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afonsonunes

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08 Mar, 2016

O condutor Aníbal

 

Ouvi dizer que o condutor Aníbal esteve dez anos sem conduzir por motivos de segurança. Fiquei sem perceber se esteve em causa a segurança do próprio, ou a segurança dos demais utilizadores da estrada.

E agora, passados dez anos, Aníbal volta à estrada. Cá para mim, não devia voltar a conduzir sem um novo exame de verificação de competência. Além disso, ninguém nos garante que vamos ser bem vistos à frente dele.

Depois, as necessidades de reflexos perfeitos, de visão impecável, de calma e serenidade à prova de todos os eventuais momentos de conflito com outros utentes da estrada, são hoje indispensáveis para se conduzir.

É assim que a partir de amanhã, dia 10 de Março, Aníbal regressa à selva que é a estrada. E é assim que Marcelo se retira dessa mesma estrada. Portanto, no trânsito, entra o Aníbal aselha e sai o Marcelo experiente.

Não consigo perceber esta incongruência. E incongruências no trânsito é coisa que só pode dar para o torto. E o torto é a possibilidade de sinistralidade no seu mais elevado expoente. E as vítimas são os tugas.

Até parece que Portugal esteve dez anos sem acidentes. Até parece que Portugal vai estar mais dez anos sem acidentes. Tomaram os portugueses. Eu, um dos portugueses na estrada, só desejo que haja menos acidentes.

Espero sinceramente que o Aníbal seja agora um melhor condutor encartado, que o Aníbal condutor com a carta cassada. E, melhor ainda, como utente da estrada, que o condómino do palácio em que habitou.

Portanto, na hora do adeus, faz-se por esquecer o passado, olha-se de frente para o presente e fazem-se figas para que o futuro seja melhor para todos. Também, mal andaríamos todos se assim não fosse. Boa viagem!

07 Mar, 2016

O primeiro dia

 

O primeiro dia de Marcelo como presidente, será quinta-feira, dia dez de Março. Porque o dia da posse não conta, até porque vai ter gente a mais à sua volta a sugerir-lhe o que deve, ou pode fazer, a partir do dia seguinte.

Como se sabe, Marcelo é um fervoroso adepto do Sporting de Braga. Suponho que ontem, dia seis, deve ter feito uma festa quase tão importante como vai ser a do próximo dia nove. Mas, sem gente do Porto.

Ora, no dia um da era Marcelo, o Braga vai lá fora defrontar o Fenerbahçe para a Liga Europa. Vontade não lhe faltaria de fazer nesse dia a sua estreia presidencial no estrangeiro. Mas, havia o cansaço do dia anterior.

Fazendo o seu merecido repouso, vai ver o jogo pela TV, estendido no sofá presidencial que ainda nem haveria tido tempo para lhe sentir a comodidade. Portanto, vai ser um primeiro dia de descanso à presidente.

Marcelo espera uma atividade muito intensa mas, por outro lado, entende que não pode fazer muitas coisas a que está habituado. Vai ter problemas, pois, fazendo o que não estava nos seus hábitos, deixa de ser Marcelo.

Certamente que vai deixar de ir regularmente à TVI. Mas não é isso que o preocupa. A TVI e Judite de Sousa não se esquecerão dele. Não faltarão programas sobre a sua vida e obra, bem como sobre o Marcelo de Belém.

O maior problema que vai enfrentar prende-se com o facto de ter de ser primeiro-cavalheiro e primeira-dama do país. Dupla tarefa que nenhum presidente ainda tivera. Aníbal tem, mas Marcelo não terá a sua Maria.

E só Aníbal sabe o quanto Maria o ajudou a enfrentar as afrontas de um certo primeiro-ministro. Como disse Catroga, o careca total, foi esse PM que o colocou pelas ruas da amargura. Marcelo, sem Maria, está em risco.

É claro que isto é conversa de vésperas do primeiro dia de um presidente. Que, no segundo dia do mandato, não pode deixar de enviar desculpas ao Porto, ao seu presidente e ao seu treinador, pelo que lhes fez o seu Braga.

E, ao terceiro dia, Marcelo será avisado por Marques Mendes que, de política, só ele e a SIC. Quanto a futebol, deve manter-se sempre fora de jogo. Quanto a amizades, não deve ir além da prestimosa Judite de Sousa.

A propósito, lembrei-me agora. É costume os presidentes irem buscar jornalistas para completar o leque de colaboradores presidenciais. Judite poderia ser a pessoa ideal para o acompanhar no protocolo de estado.

E pronto. Já fui muito além do primeiro dia. É que Marcelo, não só é um bom comunicador, como estimula a comunicação nos outros. Daí que deva refrear essa virtude sempre que se encontrar com António Costa.

06 Mar, 2016

Grandes mulheres

 

Assunção Cristas já é a presidente quase de facto do CDS que foi de Paulo Portas. Como é notório, ele ali já não risca quase nada, pois a sua sucessora até já lhe traçou o destino. Que vá tratar da vidinha lá fora.

Obviamente que Cristas justifica. É melhor para Portas e para o partido que ele não fique no Parlamento. Vamos lá ver se ela não diz o mesmo de outros deputados. O partido só teria a ganhar se eles mudassem de vida.

Com a coragem que ela aparenta, ficaria com mais autonomia e menos constrangimentos para se relacionar com outros partidos. Nunca se sabe com quem Cristas necessitará de vir a negociar um lugarzito no governo.

A menos que Portas lhe arranje um biscate do tipo do de Maria Luís, pois uma ex-ministra não vive só com o que lhe vem do partido. Com a vida encaminhada, Maria Luís podia fazer a Passos o que Cristas fez a Portas.

Não é certo que, se Portas e Passos deixassem o Parlamento, este ficaria mais despoluído ou mais limpo. Só o saberíamos depois de Cristas e Maria Luís darem corda às respetivas línguas para podermos fazer comparações.

Teríamos também de ter a certeza de que estas duas grandes mulheres aceitariam a disposição de Marcelo de pacificar ou moderar as guerras surdas da partidarite aguda. A coragem pode ter formas muito diversas.

Tendo em conta a coragem de Catarina Martins, não seria surpreendente que as três formassem um poderoso trio feminino com força para mudar a dura obsessão de Costa em convencer toda a gente a concordar com ele.

Já agora, para colocar Portugal nos eixos do tão proclamado consenso, só faltaria que ao trio das grandes mulheres se juntasse o trio da diversidade. Marcelo, Costa e Jerónimo. Teríamos assim o sexteto das mil maravilhas.

Não lhes seria difícil mudar o país, nem que fosse de terra para o mar. Obviamente, terra sem Passos era uma limpeza e mar sem Portas, era um risco enorme de submergir. Lá teríamos todos de usar boia de salvação.

 

António Costa, o primeiro-ministro, explicou ontem no Porto o que é uma verdadeira geringonça, esclarecendo que não é uma coisa má, mas uma coisa que até pode ser muito útil. Porque se trata de uma coisa habilidosa.

Pois, uma geringonça, pode resolver problemas muito importantes, se não houver outra forma mais harmoniosa de os resolver. E no que toca ao problema do governo de António Costa, PM, até não havia outra solução.

É claro que há por aí uns Antónios Costas, muito desclassificados para se compararem ao primeiro-ministro, que arrotam conselhos, soluções, críticas, esquecendo que a sua vida passada e atual, nada os recomenda.

Estou a lembrar-me de um António Costa, ex-diretor do Económico que saiu com a falência à vista. Lembro um António Costa, este, Marquinho, que se sabe o que foi em Gaia. E lembro um Ferreira ex-diretor da RTP.

Esses Costas e outros, que não se calam com a geringonça, devem fazer uma séria reflexão sobre a sua capacidade para inventar uma geringonça que lhes dê competência para podermos crer no que dizem e escrevem.

Bom, e se vamos para os partidos da oposição, lá encontramos aquelas nódoas que deixaram as tristes cenas conhecidas, mais as tristes figuras que estão agora a vir ao de cima em cada dia que passa. E falam, falam…

E não fora a ausência de uma saudável geringonça nesta justiça, por vezes preconceituosa, parcial e tendenciosa, onde ainda há quem se permita misturar a força da lei com a força das suas convicções, o país seria outro.

Pois é impressão de muita gente, que há na justiça, quem persiga muito e durante tempos infindos e há quem feche os olhos e deixe passar tudo. Todos os ferozes acusadores deveriam ter de mostrar o que escondem.

04 Mar, 2016

Desígnios

 

Todos temos os nossos desígnios. Mas nem todos somos capazes de os passar para o campo da realidade. Há quem tenha desígnios maravilhosos mas passa uma vida inteira a falar neles e não mexe uma palha por eles.

Também eu tenho o meu desígnio, que é do tamanho do mar. Desse mar largo e profundo que me faz pensar que um desígnio assim, só pode ficar parado na imensidão do tempo. Acabarei por partir e ele ficará por cá.

Estou a lembrar-me de alguém que também teve a felicidade de viver com o seu desígnio durante uma vida inteira. Tudo fez para o esquecer mas não conseguiu. Lá de vez em quando, assaltava-o a nostalgia do desígnio.

Era o mar, meu bem, era o mar, como diria um apaixonado qualquer. Para quem é seco como as palhas, nada melhor que o mar para vencer tantas securas. Mais umas horas e poderá contemplar o mar todos os dias.

Não sem antes receber a promessa de que o seu desígnio, o mar, será também o desígnio de quem tanto foi o seu anti desígnio. Mas há sempre quem tenha como desígnio ser uma nova versão do bom samaritano.

Ainda há gente assim. Poderá dizer-se que é uma virtude. Terá sido uma virtude, sim, no tempo em que quem levava uma bofetada oferecia a outra face para que lhe dessem outra. Isso, nos dias de hoje, não existe.

Hoje, é frequente ver o homem-porco, aquele que tem por hábito, por feitio, ou por modo de vida, por puro gozo, por sujo prazer, ou por interesses mesquinhos ocultos, insultar gente séria, educada, sem castigo.

Tudo porque uma coisa é a justiça delineada nas leis e nos direitos dos cidadãos, outra coisa é a justiça que muitas vezes se vê atropelada por quem a devia proteger, investigar e condenar, mas nunca antes de julgar.

O meu grande desígnio era ver um dia todos os homens-porco, de qualquer área, ou com qualquer estatuto, pagar criminalmente pelo que dizem e fazem de mal, contra quem só vociferam ódios e vinganças sujas.

 

Pedro Coelho apresentou a sua candidatura a presidente do seu partido. Como é o único concorrente, o lugar está garantido. E ele bem o merece, que mais não seja pelo contorcionismo que exibe a cada dia que passa.

Depois de dizer que o seu regresso ao cargo de primeiro-ministro dependia da atitude de Marcelo Rebelo de Sousa logo que iniciasse o seu mandato, diz a seguir que, se Costa singrar, aconselha voto na esquerda.

Temos assim que Pedro, o Coelho, depois de se mostrar um guerreiro inconformado, admite fazer aquilo que nem o mais pacífico dirigente partidário alguma vez fez. Aconselhar aos votantes a sua própria derrota.

Vamos ter assim, por louvável e benevolente iniciativa de um ex-primeiro-ministro singular, a grande oportunidade de ver o país pacificado, depois de tantas guerras estéreis, de tantos caprichos inúteis e falso palavreado.

Obviamente que da parte do deputado Pedro Coelho nunca se sabe o que vai dizer e fazer nas vinte e quatro horas do dia, noite incluída. Ele espera que Marcelo seja como ele. Porém, nem um catavento desceria tão baixo.

Teria muito mais lógica que, em lugar de se recandidatar, seguisse o exemplo da sua ex-ministra das Finanças. A empresa compensadora, certamente que, pelo mesmo motivo, o receberia de braços bem abertos.

Obviamente que há sempre muitas oportunidades para dar o fora, quando as coisas não correm de feição. Acontece assim com todos os grandes e incorrigíveis mentirosos, que vendem a alma ao diabo. O preço compensa.

 

Apesar de lhe estarem a ser dados todos os espaços mediáticos possíveis e imaginários, Passos está sem espaços para reconquistar o poder que tanto deseja. Todos os media lhe fazem o favor de dizer o que ele não lhes diz.

Efetivamente, aposta agora na possibilidade de o poder lhe cair nas mãos sem que tenha de arriscar uma luta aberta com o atual governo. Deixa isso para a Teodora e para todos os Teodoros deste país. Agora, os infalíveis.

E nós, os contribuintes, a engolir Sapo todos dias de manhã à noite, sapos que saltitam pelos jornais de sentido único, pelas televisões e pelas rádios dos senhores do país. Não informam, massacram com repetições infindas.

Já no campo político, Passos perdeu espaços de manobra. Com a decisão de PSD e CDS seguirem caminhos separados, por que ambos sentem necessidade de crescer, não se vê de onde possa vir esse crescimento.

Pelo contrário, é muito mais provável que nunca mais voltem a ter a dimensão que tiveram nas últimas eleições. A recentemente apregoada social-democracia de Passos não casa com o liberalismo de Assunção.

Como também não pode haver casamento entre o social-democrata Passos e o social-democrata Costa. Coisas que não têm comparação, como o demonstraram os últimos anos. E os políticos não mudam de repente.

E, quando mudam, correm o risco de se tornarem nuns Trumpistas de meter medo aos mais foitos. Esperamos que não tenhamos que ir para o Canadá, acompanhar os americanos, se o tal anormal chegar a presidente.

No entanto, ainda temos algumas escapatórias. Por exemplo, o facto de a Comissão Europeia adorar as alheiras de Mirandela. Claro que não vão querer passar sem elas. Porque elas valem mais que os Trumpistas de cá.

Outra escapatória de grande relevância advém da presença de Cavaco Silva no Conselho de Ministros de amanhã. É de esperar que a política do mar, em discussão, elimine os riscos do OE meter água. Cavaco não deixa.

Mas, se tudo falhar, então o governo convencerá Marcelo de que é urgente e necessário seguir o caminho do anterior governo. Assim, será a vez de correr com todos os boys que estão e estragar a bondade deste OE.

01 Mar, 2016

Jorge e Passos

 

Mas o que é que o Jorge tem a ver com o Passos, ou o que é que o Passos tem a ver com o Jorge. Isso é aquilo que eu procurei encontrar. E parece-me que consegui umas coisitas, talvez de pouca importância, mas achei.

Confesso que sou um ‘achista’ inveterado, tal como o Jorge e o Passos são uns fanfarrões a quem apetece chamar ‘inventistas’. É que eles não inventam nada de novo, mas estão sempre a pensar que se inventaram.

Enquanto eu acho que o Jorge é mais do tipo ‘cagão’, como diz o povo, o Passos descai mais para o género ‘mintrolas’. Um, diz que quem vem atrás não o agarra. Outro, diz que quem está à frente dele, já está no papo.

O Jorge é assim do estilo do Jesus para o qual não há pai. O clube sem ele não é nada. Mas ele é amigo do Infantino. Uma honra enorme. A quem já deu ideias. Que só podem ser enormes, ou não saíssem de uma cabeça…

O Passos é assim como o Coelho. Todos os dias afirma nas visitas misericordiosas, que foi traído por um tal de Costa, que lhe passou a perna. Mas sempre vai acrescentando que já não vai mais pedir eleições.

Apesar disso, Passos não pensa noutra coisa. Pois o Coelho até sonha com elas todas as noites. Já o Jorge não teme quem vem atrás dele. Mas, tal como o Jesus, já sente que alguém, sem arte, lhe morde os calcanhares.

Passos e Jorge desempenham o papel de sabichões, acima de todas as incompetências que os rodeiam. Mas, lá no fundo dos seus fundos, há duas almas penadas que se julgam no céu, sob o calor de infernos rubros.

Há vidas assim. Pequenas por dentro de si próprias, enormes quando contadas pelos próprios. Sou capaz de estar a misturar Passos com Coelho e Jorge com Jesus. Mas estas são as vidas que eu vejo. Mesmo sem óculos.

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