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afonsonunes

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10 Dez, 2014

PAREM LÁ COM ISSO

 

Constou-me que os deputados estiveram a trabalhar dezassete horas seguidas no dia de ontem. Mas isso é desumano. Tratem lá de resolver o problema, antes que alguém fique irremediavelmente doente.

Além disso, ou estão a receber um balúrdio em extras, ou trabalham de borla, o que é péssimo. Como não conheço o regimento da AR, o que é imperdoável, estou muito preocupado com qualquer das hipóteses.

A hora de serviço extraordinário para a função pública está tão baixa que não vale a pena fazê-las. Há desempregados a dar com um pau. Não há dúvida de que vale a pena contratar deputados a recibos verdes.

Assim, a AR passaria a funcionar em dois turnos de doze horas cada um, o que já era bem melhor que dezassete. Com a vantagem de baixar a taxa de desemprego e melhorar substancialmente as condições de trabalho.

Além disso, e muito importante, não prejudicaria os deputados que têm outras ocupações por fora, pois já sabiam que tinham doze horas livres por dia. Sistema que permitia audições de vinte e quatro horas seguidas.

E mais. Acabavam-se as bocas foleiras de certos ignorantes, no que toca à redução para metade do número atual de deputados. Quando muito, poderiam reivindicar que os atuais, se dividissem pelos dois turnos.  

É evidente que haveria alguns inconvenientes. Mas todos eles de pequena monta. A conta da eletricidade subiria um bocado, mas a EDP é amiga. O restaurante tinha de ter horário permanente, mas o consumo aumentava.

Como estas ideias ainda estão muito em bruto, prometo que vou fazer contas, usando o mesmo sistema que a ministra das Finanças. Até porque há mais dados a ter em conta. E, os incontornáveis cortes, obviamente.

09 Dez, 2014

MAIS TRÊS MILHÔES

 

Mas que bom. Três milhões, são três milhões e muito mais festejados quando sabemos que não vieram dos bolsos dos mexilhões portugueses mais ricos, nem tão pouco dos mexilhões pobres que já deixaram de o ser.

Desta vez, é visível o regozijo de alguém extremamente inovador. São três milhões que virão de fora, sem que os empresários mais dinâmicos tenham mexido uma palha para tal entrada de dinheiro para melões.

A nossa inovação e educação têm mesmo de caminhar nesse sentido. Com orgulho, alguém revelou tão audacioso plano de receitas, que não são ´goldes’, nem cortes, nem provenientes de longas e dispendiosas viagens.

Como já chega de conversa fiada vamos ao que interessa. Há três equipas nacionais de futebol que vão entrar em ação, hoje e amanhã. Estão em jogo três milhões. Daí que não pode haver falhas. Três milhões em cofre.

Já foi montado todo o esquema de segurança. Uma operação mediática sem paralelo no país e em terras de Sua Majestade, a cargo da nossa eficiente e espetacular AT. Com a proteção da insuperável justiça nacional.

Três milhões que vão suprir muitas e inadiáveis carências do país, ao nível de alguns pais, mas também de muitos filhos. Prioritários, são os campos da verdadeira e sã democracia e da educação despida de falsas teorias.

Hoje e amanhã andam três milhões no ar, a voar, à procura de quem os possa apanhar. O país não precisa deles. O país não prescinde deles. Como também não prescinde da manha e da esperteza de alguns democratas.

Desta vez, o mediatismo estará montado no cerco do voo da águia, ao fim do dia de hoje. Um milhão. Amanhã estará, primeiro, no defumadouro do dragão. Mais um milhão. E no aeroporto, o delírio final. Mais um milhão.

Durante estes dois dias não é necessário chamar a AT, nem a PJ, nem a PSP, nem falar de pais malandros e filhos da mãe. Já há espetáculo garantido. Espera-se e deseja-se que o disfrutem com todo o prazer.

O governo tem obrigatoriamente de enveredar por este caminho. Basta só decretar que não pode haver derrotas. Nem empates. Só vitórias de milhão. Obrigatórias. Senão, choldra com eles. Quem não ganha, perde-se.

 

O baile é esta dança de emoções que dia a dia perpassam pelas nossas vidas, ora repletas de acontecimentos estimulantes, ora pejadas de sentimentos frustrantes. Mas normalmente o baile, ou a dança, continua.

O que varia é o ritmo e a vontade de dançar, pois há muitos fatores que nos comandam e que, em muitos casos, não temos a mínima probabilidade de os controlar. Nem de os acelerar, ou de os travar.

É o caso da ação do Ministério da Justiça. Vai averiguar se Santos Silva e João Perna partilham a mesma cela na prisão. Como se trata de uma averiguação de especial complexidade, vão passar meses sem resultados.

Não é de estranhar, pois o mesmo se passa com o segredo de justiça. Agora não se pode falar disso, em virtude da especial complexidade do momento. Aliás, quando for oportuno, vão ser pedidas ideias ao PS.

Tenho a sensação de que este governo pode ser considerado o pai da falta de ideias para o país. Não é por nada de especial. É simplesmente porque quer ter a fama e o proveito de ser o pai tirano no diálogo com o PS.

Foi com um espanto enorme, vá lá, retiro o enorme, que soube hoje através da revista Visão, que Passos foi apanhado em escutas telefónicas da AT. A ordem foi imediata: ‘alto e para o baile, isto não pode acontecer’.

Estou ligeiramente confundido. Será que Passos é o pai da rolha? Ou será que algum sucedâneo da rolha assumiu as suas responsabilidades de filho de pai incógnito? Se este país está mal de pais, não está melhor de filhos.

Este país, o nosso país, atravessa hoje uma época de uma nova liberdade de tratar os portugueses, consoante critérios dos pais de uma nova igualdade e de uma nova democracia. É preciso dizer, alto e para o baile.

07 Dez, 2014

DE TROMBAS

 

Antes de mais, quero felicitar o doutor Mário Soares pelos seus noventa anos. Sou um dos muitos que consideram ter sido ele o pai da nossa democracia, o grande defensor da liberdade e da nossa entrada na UE.

Sobre o doutor Mário Soares, ponto final, parágrafo.

Muita gente sentiu-se enojada por causa dos mexilhões e dos donos. Quem mexe é mexilhão e quem tem mexido abusivamente nos bolsos dos portugueses está bem identificado. Um mexilhão que abusa das palavras.

Diz o povo com toda a propriedade que quem se lixa é sempre o mexilhão. Ora, quando há um mexilhão que nunca se lixou e lixa muita gente todos os dias, alguma coisa está errada no dicionário do grande mexilhão.

Se não é do dicionário, é da gramática. Se não é de uma coisa nem da outra, só pode ser da língua que não sabe, ou não pode, dar o devido jeito às palavras que por ela passam. E já se tornou hábito, esse mau jeito.

Tal como ele, há outros mexilhões que interferem na vida dos portugueses. Para uns, o dom da palavra puxa-lhes sempre para o atropelo. Outros, dizendo o mesmo, sabem escolher melhor as palavras.

Na verdade, é esse o seu programa único das festas. Um programa que tenta flagelar outros mas que, por ironia do erro, acaba por ser um programa de autoflagelação. Com muito foguetório a rebentar à sua volta.

Ou talvez uma tentativa de suicídio. Mas só se for com uma boa companhia na mesma corda. Morrer é o que menos importa, desde que se não vá só. Senão, há que esperar pela última moda. A morte assistida.

Entretanto, discute-se muito o programa que ainda não existe. Mas que toda a gente sabe que vai existir. E não é preciso vir a ser muito bom, para suplantar o suicidário que já existe. Basta que dê para sobreviver.

E que dê também para que os donos disto sobrevivam á maledicência. O desaparecimento é a morte. Que os maus donos disto vão todos para onde merecem, mas não para onde os moribundos os querem empurrar.

Quando o elefante atira com a tromba para o ar vai sair trombada. Mas o elefante é o elefante. Forte, destemido e genuíno. E não se importa de dar de trombas com cabeçudos que são obrigados a andar de tromba baixa.

 

 

06 Dez, 2014

OLHA A NOVIDADE

 

Jardim diz que vai deixar o bem bom e admite vir para o bem mau. Não encontro novidade alguma no facto de dizer que se vai embora, depois de tantas vezes o dizer, e depois ficar, sempre devido a coisas de última hora.

Não é de qualquer maneira que se deixa um bem bom de quase quarenta anos. Mas, o facto novíssimo de admitir que se vem meter no bem mau, o ‘contnente’, é algo que até eu gostava de ver. Era mais um espetáculo.

Quem sabe se a AR com ele, não ganhava uma nova dinâmica. E então, se porventura lá encontrasse Portas e Passos refugiados como ele, a coisa seria imperdível. Nem lá fazia falta Costa e os seus amigos da esquerda.

Mudando de agulha. Diz a imprensa que vai haver, ou já houve, novas buscas a cargo do juiz Carlos Alexandre. Olha a novidade. Tenho o receio, ou o medo, de que até eu, e não só, vou acabar rebuscado e escutado.

Quando me esqueço do lugar onde guardei qualquer coisa de que preciso depois, logo vem a minha patroa procurar se eu ando em busca da rolha. Como julga que eu sou procurador, logo me diz para procurar na garrafa.

Eu quero lá saber da garrafa e da rolha que ela tem. Eu quero é a minha rolha fora da boca. E essa, prevejo eu, só vai aparecer quando, quem me rolhou, concluir que eu sou mudo. Mas isso vai demorar muito tempo.

Volto a mudar de agulha. Passos disse que os donos do país estão a desaparecer. Essa é boa. É boa e tem direitos de autor. Mas então, o dono do país não é ele? Por vezes penso que já não regulo bem. Ou será ele?

Bom, a menos que ele, Passos, queira dizer que não é só ele. Dou-lhe o benefício da dúvida. Será Portas? Será Cavaco? Ou serão os três? Mas então, ‘penso eu de que’, andam por aí pensamentos muito trágicos.

Olha a novidade. Mas, agora a sério. Os donos do país a que ele se refere são os donos disto tudo. São os chineses e todos os que têm adquirido tudo isto, pelas mãos de uns sujeitos que já tardam em desaparecer.

Se acaso Passos estiver a insinuar que outros donos, que não ele e os seus próximos, estão a desaparecer, devia ter uma coisa que eu cá sei e ser claro e conciso. E deixar que também procurem o que se não sabe dele.

 

05 Dez, 2014

O QUOCIENTE DE ZERO

 

Começo por dizer que ainda não me dei ao trabalho de incomodar o meu intelecto com essa coisa complicada que é o quociente familiar. E digo complicada, sem conhecer o assunto pois, sinceramente, não sei o que é.

Mas sei que ele, quociente, divide dois partidos e dá como resultado, zero. O dividendo, o governo, insistiu mais uma vez em querer convencer o divisor, o PS, de que tinha obrigação de romper de vez com esta divisão.

O dividendo é chato como a bebida, pois ainda não foi desta que se convenceu de que para haver divisão com resultado positivo, tem de sair do zero e arranjar outro ponto de partida. Ou seja, um algarismo positivo.

É evidente que o divisor não quer passar pelo vexame de cair abaixo de zero para se deixar dividir. E muito menos ir na conversa de que se trataria de uma divisão entre algarismos crescidos, quando o dividendo é zero.

Ora, para ser crescido, teria sempre de estar acima da base do zero à esquerda já que, à direita, só se fosse de outro zero. E andam estes algarismos a falar de quocientes, em contas de dividir tão fantasiosas.

Aposto que todos eles são espetaculares em outras contas. Por exemplo, contas de sumir. E não sei se uma ou outra vez eles não arranjam maneiras de fazer contas de dividir, antes mesmo de fazer as de sumir.

Aí, eles entendem-se bem na questão do quociente, tal como não têm dúvidas de qual deles é o dividendo e o divisor. Porém, o que se reclama de gente mais crescida, conseguiu arrebanhar os melhores quocientes.

04 Dez, 2014

ÍMPETOS

 

Já sabemos que o governo vai continuar os ímpetos reformistas que nunca teve. Logo, vai continuar como dantes a trabalhar na reforma dos cortes, porque não há cabeças que sejam capazes de pensar nas boas reformas.

Também já sabemos que o governo vai continuar os ímpetos revanchistas com muito orgulho e prazer. Sem vozes incómodas a estorvar. Com toda a sanha acusadora descarregada em cima de quem tiver que ser silenciado.

Também já sabemos que a UE vai continuar a pedir mais prisões por corrupção, com os ímpetos demonstrados até agora. A UE sabe que há muitos corruptos impetuosos ocultos. E que é preciso ir bem mais acima.

Mas também sabemos que o governo vai continuar com os ímpetos domadores da comunicação social. As demissões na RTP até podem não ter nada a ver com futebóis mas, com a outra teimosia do tal programa.

E sabemos ainda que o governo quer conter os ímpetos de legislar a quente sobre as anormalidades da justiça. Porque o quentinho na alma sabe muito bem. E tudo está bem, tal como está. Até às próximas eleições.

Ímpetos, muitos ímpetos, é o que não falta nesta maré de regeneração, já considerada de reviravolta eleitoral. As legislativas, consideradas já como definitivamente perdidas, voltam agora a ressuscitar uma nova esperança.

Mas, as esperanças são muito voláteis e as coisas mudam de um momento para o outro. Aliás, como se tem visto em relação a muitas dessas coisas dadas como certas. Muita água vai brotar ainda de línguas pouco limpas.

03 Dez, 2014

A BOA E A MÁ

 

A teoria do banco bom e do banco mau já saiu do sistema bancário e está a alastrar a outras atividades. Até a própria corrupção já é contemplada com a classificação de boa e má. Parece que os vistos gold vieram a calhar.

A apregoada fragilidade atual do PS continua a ser uma coisa má, coisa que já vem de muito longe, no entender dos desentendidos coligados no governo. Pois, fragilidades é a coisa boa nesses partidos da estabilidade.

Uma coisa boa, mas mesmo muito boa, é a qualidade e a competência de todos os eleitos, ou escolhidos para o governo, ou para os altos cargos do estado. Uma coisa muito má, é o facto de todos os socialistas serem maus.

Uma coisa boa é o casamento, ou união de facto, entre o liberalismo do governo português e o socialismo dos chineses que vão comprando Portugal. Uma coisa muito má, é o maldito socialismo português.

Outra coisa boa que este governo sempre teve, foi um elevado cariz reformista que já colocou o país a salvo. Garantiu agora que o não vai perder. Pudera, é óbvio que não se pode perder o que nunca se teve.

Mas, a coisa má, péssima, aliás, a pior que o país podia ter, foi o governo anterior, que tudo o que fez foi caca, tomou a iniciativa de chamar a troica e fez uma bancarrota. Tudo sozinho, com estes de agora a bater palmas.

Nunca pode perder a vergonha, quem nunca a teve. Há conversas de passa culpas e desculpas que já metem nojo. Se vamos ter mais um ano desta crescente pouca vergonha, então era melhor fechar já para obras.

02 Dez, 2014

MAS É, OU NÂO É?

 

A todo o momento se ouvem apelos do governo e seus satélites a consensos e entendimentos com o PS. Sabe-se, e eu não vou entrar em repetições sobejamente conhecidas, como isso está em ponto de negação.

É frequente em debates ou outros encontros de membros do governo e seus satélites com elementos do PS, haver aquela velha e suja tática de, enquanto um fala, o outro sobrepor repetidamente - isso não é verdade.

Ora, a primeira regra da democracia é falar e deixar falar, cada um na sua vez. Senão, entra-se na peixeirada, tão usada por quem não tem razão. Começa a haver um conjunto de opiniões que convergem em três pontos.

A renegociação da dívida é fulcral para que o país seja solvente e cumpra os seus compromissos. Para isso, é preciso consenso e sabemos quem o não quer. Por teimosia, por fuga em frente e por medo de perder votos.

A urgente necessidade de garantir que a justiça seja capaz de agir segundo a lei, quanto ao segredo de justiça. Os agentes judiciários são cidadãos que não podem ser os primeiros infratores. Sabemos quem o pode evitar.

A clarificação política através de eleições antecipadas, pois o país encontra-se num impasse, neste momento impossível de ultrapassar. Todos sabemos quem não quer essa solução e porque a não quer.

Clarificados estes três pontos estariam dados passos importantes para que o país começasse a respirar no meio deste sufoco. Com tudo na mesma, é estar a enganar os portugueses. Com conversa fiada que não leva a nada.

01 Dez, 2014

ELE SEM ELE

 

Ainda há uma canção velhinha que diz – ele sem ela não é ninguém. Na verdade, se olharmos para cima, vemos perfeitamente que isso faz todo o sentido. Mais, nós os portugueses, sentimos isso a todo o momento.

Já o contrário – ela sem ele - desenrascava-se na maravilha. Até porque todos sabemos que as mulheres são muito mais completas no que toca às tarefas do dia-a-dia. Por alguma razão se diz que lá em casa mandam elas.

E há muitas delas que também mandam lá no gabinete, ou no escritório, ou na oficina. Aí é que não se compreende o que eles estão lá a fazer. Ao menos que vão para casa lavar a loiça, ou fazer a comida, ou ver a novela.

O problema é mais complicado quando – ele sem ele, não é ninguém. Eu diria que – um sem o outro, não são ninguém. Mas, ainda definiria melhor a situação de ambos se dissesse que os dois juntos não valem um sequer.

Não entendo por que motivo ainda não houve ninguém que se lembrasse de pedir à Madalena Iglésias que atualizasse a sua canção. Certamente que teria um êxito ainda maior. Mas podia manter parte da outra letra.

Por exemplo – ele é bom rapaz, um pouco tímido até. Obviamente que tinha de colocar isto no plural, para não destoar de – eles, um sem o outro não são ninguém. Embora essa coisa da timidez, tenha virado estupidez.

Já ouvi dizer que, por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher. Cá para mim, essa não pega. Um deles não é grande. Aliás, por detrás de um homem pequeno, está sempre outro, ainda mais pequeno.

 

 

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