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afonsonunes

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11 Out, 2016

A marcha parada

 

Já sabíamos que a marcha dos taxistas na manifestação de ontem ia ser lenta. O que eu não esperava é que fosse uma marcha parada, pouco depois do seu início.

Talvez por isso, aquilo deixou de ser uma manifestação de gente que pretendia mostrar a razão do seu protesto, para se transformar numa manifestação de uns tantos amantes de selvajarias.

Os dirigentes das associações desses profissionais, apenas manifestaram uma sede enorme de mostrar que quem devia fazer as leis para o seu sector, eram eles próprios. À sua medida, à medida do seu egoísmo estúpido.

Sobretudo, pela convicção de que o governo tinha de lhes suportar toda a sobranceria e agressividade. Pela convicção de que aquilo ia ser uma questão de tempo para que o governo lhes dissesse o que eles queriam ouvir.

Os farnéis iam preparados para que Lisboa ficasse nas suas mãos, sobretudo, a sua parte mais sensível. O aeroporto. Pensavam eles que não bastariam umas horas de transtornos de gravíssimas consequências para muita gente. Era preciso achincalhar, abusar, pisar, ofender.

Os dirigentes usaram de uma arrogância nas suas afirmações, ou ameaças, ou chantagens que, só por si, eram mais que suficientes para os definir. Eles conduziram os seus associados através da incentivação, para situações muito perigosas. Alguns deles, enveredaram mesmo pelo crime.

E têm agora a cobertura desses dirigentes, dando-lhes assistência jurídica. Se é que não lhes darão mais que isso. Mas não pagam os prejuízos que causaram a quem só queria tratar da sua vida. E ninguém vai pedir responsabilidades a ninguém.

Toda aquela movimentação policial e meios que foi necessário mobilizar, como de costume, são suportados por nós, contribuintes, sem que nos perguntem se queremos pagar isso. E temos de pagar, em lugar de sermos ressarcidos dos prejuízos que nos causaram.

E já ficou o aviso: para a semana há mais. Espero eu, e talvez mais alguém, que tudo seja diferente, se for preciso. Que ninguém, alheio a esses atropelos aos mais elementares direitos dos cidadãos, seja impedido de se movimentar livremente.

Por causa da poluição, e não só, que se manifestem caminhando a pé. Que os táxis fiquem bem longe, pois a marcha faz bem à saúde. Que fique bem claro: andar de táxi não é marchar. E se houver marchas, que não sejam marchas paradas.