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afonsonunes

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19 Ago, 2014

A CORRER

 

 

Eles correm atrás de nós para nos tirarem tudo o que temos à mostra. Nós corremos atrás deles para lhes dar o resto. Somos todos corredores, nesta corrida em que eles são os ases e nós os duques.

É uma corrida de milhões, em que nos vão tirando euros a cada passada que damos, para dar prémios de milhões, aos que correm atrás de nós para não nos perderem de vista. E os ases são eles.

Estranhas corridas estas em que tão depressa nos obrigam a correr na frente deles, como somos nós que corremos atrás deles para lhes prestarmos a nossa vassalagem, como os duques perante os ases.

Quando começa a cheirar a eleições, é vê-los, todos os que querem ser eleitos e todos os que lhes cheira a leitinho do poder, em grandes correrias atrás do povinho, povinho manso, que se deixa apanhar.

Mas, nem sempre o povinho é tão manso como parece. Sobretudo, quando se vê perante o boletim de voto com aquele quadradinho que tudo decide. É apenas uma cruzinha. Que pode ser um calvário.

O país corre grandes riscos. Os governantes correm, a apagar os riscos que eles próprios têm feito na vida dos portugueses. Há quem corra atrás deles. Mas, já são mais os que querem correr com eles.

 

 

 

18 Ago, 2014

BOA MAMÃ

 

 

Mamã é mamã, logo, tem de estar sempre do lado filho, sejam quais forem as contrariedades que o aflijam. E a mamã não é fã do parceiro do filho. Não admira, pois o filho também não é fã do parceiro.

Acontece que a mamã tem outros filhos, todos diferentes, daí que não pudesse estar do lado dos filhos todos, em matéria de política. Mas, não pode com Sócrates, coisa que este filho também secunda.

Aliás, a mamã, que viveu sempre no ambiente bancário, tinha necessariamente de estar do lado do filho mais badalado. Daquele que tinha a virtude de arranjar parceiros mais importantes.

Mas, obrigação a quanto obrigas. O filho, tal como o parceiro, e agora a mamã do filho, sempre que se aproximam eleições vão ressuscitar o homem do Freeport, já que não podem falar de submarinos.

A mamã do filho está convencida de que Sócrates não está morto para a política. Oh minha ilustre senhora… Não está ele nem o seu filho, nem o seu parceiro, nem toda a seleta companhia deles. 

Todos eles estão bem vivos, tal como a senhora mamã do filho. Obviamente que, nos seus desejos e nos deles, só Sócrates devia estar morto. Mas que crueldade! Morto, só para lhe rezar pela alma?

Estou quase a inclinar-me para a teoria das narrativas. Ou das lendas e narrativas. Gosto particularmente de boas narrativas, feitas com seriedade e baseadas na realidade dos factos. As outras são lendas.

Já é tempo das mães, dos filhos, dos parceiros, de toda a família, não se deixar embrulhar em lendas, algumas bem recentes, em lugar de tentar propalá-las, tendo em vista destruir as boas narrativas.

Porque as há. Assim houvesse a coragem e a vontade de as ler, ou de as ouvir. É verdade que, de todos os que se dispõem a narrar, poucos são os que se aproveitam. Mas, há sempre alguns menos maus.

 

 

 

17 Ago, 2014

MISTÉRIOS

 

 

Tenho ouvido e lido muitas vezes o nome de farsola, mas ainda não consegui perceber a quem se referem. Também não consegui descobrir qual o autor do nome. Mas felicito-o pelo bom gosto.

Tenho uma vaga ideia do que ele pretendeu oferecer aos seus concidadãos. Mas não arrisco divulgá-la. O padrinho do farsola pode não concordar com a minha ideia e arranjar um nome para mim. 

De qualquer forma, não posso deixar de acreditar que se trata de uma justa homenagem a qualquer coisa que o farsola fez de bom. Deve ter sido grande coisa, dada a repercussão que isso teve no país.

Outro mistério que também chegou até mim, foi o destaque político por alguém, que não sei quem é, ter merecido a alta distinção de ser agraciada com a notável designação de, a Merkel portuguesa.

E, já agora, não quero deixar de referir que também temos, o senhor troica, embora não o conheça de lado nenhum. Mas já me constou que foi uma pena virem cá buscá-lo. Não mais teremos outro igual.

Há mistérios que nunca mais serão desvendados. O país tem um farsola que o salvou. Ainda não percebi de quê. Tem a nossa Merkel que foi muito melhor que a outra. E tem trocos à farta para gastar.

Então de que se queixa este povo? Querem notas só porque as moedas se foram? Não sabem onde são os bancos que foram dos ‘gajos’ do PSD? É natural. Mudaram de nome, mas eles continuam lá.

 

 

  

16 Ago, 2014

OS ECOS

 

 

Não, não tem nada a ver com os ecologistas, nem tão pouco com os ecos dos berros que chegam às montanhas e são devolvidos. Os ecos do momento são mesmo os badamecos.

Dentro dessa espécie, escolhi os fedelhos, os presunçosos e os zés-ninguém. Porque me parecem os mais capazes de boas abordagens à ciganice. E os últimos ecos dizem isso mesmo.

Não esquecer que o país está dependente de um Pedreco, de um Passecos e de um Coelheco. E pode vir a estar à mercê de um Tozeco. Quatro badamecos, ou quatro presunçosos iguais.

As possibilidades de surgirem ciganices, que são hobbies prediletos dos badamecos, são muito maiores quando se digladiam na proporção de três para um. Cuidado com eles.

Também convém não esquecer que os três da vida airada, já se meteram na ciganice há muito tempo, enquanto o outro, não passa de um candidato. Que pode, ou não, vir a ser badameco.

O tri badameco, não se cansa de tentar seduzir o Tozeco a juntar-se a ele para dividir por quatro as ciganices de três. O tri não tem vergonha nem emenda e o tó, tem medo da reação a quente.  

O Tozeco, um insegureco compulsivo, precisa de muito tempo, para dar uma resposta que devia ter na ponta da língua. Que já a devia ter dado de vez, em lugar de tanto repetir a nega óbvia.

Com ecos destes não vamos lá. É preciso estruturar. Mas é preciso ter gente que tenha cabeça para o fazer. E o que temos são ecos de nulidades que passam o tempo a clamar por socorro.

 

 

 

14 Ago, 2014

MEUS SENHORES

 

 

Dirijo-me a todos os senhores insólitos e despropositados, de entre os quais, há um de que o senhor Seguro é padrinho. Suponho que esses nomes assentam ao autor, como um boné.

Aliás, era costume, não sei se ainda é, os padrinhos darem aos afilhados, o próprio nome. Assim sendo, logicamente, Seguro é insólito e despropositado. Assim, com letra pequena, como ele.

Insólito, porque tem ideias do arco-da-velha. Despropositado, porque tem despropósitos que nunca vêm a propósito. Mas não é só ele. Porque ele não é único no país. Vamos aos sósias.

O senhor Aníbal é um dos amigos da província, onde Seguro tem muitas simpatias. Já está com uma idade avançada, daí que se trate de uma amizade com avanços, solavancos e recuos. 

O senhor Pedro vem da periferia da capital. Há quem diga que é amigo. Eu diria que é o seu seguro de estado. E, com um seguro destes, o estado está garantido. Com uma apólice simbólica.

O senhor Carlos é um fadista de primeira água. Parece-se muito com Seguro. Com a diferença de que canta o fado do capital e na capital, enquanto o amigo dança só corridinhos no interior.

O senhor Paulo e a senhora Maria pertencem ao lote das amizades menores. Ambos têm a noção de que nunca dançariam com Seguro. Mas, por agora, a música não está má.

Bom, depois, minhas senhoras e meus senhores, é sabido que não gostam mesmo nada do Seguro. Fazem todos muito bem. Não tolerariam sequer, a promiscuidade de ligações perigosas.

Insólitos e despropositados de todo o país. Eu sei que também sou insólito e despropositado. Mas, o que eu digo não se escreve. E o que eu escrevo não se diz. Seria mesmo insólito.

Já agora, a talhe de foice, hoje foi mais um dia insólito e despropositado. Mais dois chumbos. Sinceramente, até os senhores juízes ficaram insólitos e despropositados. Já viram?

 

 

 

13 Ago, 2014

OS CÁBULAS

 

 

Cá para mim os maiores cábulas do país são todos aqueles que, de viva voz, ou através da escrita, passam o seu ocioso tempo a repetir o que dizem os governantes favoritos, ou os chefes dos seus partidos.

Acabam por ser uma espécie de papagaios que apenas sabem repetir o que ouvem, com a agravante de meterem pelo meio da conversa, uns pios e uns ruídos que denunciam a incapacidade de ser claros.

Cábulas são os estudantes que não estudam. Mas também podem ser os trabalhadores que não trabalham. Uns e outros falam muito de trabalho mas é mais que evidente que vivem do trabalho dos outros.

Para os exames arranjam-se umas cábulas e lá se passa o ano. Para garantir o tacho das papas e descanso, arranja-se um amigo que passa uns papéis e já está. É por isso que isto está tão bom para eles.

Nem é preciso pensar na vida. Basta copiar ou digitalizar o pensamento de quem já fez o mesmo em relação aos seus contatos. Está tudo sistematizado. E hoje é o sistema que tudo determina.

Até Seguro diz que Costa anda a copiar as suas propostas e as do governo. Curiosa esta ideia. Nem Seguro nem o governo impõem as suas propostas. Seria ótimo se Costa fosse capaz de as impor.

O que era preciso, como diz a canção do Abrunhosa é, ‘vamos fazer o que ainda não foi feito’. Só se copia o que já está feito. Seguro e o governo batem sempre na mesma tecla. Costa terá de mostrar outra.

Seguro e o governo andam aflitos. Nota-se pelos nervosismos próprios e dos seus seguidores. Costa, se lá chegar, é uma incógnita. Seguro, no que fez, foi uma desilusão. Um bom parceiro de Coelho.

Quando se entra pelo caminho do ataque pessoal, mesmo do insulto, a razão já está perdida. A campanha está suja. Sobretudo, por causa dos estranhos que sentem o piso inseguro. O resto, o tempo o dirá.

Para já, os cábulas, andam numa azáfama doentia para espalhar a confusão. Para manter o que têm. Para que ninguém note o que lhes falta. Que é construir algo de novo e não zelar pelo que não presta.

 

 

 

 

 

Evidentemente que este deserto é o nosso. Aquele em que vivemos e onde há muitos que não vivem, vegetam. Os que vivem, não olham para os que vegetam e, se puderem, ainda lhes tiram a luz do sol.

Há muitos desertos no mundo, onde cada residente sabe que mata ou morre. É a lei da sobrevivência. Lei dura, mas conhecida e nunca contestada. É como a lei da selva, sem enganados nem enganadores.

Este deserto em que nos meteram de há quatro anos a esta parte, é muito diferente dos outros. Desde logo, porque nos prometeram um oásis. Depois, porque o deserto se encheu de cobras e lagartos.

Atrás dessa bicharada, logo vieram os do pífaro. Que tocam, tocam, e governam-se a tocar e a adormecer os sáurios. Nem precisam que haja quem deite a moeda na malga. Eles tiram-na dos bolsos alheios.

Cada vez mais se coloca o dilema: é preferível viver no nosso deserto, ou ir para um qualquer dos outros desertos? A resposta é fácil e evidente. Basta olhar para a quantidade de gente que fugiu daqui.

É verdade que já houve apelos à fuga, na esperança de que isto fosse mesmo esse oásis prometido. É verdade que ainda agora há quem, seletivamente, queira mandar fugir aqueles que lhes fazem inveja.

E há aqueles que mordem constantemente nos calcanhares daqueles que já viram que não desistem de os afrontar, mais às suas mais que evidentes incompetências e sanha destrutiva do pouco que resta.

Não adianta encobrir falhas próprias com o lançamento de areia para os olhos dos incautos ou de quem os segue cegamente. Hoje, já não há formas de fugir por muito tempo, à verdade e à realidade da vida. 

Todos os dias vão aparecendo mais incompetências, mais aldrabices, mais desvios, mais dúvidas, mais tocadores de pífaros, que julgam que os portugueses são serpentes que eles adormecem. Enganos.

E a origem de toda esta tramoia cada vez maior, está bem definida. Ela não é de quem contesta, mas de quem faz, ou manda fazer. Ela não é de quem, eventualmente, diga asneiras, mas de quem as faz.

Essa permanente alusão a que não há quem faça melhor, é a pior desculpa dos que a invocam. Quatro anos de retrocesso e destruição, de vida num deserto de ideias e de aridez total, já chegam de castigo.

 

 

 

10 Ago, 2014

VÍTOR, O BENTO

 

 

Mais um nome para a história da salvação do país. Não fora a sua generosa decisão de deixar tudo, todo o seu bem bom, e o país teria entrado num inevitável debacle. Pensou, e bem, a pátria, primeiro.

Pensava eu que quem tinha o exclusivo do patriotismo, a ideia salvadora de uma noite de pesadelo, havia sido Costa, o Carlos. Dou a mão à palmatória por, mais uma vez, demonstrar a minha ignorância.

Soube agora que Vítor, o Bento, tinha uma bela vida, ganhava bem, tinha tempo para tudo, mas preferiu abdicar dessa felicidade, para que a pátria e os portugueses recebessem tudo o que ele deixou.

Porém, devo confessar que também estava convencido de que Portas, o Paulo, mais a sua parceira Luís, a Maria, tinham tomado parte nessa heroica salvação. Sem esquecer Pedro, o Coelho.

E, ainda agora, não consigo abandonar a ideia de que o mais português de todos os portugueses, Silva, o Aníbal, não deixaria de entrar nessa missão quase impossível. Nem o país o deixaria de fora.

Mas, factos são factos e se, Vítor, o Bento, mesmo sem fundo de resolução, sem todos aqueles que não regulam bem e sem todos os que garantiram que houve uma regulação perfeita, diz que foi ele… 

Já agora, não posso deixar de meter a minha colherada. O país foi salvo, devido ao patriotismo de um, ou de todos os intervenientes. Só tenho pena que não se possa dizer o mesmo do banco que se finou.

Esse já não tem salvação possível. Mas, Salgado, o Ricardo, está de pé e cheio de fé. Afinal, ainda não terminou as orações de recuperação da vida que Vítor, o Bento, deixou. Santo, o Espírito, me valha.

 

 

 

09 Ago, 2014

BATER MAS DEVAGAR

 

 

Até posso não gostar de determinados rapazes, mas isso não quer dizer que entenda que eles não servem para nada. Servem, sim senhor. Servem para incomodar quem não gosta deles e lhes batem.

Nas meninas não se bate nem com uma flor. Mas, nos meninos que parecem meninas, pode bater-se com um cravo. Quem não gostar de cravos, sobretudo vermelhos, deve saber que bater, pode ser crime.

Não esquecer que os humanos são animais. Logo, bater num cão ou num homem, é bater num animal. Daí que, bater no homem mais querido de todos, é o mesmo que bater no cão de água do Obama.

Se eu quisesse mesmo bater num homem, não hesitava em escolher o mais odiado de todos. Nunca o mais popular, por mais que o detestasse. E, para bater, escolheria uma caneta muito leve.

Por outro lado, e mudando de ângulo de visão, reconheço que não se deve bater em quem está de rastos, simplesmente, porque é desumano. A bater é nos fortes, de voz grossa, pois esses dão luta.

Porém, quando pego no cravo para acarinhar alguém, procuro sempre descortinar quem mais o merece. Os que mexem no alheio e os que mexem na tranquilidade da minha consciência. Bater, não.

É que eu gosto muito mais de bater, à minha maneira, do que ver bater em alguém que tinha todas as condições para dar uma valente sova em quem lhe quer bater. Bater, pode ser sinal de estar a levar.

 

 

 

 

 

Há dias, S. Carlos viu o país no fio da navalha. Nunca teria pensado numa desgraça dessas. Apesar de ser santo e de já ter passado por anjinho, deparou-se-lhe uma situação demoníaca que julgou sem par.

Após uma noite tenebrosa de cogitações que tudo lhe indicava serem insuperáveis, eis que se lembrou de que os santos, por vezes, fazem milagres. Apesar do demónio Sócrates não lhe sair da mente exausta.

Tudo por causa dos malfadados riscos sistémicos. Sócrates nacionalizou o BPN porque não tinha os milhões da troica à mão. Nem tinha o Fundo de Resolução. Mas tinha os riscos sistémicos.

S. Carlos e os seus, não podiam dizer coisas destas. Porque assim, teriam de falar em copianço, em lugar de falar de milagrosa sabedoria sobre o fio da tal navalha, a entrar nos riscos sistémicos.

Concluo eu agora que esses malfadados riscos eram mais uma asquerosa mentira sistémica, no caso BPN, enquanto estes riscos de agora, eram uma verdade sistémica e salvadora dos santos deste céu.

De qualquer forma, antes ou agora, os riscos são duras realidades. Os riscos sistémicos, em ambos os casos, BPN e BES, vieram de quem roubou. Como já ouvi, querem prender o polícia e proteger o ladrão.

Quanto aos ladrões, há muita gente interessada em mudar-lhes as identidades. Os seus protetores, não se cansam de procurar no sítio errado. Mas, felizmente, ainda há gente que sabe proteger-se deles.