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afonsonunes

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07 Ago, 2014

LIMPEZAS

 

 

O governo resolveu aproveitar o fresquinho deste verão para fazer uma limpeza mais profunda a tudo, ou quase, o que são prestações sociais. Devo confessar que, em alguns casos, ela vem muito tarde.

Anda por aí ainda muita malandrice em alguns subsídios a quem os não devia ter. E é até injusto que, simplesmente, sejam cortados, pois os abusadores deviam ser obrigados a regularizar as fraudes.

Isto não significa que todos os cortes agora feitos são justos. Pelo contrário, há escandalosas injustiças que só quem não conhece a realidade de condições de vida desumanas, pode levar a cabo.

Portanto, há limpezas e há sujeiras. No lado oposto da sociedade, a sujeira cada vez é maior. Aí, o governo não corta nada, antes despeja mais sujeira em cima da que já lá existe. Aqui, não há limpezas.

O lixo que anda lá por cima, a ladroagem, a sede de dinheiro sujo, a voragem de destruição de tudo o que sustentava os que vivem lá em baixo, não tem limpezas logo, não tem forma de ser reciclado.

No que toca à ladroagem, fala-se muito de processos antigos ou atuais, para tapar as consequências dos buracos, e dos que tomaram decisões sobre eles. Mas não se faz por recuperar o que foi roubado.

E o que foi roubado, ou mal recebido, devido a favores e compadrios, daria para evitar tantas limpezas às famílias sobre as quais não há o menor respeito. Quem sujou, que suba ao topo e limpe a fundo.

06 Ago, 2014

CALMA; MUITA CALMA!

 

 

Como toda a gente sabe, a situação do país está perfeitamente controlada, apesar de alguns agitadores estarem apostados em querer comparar esta situação com outra de triste memória.

São esses mesmos que dizem agora mal de tudo, quando já esqueceram a ginástica que nós tivemos de fazer, para por tudo direitinho e a funcionar na brilhantina. Não brincamos em serviço. 

Vemo-nos obrigados a pedir calma aos portugueses para que não deem ouvidos a quem anda a meter-lhes medo. Medo, têm eles que o seu banco lhes feche a torneira. Mas, se fechar, outro novo virá.

Nós temos soluções para todos os problemas que herdámos e para todos os berbicachos que vão aparecendo, resultantes daqueles problemas. De matemática e de dialética, sabemos nós de sobra.

E, sobretudo, temos muita calma. O país não pode andar agitado, só porque os bancos correm o risco de não ter dinheiro. O país não são os bancos. O país, somos todos nós, os que o salvaram da bancarrota.

Aqui juramos que, bancarrota, jamais, em tempo algum. Aliás, depois de acabarmos com os bancos, acabou-se o vil dinheiro. Logo, acabou imediatamente o perigo de bancarrota. Com calma tudo se resolve.

Também os bolsistas devem ter muita calma. Parece que estão perdidos, mas não estão. Sem bancos e sem dinheiro, essas preocupações são fantasmas que as vossas cabecinhas vão perder.

E vão perder definitivamente esse frete de estar o dia todo a ver a evolução das ações. Uma boa ação é aquela que vos põe a dormir o dia inteiro, de papo para o ar. Pensando apenas no que já fizemos.

Mas, se quiserem fazer mais qualquer coisa, dediquem-se à agricultura, que até pode ser feita na vossa garagem ou na varanda. Em alternativa têm a pesca. Nem que seja no aquário da sala.

Que ninguém tenha dúvidas. Com calma a vida é muito mais fácil. Eu, por exemplo, dou banho ao gato três vezes por dia. Isto porque não tenho cão. E a quem eu queria dar um bom banho, não me deixam.

 

 

 

05 Ago, 2014

B(P)N

 

 

Deu trabalho, muito trabalho, a remover aquela letrinha que fazia toda a semelhança. Foram horas dramáticas para eliminar, ou suprimir, um P que podia trazer Sócrates e Ronaldo à ribalta.

Sócrates, porque sempre que voou dinheiro em grandes quantidades, de qualquer sítio, foi sempre o nome dele que apareceu na montra. Ronaldo, porque era a decoração a cores das montras do BES.

Seguindo este raciocínio, Ronaldo encheu o Bom e o Mau BES de milhões com os seus depósitos na modalidade de conta ordenado. Ao contrário, Sócrates limpou os cofres do Bom e originou o Mau.

Há outra grande diferença entre o BPN e o BN: No primeiro, havia um regulador que tinha apenas um C na identificação (Constâncio); o segundo, tem dois C - CC (Carlos Costa). Há o Mau e o Mau-Mau.

Agora, o Banco Novo, virá a chamar-se BIC, ou BAC, ou BEC, ou BOC, consoante quem fizer o favor de o aceitar por uns trocos. Mira, quem está a olhar. Não, não quero dizer que o Sócrates já está à espreita.

Quanto ao Banco Mau, ainda fica por lá uma pipa de massa. A família é muito grande e há empresas para todos os gostos. Espera-se que não levem estranhos para a administração. Especialmente Sócrates.

Também é de toda a conveniência que Ronaldo não retire a conta ordenado do Banco Mau, senão aquilo fica pior que o Espírito Santo nos livre. Não esperem por Passos para administrar a massa falida.

Quem não vai ligar a estes maus passos, são os bons contribuintes. São os isentos, que são os que só tiram e nunca pagam um cêntimo. A estes, nem Sócrates arrisca roubar nada. Problema? Nós pagamos.

 

 

 

 

 

Nos últimos quatro anos temos tido a felicidade de nos adormecerem com histórias da rosinha, alternadas com histórias da carochinha. Tem sido um período fértil para quem gosta de adormecer feliz.

A verdade é que, até a felicidade cansa, quando ela nos chega em doses exorbitantes, por tempo indeterminado. Assim, não há como uns safanões na morna sonolência. Mesmo que doa um pouquinho.

Até as criancinhas se fartam de ouvir sempre a mesma história na hora do seu oó. Muitos portugueses, crescidos obviamente, já suspiram por umas animadas histórias da era de ouro da laranjinha.

Já é tempo de começarmos a ouvir, da parte dos protagonistas políticos dos últimos quatro anos, os seus feitos na primeira pessoa, extirpados de exageradas modéstias e de personagens estranhas.

Queremos saber tudo o que fizeram, a quem o fizeram, bem como o que pensam fazer, enquanto se não fartarem de tanto trabalho produtivo a favor dos mais fracos, sobretudo, dos mais pobres.

Já vamos nos quatro anos em que só nos trouxeram coisas boas. Os ricos estão cada vez ‘mais pobres’, enquanto os pobres estão cada vez ‘mais ricos’. Até os bancos e os banqueiros estrebucham. É bom.

A vida está tão fácil, tão cómoda e tão boa, que os cidadãos já nem querem saber do que lhes dizem. O que vier, come-se, pensam. Mentiras? Querem lá saber. Já ninguém acredita em nada. Para quê.   

O povo, perdão. A população, está estragada com mimos. Já merecem umas caretas de quem lhos dá. Contem-lhes histórias de laranjas podres. Não é mau, nem é bom. É diferente. É vosso.

 

 

 

 

 

Todos temos um pai, logo, todos somos filhos. Quando rezamos, aqueles que rezam, invocamos o Pai, o Filho e o Espírito Santo, todos com letra maiúscula. Mas, o meu assunto de hoje, é de minúsculas.

Porque nem eu, nem os portugueses, rezamos a santos de pau carunchoso. Não tenho dúvidas de que tudo o que me acontece é por obra de um pai que me não conhece, mas não me larga da mão.

É assim uma espécie de pai coletivo que já vai na terceira fase. Na primeira, não fez mais que mandar recados para a esquerda e para a direita. A segunda foi a fase do silêncio. Na terceira distribui alertas.

Portanto, não adianta andar por aí a dizer em nome do pai. Até porque ele não nos reconhece como filhos. Mas tem um filho. Que, pelo que faz e pelo que diz, não parece ser mais que um aprendiz.

Claro que o pai está constantemente a falar em nome do filho. Porque o pai pensa que pensa melhor que o filho, só porque lhe diz o que ele quer ouvir. Creio que, tal pai tal filho. Tudo em nome do filho.

Nem o pai, nem o filho, querem possuir o espírito santo. Mas encarregaram um primo com um espírito de sacrifício santificado, para carregar com os maus-olhados de todos os espíritos santos.

Só surpreende que, no meio de tantos espíritos iluminados, não tenham tido uns momentos de oração e meditação. Agora, nem razões têm para dizer: em nome do pai, do filho e do espírito santo.  

Nem sequer podem agora invocar em vão, como tantas vezes o fizeram, o nome de um fiel Constâncio que foi por eles crucificado por muito menos. E estão a crucificar os espíritos mais santos do país.

 

 

 

02 Ago, 2014

PENÚLTIMA HORA

 

 

Tenho passado estes últimos dias a espreitar tudo quanto é informação ou desinformação. Tenho dedicado uma atenção muito especial aos grandes criadores de notícias fantásticas de última hora.

Nesses recantos de surpresas, leio as garrafais das primeiras páginas e todas as letrinhas do interior. Nas televisões que lhes transcrevem as novidades, não perco uma palavrinha dos imparáveis roda pés.

Não é fácil esta tarefa de não deixar escapar nada. Escusado será dizer que nem tenho tido tempo para dormir. Mas, estou convencido que os criadores dessas tais notícias se deixaram mesmo dormir.

É que, depois de tanta azáfama informativa sobre diversos assuntos, uns mais recorrentes, outros mais chatos, nunca mais se resolvem a publicar as notícias de prisões efetivas de bandidos descobertos.

É verdade que também não encontrei notícias relativas às suas próprias detenções, nem para interrogatórios, por alarmes falsos lançados aos seus leitores. Estou certo que houve mesmo desmaios.

Ou talvez eu esteja a exagerar um pouco mais do que é costume. Quem me diz a mim que todo esse pessoal entrou de férias agora. Se foi esse o caso, os folhetins só continuam em Setembro. Então, até lá.

 

 

 

 

 

A deitar contas à vida ninguém bate estes governantes, ou não conseguissem eles ver equilíbrios em tudo o que está de pantanas e anunciar grandes progressos onde só conseguimos ver recuos.

Da Europa, pela mão do nosso benemérito, benfeitor e salvador, vêm pipas de massa, em notas novinhas em folha, dirigidas ao seu protegido amigo, que nem sequer foi capaz de lhe dizer, porreiro pá.

Como se isso não bastasse, foi com um grande abraço que lhe prometeu pagar depressa e bem, com a garantia de que o faria com Moedas. Moedas de 5 cêntimos, pois notas é coisa que não há cá.

Ainda houve uma quinhenta que foi exibida até ao último momento da conversa mas, infelizmente para o país, verificou-se que foi considerada nota falsa. E foi assim que teve de se ir às Moedas.

Agora há quem ponha o problema, em termos de estarmos com muita sorte. Assim, ainda ficámos com uma quinhenta de reserva, enquanto vamos entretendo o Pipas a contar as Moedinhas.

Não é difícil perceber que nos peditórios e no rebusco às algibeiras lá se vão ainda recolhendo essas Moeditas que temos de entregar. Entregar uma quinhenta de uma só vez, era a imediata bancarrota.

Neste momento pode acontecer tudo. Tudo menos uma bancarrota. Daria uma trabalheira conseguir convencer o país de que esta, tinha exatamente a mesma origem da anterior. E o mesmo causador.

Ora, agora mesmo, pode garantir-se que vamos pagar esta e a outra, sem ir ao bolso de ninguém. De Moedas está o país cheio. E a dívida quase paga. São as contas que nos apresentam. Que pagamos bem.

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