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afonsonunes

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10 Jan, 2015

AMANHÃ

 

Em Portugal as manifestações estão em vias de desaparecimento. Suponho eu, porque já poucos acreditam na sua eficácia como forma de lutar por qualquer coisa que se pretenda. Mesmo por grandes causas.

Evidentemente que tal desinteresse das massas não acontece por acaso. Em primeiro lugar, parece estar o medo de represálias por parte do poder. Depois, entre outras razões, há a convicção de que já não vale a pena.

A teoria de que o povo só tem que se manifestar por ocasião das eleições, é o argumento de todos aqueles que estão do lado do poder. Para eles, ou para muitos deles, até as eleições são infetadas com a ignorância do povo.

Amanhã vai ocorrer uma grande manifestação em Paris. Juntar-se-ão manifestantes europeus e até extra europeus. A causa é conhecida. Mas é duvidoso de que todos eles se identifiquem plenamente com essa causa.

Amanhã vão estar em Paris governantes e líderes políticos que nada fazem nas suas práticas diárias, para que ninguém ofenda as liberdades que vão aplaudir, especialmente a de expressão. Em todas as suas vertentes.

Não sei se estarão em Paris muitos ou poucos portugueses idos expressamente de Portugal para a manifestação. Mas eu, como muitos outros, não vou estar lá presencialmente. Mas vamos estar em espírito.

Pois alguém estará lá, por mim e por todos os portugueses. Alguém que se orgulha da informação que temos. E que gritará a plenos pulmões, as suas convicções, para que Paris e o mundo saibam o que somos e o que temos.

09 Jan, 2015

É SEMPRE ASSIM

 

O que aconteceu agora em França, já aconteceu em muitas partes do globo e vai continuar a acontecer, provavelmente, com maior regularidade, em locais cada vez menos esperados. Resta saber porquê.

Nestes momentos fala-se muito de liberdades. Nestes momentos toda a gente lamenta os atentados à liberdade. Ainda bem que assim é. É bom que quem tantas vezes atropela muitas liberdades, pense nelas uma vez.

Cada vez há mais gente que é capaz de matar para morrer de seguida. Quando a morte se transforma num acontecimento tão banal e mesmo tão desejado, há qualquer coisa no mundo e nas pessoas que mudou.

E entre muitas outras coisas que mudaram, está o conceito de liberdade. Que anda muito ligado ao conceito de verdade. Há liberdade para tudo. Até para transformar mentiras em verdades. Com toda a hipocrisia.

É sempre assim. Muita gente revoltada, quando alguém mata alguém. Muitas manifestações inflamadas, muita solidariedade até. Mas passados poucos dias, outras coisas surgem e estas são esquecidas até à próxima.

Também há liberdade para matar, mesmo sem balas e sem violência física. Mas mata-se por incompetência, por insensibilidade, por negligência, por danos morais irreversíveis. As vítimas tinham direitos. Sobretudo, à vida.

Contra estes atentados diários, poucos são os que se insurgem. Porque há mortos e mortos. Porque até na morte há discriminações. Umas são lamentadas, outras choradas e outras ainda ignoradas. Mas todas brutais.

É óbvio que não se pode ficar insensível à bestialidade e à barbárie. As reações são normais e humanas. Há muita gente no mundo que anda a brincar com o fogo. Pobres das vítimas que não fizeram mal a ninguém.

08 Jan, 2015

AÍ VEM ELE

 

A vingança serve-se fria e, tanto quanto possível, disfarçada de um ato cívico normal em qualquer democracia. O presidente Alberto, vai deixar de o ser em benefício de um seu dileto discípulo, agora degenerado.

Há pessoas, e presidentes também, que nunca perdoarão a quem se lhe meta no caminho. O presidente Alberto perdeu o lugar, por ver o terreno a fugir-lhe debaixo das botas. E digo botas por já ter ouvido falar delas.

Mas, que ninguém pense que o presidente Alberto se conforma com um qualquer revés. Se perdeu ao berlinde, vai tentar ganhar à malha. Sim, pois a malha tem outra dimensão. E joga-se em pé, não de cócoras.

A Madeira é um jardim, mas o continente trata desse e de todos os jardins do ‘contnente’ e ‘elhas’. Logo, perder uma pequena presidência, é ter de ganhar a presidência maior. Ser o presidente de todos os presidentes.  

Portanto, aí vem ele de armas e bagagens, com toda a sua vivacidade e fulgor, disposto a demonstrar que tudo o que fez na Madeira é urgente fazer no país inteiro. Esqueceu-se que, aqui, o presidente não governa.

No entanto, como é um homem muito corajoso e um político muito audaz, vai mostrar que depois, manda ele. É de esperar que consiga o que outros quiseram. Aí vem ele para deitar abaixo o que está. E erguer o país.

07 Jan, 2015

NÃO FALOU COMIGO

 

O doutor Ricardo Salgado falou com o Presidente da República quando sentiu que já não era o dono de nada. De nada, não é bem assim, porque ele ficou com muito escondido. Mas dono de muito menos do que teve.

Julgava eu que o presidente não podia valer a ninguém com esses problemas, sobretudo, problemas de tapar buracões de um banco daqueles. E tanto assim é que não tapou mesmo e Salgado ficou insosso.

Ora, são conhecidas as dificuldades da família presidencial, conforme descrição do próprio em devido tempo. São também conhecidas as dificuldades de todos os reformados. Então, só Salgado não as conhecia?

Até certo ponto, compreende-se. O doutor Ricardo Salgado não está reformado. Tem, sim, a obrigação, como banqueiro de topo, de saber a situação do país e dos portugueses. Para poder ajudar em lugar de pedir.

Porém, julgo eu, ele não é homem para pedir em vão. E, segundo consta, ele foi mesmo pedir qualquer coisa. Dinheiro, não, como já foi justificado. Talvez fosse cobrar qualquer coisa mas, nesse caso, não levou nada.

Nada, penso eu, pois pode ter recebido gratidão e apoio moral bem-intencionado, mas que de pouco lhe terá valido, dado o seu estado de desespero. Mas, a palavra de um presidente é um precioso bálsamo.

Mesmo que apenas pague uma pequena parte do bálsamo que constituiu a realização de um sonho de prosperidades que, afinal, nem todas se concretizaram. E quem não tem tudo, nunca pode dar muito do que tem.

Então, por que não terá ele falado comigo? Eu também sou capaz de consolar desconsolados. Mas podia ter falado com a tesoureira do país. Essa sim, poderia falar do que ele queria. Mas não to dou, diria ela.

06 Jan, 2015

'BICUAITE PLISE'

 

É este o apelo que eu faço a toda a gente, porque me dizem ser esta a melhor maneira de levar o país para a frente. Não percebi ainda muito bem para a frente de quê ou de quem, mas sobre isso, bicuaite plise.

Vou confessar uma coisa de que não devia falar. É provável que me cheguem a roupa ao pelo mas, como está muito frio, talvez me saiba bem. Decidi pedir um subsídio de exclusividade. Porquê? Por não ser o único.

Aliás, todos aqueles que trabalham deviam receber esse subsídio. Que mais não seja para que se dediquem a tempo inteiro ao seu único trabalho. Ao trabalho exclusivo, sem outros de encanar a perna à rã.

Aliás, também todos os desempregados deviam ter o seu subsídio de exclusividade. Hoje é uma das ocupações mais dignas da sociedade. E mais difícil de desempenhar. Quem julgar que não, experimente e verá.

Aliás, todos os reformados e pensionistas deviam ser incluídos no número dos beneficiários do subsídio de exclusividade. Eles são apenas isso. Não fazem mais nada. Nadinha. Qual é a diferença entre eles e os outros?

Só assim a justiça seria igual para todos. Ao menos nos subsídios. O governo, se quer ser o governo de todos os portugueses, não se deve deixar arrastar por oportunidades de ocasião. E aí, é fácil. Toma lá.

Bom, já se está mesmo a ver porque devo dizer, bicuite plise. É porque isto é segredo. Não sei mesmo se é um segredo de justiça, mas se é, estou tramado. Não estou incluído no número dos que o podem ignorar.

Mas, já agora, lembro que eu vivo só disto. E, se me tiram isto, têm de me sustentar em qualquer lado. Sim, eu estou ver onde. Mas o país perderia mais que eu que, nesse caso, nem precisaria do subsídio de exclusividade.

Não, não é verdade. Mesmo nessa situação, eu e todos os outros, precisávamos, sim senhor. Então essa não é também uma exclusividade? Estávamos todos às ordens daqueles que vão beneficiar do subsídio.

05 Jan, 2015

A PLATAFORMA

 

Mais uma invenção do PSD para tentar fazer crer que está muito civilizado e sociável, coisa que nem era preciso dizê-lo, pois está bem à vista de toda a gente que essa é uma atitude irrevogável no seu dia-a-dia político.

Acontece que as coisas irrevogáveis não são propriamente o seu forte. Nessa matéria, como em muitas outras, tem de valer-se da experiência e do sábio aconselhamento do líder do CDS, seu parceiro de coligação.

Ora aqui é que começa o busílis da plataforma que o incontornável Marco apresentou ao novo líder do PS António Costa, sem Marco. Plataforma que revogava o CDS de fiel parceiro pensante dessa coligação salvadora.

E agora lá teremos o CDS, ou o seu líder, a fazer a tal pergunta: e agora como é que eu fico? Ou: com que cara é que eu fico? A plataforma ficou em águas de bacalhau como Marco. Mas as caras de Passos e Portas, não.

É natural que a coligação não sofra mais uma irrevogabilidade. Mas isto é capaz de provocar mais um adiamento complementar na difícil solução, ou uma nova resolução, do novo acordo eleitoral. Com uma nuvem negra.

Houve até uma ameaça meteorológica com a possibilidade de formação de uma nuvem ainda mais negra. Nuvem que pairou no pensamento de gente sem sensibilidade. Confusões de plataformas com ‘tecnoformas’.

No entanto, a sensibilidade do meu dedo mindinho esquerdo, mostra-me que tudo isto não passou de uma plataforma combinada e estratégica de PSD e CDS para engatar o PS. Até parece que julgam que Costa é Marco.

04 Jan, 2015

ISTO TUDO

 

Isto tudo, é este país de Cavaco e de Passos, onde vale a pena viver, sobretudo para os ouvir dizer-nos o que devemos fazer. E a obrigação de termos de pensar como eles. E quem não quiser, Évora com ele.

Com isto assim, não tardará que Mário Soares seja o próximo a ficar em Évora, quando ali voltar a fazer a visita ao amigo. Claro que isso não o incomodará muito. Ele até tem saudades do tempo em que esteve assim.

Em contrapartida, os que têm a consciência muito mais pesada que ele, ficarão mais felizes, por não terem que lhe suportar os incómodos. E o receio de que haja quem lhe dê razão, pois um dia qualquer, sabe-se lá…

No meio disto tudo, Sócrates está a manipular a investigação. Pois é, mas ele está, sobretudo, a atacar frontalmente quem manipula a população. Os direitos dele são iguais aos daqueles que querem ter esse exclusivo.

Diz o comentador televisivo mais baixinho cá do burgo e disto tudo, que Sócrates está a influenciar a opinião pública, para influenciar a justiça. É verdade. Está a fazer tudo igualzinho a todos os que o querem ver preso.

No meio disto tudo, a justiça faria uma injustiça enorme se fizesse ao Crato o que fez a Maria de Lurdes Rodrigues. Faria uma grande injustiça se fizesse a Passos e a Portas o que fez a Vara. Era uma injustiça. Mas justa.

Isto tudo é uma chatice. A justiça gasta milhões com uns e não encontra nada. Depois, poupa milhões ao não investigar outros, como Passos, Portas, Marques Mendes e outros. Realmente, o orçamento não dá…

Mas também, porque no meio disto tudo, há muito esquecimento que oculta e muita imaginação que descobre. Mas lá virá o tempo em que o oculto será descoberto e o que foi agora descoberto será enterrado.

No meio disto tudo, há os que falam muito, falam demais, sobre o que não sabem e sobre o que inventam, mas negam a outros o direito de lhes responder à letra. O que eles querem é tudo isto calado. Isto está assim!...

03 Jan, 2015

QUEM TVI E QUEM TV

 

Os ‘comenta notícias’ dos jornais online reagiram às declarações de Sócrates à TVI com a habitual inteligência que, de um modo geral, os caracteriza. Certos de que o caso só tem uma visão correta. A deles.

Uns, insistem na sua eloquência em termos de investigação, a deles, que não é mais que aquilo que ouvem de onde lhes soa melhor. Ao seu gosto. Outros, atiram-se aos articulistas que leem, e aos jornais que os aceitam.

Nunca se pode generalizar, e não o quero fazer. Felizmente, há aqueles ‘comentas’ com quem se aprende muito. Mas há os que comentam artigos que não leem e os que se limitam a dar pontapés na gramática.

Mas, toda a gente tem direito a ser feliz à sua maneira. Parece-me que a TVI soube interpretar o sentir de muitos dos seus telespectadores. Principalmente, os seguidores do comentador Marcelo, ao domingo.

Porque também se comentam os comentadores. E amanhã pela noitinha, se verá que bons ou maus motivos, encontrará o doutor Marcelo para falar aos seus seguidores, admiradores e críticos, sobre a iniciativa da TVI.

Sobre ela, diria que, quem TeVIu e quem TeVê. Que diferença daqueles tempos da Manelita e de agora com o Zé Alberto. É que, quem tem duas opções para analisar, é livre de escolher aquela que mais o convencer.

No meu modesto entender, a TVI tem hoje uma informação diversificada, isto é, para as várias correntes de opinião, e não aquela informação de sentido único, dirigida pelo poder, com o intuito de catequisar todos.

Pondo de parte as verdades e as mentiras que possam estar em causa, é sempre preferível ter de escolher aquela verdade, ou aquela mentira, em que cada um acredita verdadeiramente. Tudo o que é imposto não é nada.

 

A corrupção está na ordem do dia. É natural, ou ela não estivesse infiltrada a todos os níveis na sociedade portuguesa. Mas, o mais curioso é que, normalmente, são os maiores corruptos que mais falam nela.

Agora, com Sócrates na prisão, até parece que não havia mais nenhum. Ele foi o político mais investigado ao longo de muitos anos. Sempre com a aparência de que havia denúncias maldosas vindas de quem o odiava.

E a ideia de que a própria justiça queria, particularmente em relação a ele, descobrir coisas que não interessava descobrir em outros políticos com mais evidências de sucesso investigativo. São coisas ainda muito obscuras.

Também está na ordem do dia a movimentação de ideias obtusas em relação às políticas defendidas pelos protagonistas das próximas eleições legislativas. Duas coisas esquisitas: consensos e bancarrota. Duas tolices.

São duas linhas de pensamento, melhor, de armas de arremesso, sempre apontadas ao alvo errado, por quem não está, nem nunca esteve disposto a falar a sério sobre isso. Coisas que trazem enganada muito boa gente.

Mas, a coisa que mais prejudica, e continuará a prejudicar fortemente o país, talvez até à extinção destas castas políticas, é a hipocrisia que elas usam sistematicamente em tudo o que dizem e fazem para sobreviver.

Vai tardar que o país consiga começar a viver numa base de verdade em tudo. A começar por uma justiça séria, sobretudo, não partidarizada. Isso terá de passar por outra atitude de quem pode meter a mão na massa.

Não pode acontecer que se fale de acabar com a impunidade para uns e deixar que muitos outros continuem impunes. Há grandes discursos nas palavras, mas pequenos no sumo. E muito mais pequenos quanto a ação.

01 Jan, 2015

ANO NOVO BANCO NOVO

 

Os portugueses devem estar felizes por haver muitos concorrentes à compra do Novo Banco. Se os portugueses não estiverem felizes, que se consolem ao menos porque os governantes estão felizes. Muito felizes.

Estou a ponderar ser um dos portugueses que se candidatam à compra do Novo Banco. O quê? Ora bolas, parece que já não posso, pois estou fora de prazo. Uma oportunidade perdida para quem passa a vida a dormir.

Tudo indica que os potenciais compradores estejam à espera de uma pechincha igual à venda do BPN. Por isso é que eu estou aqui a torcer a orelha. Podia ter agora a minha galinha dos ovos de oiro. Um banco meu.

Mas é que nem precisava ter de dinheiro. Fazia como alguns governantes. Pedia um empréstimo a trinta ou quarenta anos a um banco velho. Comprava um banco novo e já está. Como banqueiro, o governo era eu.

Ora aí está como um pelintra como eu, se tornava potencialmente um dos mais importantes do país, quem sabe, o mais importante de todos. Talvez um dono disto e daquilo. Da terra, mar e ar. De submarinos e aviões.

Nada melhor que começar o novo ano a sonhar, pois não é só o governo que sonha. Que sonha com um tontinho entre os dezassete que querem comprar. Mas todos eles, sonham com um vendedor de bancos à borla.

Eu também queria o mesmo. E até estava disposto a cobrir as generosas propostas desses dezassete, o que me parece que não seria difícil. Mas já não posso. Alguém deve ter previsto as minhas intenções e lixou-me.

No entanto, os portugueses não têm que estar preocupados com estes azares. O azar de uns é a sorte de outros. Quem não recebe paga. E a sina dos portugueses não é receber. São solidários, generosos e otimistas.

Perdida a esperança de comprar um banco novo por pouco dinheiro, fui agora acordado para outra realidade. A realidade de quem ajudou a por os bancos à venda. Ou a livrar-se deles depois de lhes esvaziar os cofres.

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