados, por incúria ou incompetência. Cortes que terão nomes a condizer com a festa.

Não faltam vozes a vaticinar que os erros do passado não voltarão. Todos os erros alheios, claro, sem incluir os seus. Porque na política também há maldições. E também há espantalhos. E aberrações.

 

 

 

15 Mai, 2014

CIDADE PROIBIDA

 

 

Cavaco continua a dar boas lições aos seus amigos chineses. Para além de lhes vender (oferecer) uma boa imagem do país, ensina-os, para que eles possam fazer boas compras (com muitas ofertas).

Com aquele ar simpático e conhecedor que todos lhe conhecemos, terá dito que o poder isolado do povo não é coisa boa, muito menos quando o imperador se encontra fechado com 55 mulheres. Será?

Quanto ao isolamento do poder perante o povo, ninguém melhor que ele, para bem poder aconselhar os amigos chineses. Não há nada como as experiências pessoais para fundamentar bons conselhos.

Quanto ao imperador, tão bem acompanhado por 55 mulheres do povo, só podia estar a fazer inveja ao nosso presidente, que nada tem de imperador e muito menos com os seus momentos de lazer.

Segundo a notícia, o presidente encontrava-se na Cidade Proibida em Pequim, onde o imperador se deliciava, fechado no complexo, com as mais belas lá do sítio. Onde não entram os visitantes mais ilustres.

Que bem que alguns e algumas gostariam de espreitar pelo buraco da fechadura. Participar, nem pensar. Tudo aquilo deve ser muito complexo para a moral e costumes dos cento e tal passeantes.

Por alguma razão aquilo se chama complexo. Pela mesma razão se chamará Cidade Proibida. E por mais que uma razão está na cidade de Pequim. Será de Pecado? É melhor que se apressem a regressar.

 

 

 

 

 

Quando estou farto desta pasmaceira, pego na mala e vou até à China. Não sei porquê mas, depois da Venezuela, apaixonei-me por este longínquo país. Agora são estes os meus dois grandes amores.

Sobre alguma coisa havia de aprender com os nossos governantes. Ao fim de tanto ouvir falar das suas maravilhosas viagens a esses paradisíacos destinos, rendi-me completamente. E lá fui eu.

Neste preciso momento em que escrevo estas linhas, estou na China, precisamente à hora em que se realiza esse fantasmagórico Benfica-Sevilha, em Turim. Resolvi vir para aqui, pois em Portugal não dava.

É um reboliço tremendo por tudo quanto é sítio. Dizem que foi para lá muita gente que tinha o sangue a ferver. Fizeram muito bem. Mas, mesmo assim, ainda ficou cá gente a mais. E eu fugi para a China.

Já aproveitei para ouvir aqui a fadista predileta, que não cantou em chinês. Já aproveitei para ver e ouvir aqui, os meus ídolos da política nacional, a falar sobre o país deles, mas não os ouvi falar do meu.

Como não podia deixar de ser, já falei com os empresários amigos. Pretendi saber o que estavam a vender. Fartaram-se de rir. E não tive outro remédio senão ir comprar umas bugigangas às lojas chinesas.

Mas é bom estar na China. A gente fala em chinês e eles só querem que falemos em português. Dizem que é mais chique. Realmente, os chineses são do outro mundo. Fazemos bem em aprender com eles.

Eles ensinam-nos como se trabalha de borla e como se respeitam os direitos humanos. Nós ensinamos-lhes aqueles truques básicos de como se foge ao fisco e se fica milionário sem assaltar bancos.

Ora, ora!... Afinal vim eu de Portugal até à China, para ver o jogo Benfica/Sevilha, pela TV chinesa, e fiquei para aqui a expor a minha vidinha ao sol. Se bem me parece, neste momento, ganha a China.   

Aqui estou eu em minha casa, uma casa portuguesa. Coloquei a mala do computador junto à mesa onde coloquei o dito e caprichei em pesquisar o melhor site chinês. Estava inundado de negócios lusos.

Quando me dá na real gana de ir até à Venezuela, faço exatamente o mesmo. Mala vazia, computador em cima da mesa. É assim que eu acompanho as grandes viagens dos meus ídolos. Gozo mais que eles.

 

 

 

13 Mai, 2014

EMENDA E EMENTA

 

 

E de repente lembrei-me dos meninos do infantário quando as educadoras os levam a tomar ar. Todos em fila pegando no bibe do que vai à sua frente. É uma maneira de não descarrilarem.

Nesta campanha eleitoral não há fila porque estes meninos já são grandes. Grandes, mas pouco crescidos, pois andam todos agarrados ao bibe de um só. Faz-me lembrar as últimas legislativas.

Na ementa de todos eles, encontramos os mesmos petiscos. Todos a falar predominantemente de um só, como se a lista não fosse variada. Tão variada, que nem se dão ao trabalho de a consultar.

O prato a atacar é sempre o mesmo. O mesmo que anda sempre a dar boleia aos outros, aqueles que não lhe largam o bibe. Como da outra vez. Está visto que já estão completamente desmemoriados.

E andam eles a queixar-se que estão mal, que não podem tolerar mais o que lhes estão a fazer. Mas, objetivamente, nenhum deles larga o bibe que lhes garante ser a melhor forma de sobreviver.

Eis o céu e o inferno coligados para que, quem está no purgatório, não tenha hipóteses de sair de lá. Eles lá sabem a quem entregam as suas almas. Mas podiam poupar-nos a tantas fitas entre eles.

Amigos como são, deviam assumir-se sempre como tal. Façam como o governo. Que se lixem as políticas e as ideias dos países seus amigos. Que passem para cá montes de massa. O resto é demagogia.

Na campanha eleitoral, só cheira a bafio e a bafientos. Nada mudou de antigos hábitos e de más ementas. É tudo para esquecer, pois não têm emenda. Já agora, hoje e amanhã, falem apenas do Benfica.

 

 

  

12 Mai, 2014

O PREÇO DO VOTO

 

 

Começou hoje mais uma batida na época de caça ao voto. Não é novidade nenhuma, visto que os caçadores do dito, já nos habituaram ao tiroteio ininterrupto, sem olhar a épocas de caça.

De há três anos para cá, o coelho tem estado na mira de milhões de armas, sempre prontas a disparar. Mas, não só o coelho. Também as aves raras que posam diariamente frente às câmaras e aos micros.

Hoje, toda a caça, constituída por todos os caçadores, se lançou numa correria pelo país todo, em busca de votos. Votos que lhes permitirão estas caças ao tesouro, que é bolso dos portugueses.

No fim de contas, cada voto conseguido, irá constituir o pecúlio que permitirá praticar a cara democracia dos contribuintes e a pobre democracia recebida, em troca do que pagam com língua de palmo.

A democracia não vive sem partidos e os partidos não vivem sem votos. Pagos com muitos sacrifícios, que não são, de modo nenhum, consentâneos com os esbanjamentos que as caçadas provocam.

Se o preço do voto está caro, alguém paga o que não é justo, face à relação custo benefício. O custo de cada deputado e de cada partido, devia corresponder ao benefício que cada um deles dá ao eleitor.

O eleitor sente que é útil apenas para pagar. E, porque nada recebe em troca, vota cada vez menos. Daí que cada voto seja ouro para quem o recebe. Mas, ninguém faz nada para que o eleitor renasça.

Cada deputado e cada partido, devia ter de prestar contas da sua atividade em favor do país. O mesmo devia acontecer com todos os governantes no fim de cada legislatura. As contas deviam dar certo.

A democracia devia ser obrigada a ser exigente com todos os que vivem dela. Para que todos os democratas que a sustentam, vissem o seu dinheiro traduzir-se em melhor democracia e melhores eleitos.

 

 

 

11 Mai, 2014

COELHO E CATROGA

 

 

Ambos são únicos no panorama da política nacional e ambos são um símbolo da verdadeira arte de bem trocar tudo. Apostava mesmo que ambos poderiam ser os maiores e melhores troca-tintas de cores.

Na arte de bem pintar, trocam a todo o momento o quadro que eles encheram de laranja, por um quadro que eles pretendem agora vender como sendo pintado em cor-de-rosa. Serão daltónicos?

Não. São apenas troca-tintas. E o pior de tudo é que, com tantas trocas, acabam por borrar as pinturas que tanto tentam adulterar. Ambos julgam que é bom reeditar as patranhas da última campanha.  

No nosso panorama político, Passos comporta-se cada vez mais como um principiante inexperiente e volátil no modo como se expressa. Já o veterano Catroga, aparece como o avozinho cheio de caruncho.

Tudo o que dizem e fazem é absolutamente verdade, desde que tenhamos a capacidade de os ouvir da frente para trás. Chegaremos assim à evolução da conversa de hoje, até à de quatro anos antes.

E lá vamos encontrar o Porreiro e a pá, bem como o Pinóquio e o lixo. Como se o Porreiro de ontem não fosse hoje, uma Porra muito maior e o Pinóquio de hoje, não estivesse a dar-nos uma grande pinocada.   

Pois é, pá é coisa de ontem, tal como o lixo. Hoje, já nem sequer há vassoura que consiga varrê-lo. Transformou-se numa incontrolável lixeira. Não há pá nem vassoura que dê a necessária vassourada.