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afonsonunes

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08 Fev, 2015

GRAVATAS

 

A questão de usar ou não usar gravata entrou no delirante quotidiano de uns tantos que, infelizmente, erraram a sua vocação natural. Tudo porque o novo PM grego não usa gravata, mesmo nas cerimónias oficiais.

O problema desses delirantes que não sabem ver mais nada, nem interpretar mais nada, sem aquele olhar de burro com palas, logo passaram a ver que só os que veem com mau-olhado não usam gravata.

Por exemplo, para esses, a ida de Costa a Espanha, mereceu como principal destaque, o facto de Costa ter deixado a gravata em casa. Por cá, em comícios ou campanhas do género, vai sempre tudo engravatado.

Foi o caso de Cavaco Silva nas suas ações de campanha, de Passos nos comícios e de Portas nas diferentes reuniões do seu partido. Claro que eles nunca mostraram o pescoço. Seria um escândalo de serysismo.

O mesmo acontece com os cabos de ordens de serviço. Tudo o que Costa diz agora, é motivo de chacota para uns tantos dirigentes partidários que, de dirigentes, só têm a língua asquerosa. Quanto a jornaleiros, tal e qual.

Isto dito assim, pode parecer um excesso. No entanto, comparado com os excessos que vão crescendo com o tempo, isto não é nada. Está a repetir-se o que já vimos durante anos, para chegar ao bem bom que temos hoje.

No fim de contas o que interessa, com Tsipras ou sem Syrisa, é não apear os atuais libertadores do país. O Costa é agora tudo o que não interessa ao povo. Pois ele é muito pior que tudo o que se possa pensar: pior que eles.

É óbvio que toda a gente tem o direito de duvidar de Costa ou de qualquer outro. Também há o direito de o considerar pior que tudo o que temos. Mas isso não dá o direito de achincalhar quem não ofende ninguém.      

Sobretudo, a pessoas de uma estirpe superior, que se distingue por usar sempre gravata. A gravata é, aliás, a única virtude que muitas delas têm. Daí que, por questões de respeito, deviam deixar em paz quem a não usa.

O pior que nos podia acontecer era que o país fosse dividido entre engravatados e desengravatados. Que a gravata servisse para esconder crimes e a falta dela, para prender, antes de investigar e acusar.

07 Fev, 2015

'MINTROSOS'

 

 

Ainda há quem não saiba o que é um mentiroso, mas sabe perfeitamente o que é um mintroso. O ainda bem conhecido Sarkozy, foi nomeado o político mentiroso do ano em França. Azar o dele, por não ser de Portugal.

Se ele vivesse no nosso país, livrar-se-ia desse título tão incómodo. Até porque cá, ninguém se sentiria muito incomodado com o título. Talvez até houvesse quem ficasse orgulhoso por merecer uma distinção entre tantos.

Este título atribuído ao maior mintroso, é sempre entregue a quem detém o poder. Não fazia sentido atribui-lo a alguém que não manda nada. Mesmo assim, os candidatos são às dúzias, entre os que mais mandam.

Neste país tudo está difícil. Não admira pois que seria uma tarefa inglória escolher o maior de todos eles. Tanto para mintroso do ano, como para mintroso dos últimos quatro anos. Se calhar, até haveria coincidências.

Para que a coisa saísse mais equilibrada, conviria começar por dividi-los por categorias. Não de estaturas, mas por tamanhos das mintrosidades. Sarkozy é pequeno em tamanho, mas enorme a mentir, dizem os de lá.

Também teve o azar de, em França, o presidente mandar. Se não mandasse, também seria pequeno a mentir. E o título iria para outro. Por cá, é mais fácil. O presidente não mente. Logo, vamos ao que se segue.

O título de maior mintroso teria de ir direitinho para o PM, ainda que a muito curta distância do seu vice. Por igual distância do que cada um pode e manda. Embora nem sempre o que parece, é. Talvez um título a meias.

Espero que eles não sintam inveja por se verem classificados por igual. Não, se há coisa que eles não têm é inveja de ninguém. Nem dos mini mintrosos que andam à volta deles. Que espingardeiam por todo o lado.

Mas, estão constantemente a dar tiros nos pés. Por falta de cuidado, por erro de pontaria e, sobretudo, por confundirem o alvo desejado. Portanto, é preciso ver bem e depressa, se não se encontram frente a um espelho.

A última, é a confusão que anda no ar, entre o que se faz numa forja e numa qualquer secretária pessoal. Na forja do ferreiro martela-se o ferro. À secretária, soube-o agora, forjam-se documentos para enganar polícias.

Obviamente, esta nunca poderia ditar sequer o mintroso do mês. Mas podia perfeitamente entrar na categoria dos que andam à volta de alguém. Curioso: martelando bué, forjam-se papéis que enganam polícias.

06 Fev, 2015

INDÍCIOS?

 

Não, não vou falar desses indícios que, cada vez mais pessoas entendidas, dizem que não existem. Deixo esses indícios para quem se sinta extremamente feliz nem que seja só por pensar neles. Vamos aos outros.

Das notícias de hoje retive dois indícios carregadinhos de interesse acima da média. O primeiro. Passos já está a criar historinhas para a campanha eleitoral. A segunda, a ministra da justiça já está com medo do reviralho.  

Já toda a gente sabe que Passos é muito criativo. Logo ele, que se está marimbando para as eleições, vai socorrer-se de argumentos novos para a campanha. Ele sabe que as bancas rotas e o Sócrates já não dão votos.

A ministra da justiça já revelou que teme pela separação de poderes, se o PS ganhar as eleições. E que não fala de Sócrates. É óbvio que não quer esta junção de poderes nas mãos de outros. Nas suas, estão muito bem.

Com o aproximar do Carnaval vão surgindo coisas engraçadas. Temos dois países em confronto. O país dos juízes da paz que julgam os inquéritos dos procuradores da guerra. Nesses processos ninguém quer saber de indícios.

Os procuradores da paz entregam os seus inquéritos aos juízes da guerra. Aqui, há indícios por todo o lado. Mas, não tem nada a ver com gente má. Tem que ver com Guerra e Paz, em que a paz quer a guerra e vice-versa.

É por isso que o governo e seus apoiantes mais pacíficos, estão tão agitados. Não creio que seja medo. Mas, todos os indícios, uns mais fortes, outros mais fracos, apontam no sentido de se sentirem juízes de paz.

Isto, apesar de haver forte indício de que um juiz de paz pode estar muito preocupado com qualquer julgamento que fuja ao seu justo controlo. Receará, tal como a ministra, que Sócrates e a banca rota, os vão chamar.

Tenho a impressão que de Évora se está lembrando muita gente. Évora cada vez tem mais encanto. Só é pena que o templo de Diana não tenha grades. Se tivesse, havia exposição. Assim, pensa-se na Capela dos Ossos.

Com Paz, ou com Guerra, ou com ambas ao mesmo tempo, o país será sempre protegido. Porque tem órgãos de soberania. Entre eles a Justiça. E, soberana é a instituição. Não é o Mou Lopes, nem o Alex, nem a família.

Mais que certo é que este Carnaval vai ser muito divertido. Estou em pulgas para ver os gigantones. Passos será maior que Costa? Ou Sócrates será maior que ambos? Como será o juiz Carlos? Mais baixo que Rosário?

 

05 Fev, 2015

CUIDE-SE DOUTOR

Mário Soares anda mesmo a pedi-las. Daí que eu não tenha problemas em lhe dizer que se cuide, pois há quem tenha vontade de lhe tratar da saúde, só pelo facto de tocar em quem se julga ao lado de qualquer crítica.

E se lhe digo que se cuide é porque tenho a certeza de que ele não vai pensar que estou a ameaçá-lo. Nem nunca poderia ter essa presunção: eu a dar-lhe conselhos, ou a preveni-lo dos perigos que julgo que ele corre.

Por mim, não tenho dúvidas de que ele sabe o que diz e o que faz, apesar de tanta gente o olhar já com aquela complacência que muitos deviam ter em relação a si próprios. A lucidez não não se mede pela idade. É óbvio.

Como se não houvesse tanta estupidez e falta de bom senso em gente muito mais nova que ele. E é precisamente essa gente que quer calá-lo. Vá lá saber-se porquê. Ou vá lá saber-se por que têm tanto medo dele.

Anda por aí muita gente que não sabe o que diz nem o que faz, que por acaso até bota asneirada da grossa, e ninguém se mete com ela. Ninguém diz que é preciso responsabilizá-la. Mas, Mário Soares devia estar calado.

Mesmo porque aquilo que ele diz, normalmente, é tão sensato que devia receber agradecimentos por estar a tentar evitar problemas mais ou menos complicados. Por isso é que há muito quem diga que ele é fixe.

Portanto, não faz sentido, dizer-se que quem é fixe, seja uma ameaça para alguém, ou faça ameaças só para assustar quem quer que seja. Acontece que talvez haja gente que não se sinta confortável com o que diz e faz.

Para quem entende que Mário Soares é um perigo pelas ameaças que faz, devia lembrar-se que, se o consideram mentalmente incapaz, também não o devem considerar fisicamente uma ameaça. Deixem falar quem fala.

Mesmo que fale de órgãos de soberania, cujo órgão máximo Mário Soares já representou. É curioso que ele já tenha tido palavras bem mais duras para com o governo e a presidência e não se ouviram queixas por isso.

Do mesmo modo, Mário Soares faz parte daquele grupo de políticos que mais foi, e ainda é, atacado e insultado por muita gente. E, no entanto, não tem o hábito de vir a público a pressionar alguém para que os prenda.

Nem seria preciso dizer que não tenho nada a ver com Mário Soares. Mas tenho tudo a ver com quem quer subverter princípios que me norteiam. Combater ou defender princípios não é o mesmo que odiar pessoas.

04 Fev, 2015

ESTA MAIORIA

 

Eis uma maioria, que bem merece a designação de oculta. Está aliada a um presidente que, em lugar de contribuir para que o cidadão siga informado sobre tudo o que não percebe, ela e ele, aprovam tudo para o ocultar.

Julgava eu que um presidente servia para por os pontos nos ii, sempre que alguém levantasse dúvidas a seu respeito. Julgava eu que uma maioria que detém tantas e sérias responsabilidades, não toleraria situações dúbias.

Quem, de consciência tranquila e eivado de uma vontade inequívoca de a demonstrar, pode sujeitar-se a ver a sua posição ligada a situações pantanosas. Quem nada faz para se desviar da lama, pode ficar sujo.

A situação torna-se tanto mais caricata, para não dizer outra coisa bem pior, quando se forçam decisões gravosas para muita gente. Quando se ignoram princípios básicos de governação. Quando se abusa do poder.

Quando não se tolera que alguém fale dos seus erros, talvez crimes, e pretenda atribuir responsabilidades a quem os desmascara, esquece que o seu principal dever, é não fazer aos outros o que não quer que lhe façam.

Sempre tão lesta a apresentar queixas de quem se lhe opõe. Sempre disposta a apoiar tudo o que seja calar o que não gosta de ouvir, o país arrisca-se a ver metade dos seus cidadãos na prisão. Vontade não faltava.

Curiosamente, vemos por aí ‘virgens púdicas’ ofendidas por alguém lhes mostrar que a sua virgindade não passa de uma farsa e os seus púdicos sentimentos não passam de afrontas às pessoas verdadeiramente sérias.

Esta maioria é cada vez mais uma minoria que flagela muita gente através de meia dúzia de votos que tem a mais. E que só continua a flagelar por ter alguém que não se demarca, mas antes se esconde no meio dela.

Portugal aboliu a pena de morte há uma eternidade. No entanto, segundo relatos que andam na comunicação social, há agora muita gente no corredor da morte. Pressupõe-se que alguém os condenou. Não é crime?

 

 

Esta onda de sede de poderes levou-me a olhar com especial atenção para a conjugação do verbo poder. Já tenho abordado o poder, substantivo, mais concreto do que abstrato, dos políticos no panorama partidário.

Deixo a gramática, antes que lhe dê algum pontapé de ignorante, e vou para a moda do que podemos, ou não nos deixam poder. Como não sei falar espanhol nem grego, vou direitinho aos, podemos, portugueses.

À primeira vista, parece que temos, podemos e anti, podemos. Dos partidos com mais idade, há dois que já disseram, não podemos nada. Cá no meu entender, isso deve-se ao facto de já poderem bastante agora.

A questão que se coloca nesta altura é, se precisamos de, podemos, para mudar o que se diz por aí que está mal. Parece-me que não. Para já, com ou sem, podemos, eu não tenho dúvidas de que nunca vou poder nada.

Isto é: eu posso fazer alguma coisa, sozinho? Com certeza que não. Mas o que podemos, se formos muitos, é fazer, nos partidos atuais, o que querem os do, podemos. Porque dentro deles, sempre quiseram poder.

Ora isso, quer queiram quer não, os que querem, podemos, querem o mesmo poder. Depois de lho darem, vão acabar por se tornar iguais aos outros. Portanto, partidos velhos ou partidos novos, é tudo igual ao litro.

Mas, os partidos são essenciais para disputa do poder. Então, fora com quem está a mais nos partidos já existentes. Dentro deles, haja quem mobilize os úteis ao país e mande os inúteis a ver se chove lá fora.

Qualquer dia teremos mais partidos que freguesias. Lá fora, já é quase assim. Mas isso não melhora a qualidade da democracia. Só aumenta o número de franjas em manta rota. Ideias variadas, sim. Grupinhos, não.

02 Fev, 2015

OBAMA, A CRIANÇA

 

Por cá temos muita coisa esquisita, mas não temos um presidente a quem se possa chamar criancinha. Já os states não podem dizer o mesmo. O adulto Passos não vai tardar a dizer que Obama fala como uma criança.

Então não é que ele se atreve a dar razão ao Syrisa, embora parcial? É preciso descaramento para não ter, ao menos, ouvido o avisado e sensato comentário de um PM, o nosso, que sabe bem o que interessa à Grécia.

E sabe bem de mais, porque o seu país, o nosso, já esteve quase como a Grécia. E agora já não está, por que é bem sabido que Portugal não é a Grécia. Mas onde é que eu já ouvi isto. Eles não pagam, mas nós pagamos.

Mas, nós pagamos o quê? Ora… aquilo que já devíamos estar a pagar, em lugar de aumentar o que temos de pagar. E digo, temos, porque esse é um privilégio, talvez o único, que nos resta agora. Se Obama ouvisse Passos…

Mas, Passos tem de explicar a Obama que o problema é, antes de mais nada, de Sócrates. Mas isso está resolvido. Agora, o problema é de Costa, tal como de todos os socráticos. Cavacáticos e passáticos estão isentos.

Ai que saudades que eles já têm de Seguro e dos seguráticos. E é tudo isso, a dívida e a austeridade, que falta explicar muito bem explicadinho a Obama e a todos os obamáticos. Não somos a Grécia, nem os States.

Seguramente que não somos, nem nada que pareça, gente que vive na miséria, nem gente que nada em dólares. Nós, felizmente, ainda temos muitos bocados secos de troncos para queimar nas lareiras. Bem bom!

Aposto que os tsipráticos e os obamáticos passam frio de rachar, exatamente porque não têm bons cavacos para se aquecer. Daí que nós não precisemos de passar o tempo a soprar nas mãos enregeladas.

Depois, todos sabemos que não temos o problema deles. Eles têm criancinhas a mais, enquanto nós, temos criancinhas a menos. Resultado: somos obrigados a ter homens maus, onde eles têm criancinhas boas.

 

 

01 Fev, 2015

AS TRÊS MARIAS

 

Esta não é uma história de crianças, nem tão pouco a divulgação de qualquer coisa sigilosa. Gosto muito de crianças mas não as utilizo para ofender adultos. Também respeito o sigilo, mas não me desculpo com ele.

De Espanha veio uma frase que é muito semelhante ao conteúdo das que falaram de crianças e sigilos. Por lá, ouviu-se dizer que detetaram uns tristes a fazer aquelas coisas a que por cá se chamaram coisas de crianças.

Porém, eu vou falar de três Marias. Não é propriamente de Marias que vão com as outras. Não senhor, elas vão umas com as outras. São amigas. Trata-se da Maria Joaninha, da Maria Candidinha e da Maria Morgadinha.

Na verdade, elas são amigas dos seus amigos, o que não quer dizer que sejam amigos comuns. A Joaninha foi a última a entrar para o trio. Veio de longe e logo arrumou a Candidinha na prateleira, por causa de um amigo.

A Morgadinha era uma espécie de Maria rebelde, sempre a contestar e a manifestar o desejo de arrumar aquela casa. Com a chegada da Joaninha calou a boquinha e ficou a olhar para a Candidinha na sua prateleirinha.

Ficou a ideia de que a Morgadinha, de tanto olhar para a prateleira, acabou por se habituar à ideia de que a caladinha era a melhor. E nunca se lhe ouviu mais aquela constante contestação de tudo o que via ao redor.

Agora está tudo bem. A Candidinha já mudou de vida, diz que fez tudo bem, mas a bota não bate com a perdigota. A Joaninha entende que ela fez tudo mal. Uma delas não está de consciência tranquila. Vá lá saber-se.

Dos amigos delas não me apetece falar. Tenho o pressentimento de que a Morgadinha podia dar uns pontos nestas amizades todas. Mas ela calou-se. Paciência. Estou mesmo a ver que ela não quis acabar na prateleira.

Termino como comecei. Esta não é uma história de criancinhas, nem de uns tristes que andam por aí. Juro que ninguém me contou nada, logo não estou a trair ninguém. Esta é a história de três Marias do nosso país real.

 

 

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