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afonsonunes

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04 Abr, 2017

Chamem um bombeiro


Sim, por favor, alguém que tenha coragem de pegar no telemóvel e chame com toda a urgência possível um bombeiro com competência para apagar um fogo muito difícil. Fogo que já vem de longe, de para lá das serras e vales deste país, propagando-se a uma velocidade vertiginosa.

Não basta trazer mangueiras e água, porque ele se alimenta de gasolina que uns tantos, muitíssimos incendiários, derramam constantemente sobre as suas labaredas. Assim, só um poderoso bombeiro o poderá atacar com sucesso, com meios extraordinárias, visto que os incendiários são ordinários.

O fogo dá pelo nome de futebol. Os incendiários são muitos e de muitas origens. São clubes que não podem sobreviver sem as fumaças que todos os dias lançam para a comunicação social, em primeiríssimo lugar, pela boca de alguns dos seus presidentes. São conhecidos, dão nas vistas, são uns maluquinhos sem riso.

Depois, os treinadores que, de um modo geral, trazem sempre consigo um isqueiro pronto a atear a gasolina que vomitam a toda a hora. Muitos dos jogadores que, pelo seu comportamento dentro e fora de campo, se comportam como feras à solta, no circo onde mostram as suas deformações a todos os níveis.

Ainda depois, mas não menos violentos, uma grande variedade de jornalistas, de jornaleiros, de comentadores e comentadeiros, dirigentes e adeptos sem escrúpulos, completamente subjugados à mais indigna e repugnante doença da clubite que cega e leva aos comportamentos mais aberrantes e difíceis de imaginar.

Para lá dos já ultrapassados limites da cegueira clubística, algumas claques que todo o país aguenta semanalmente, até na comunicação social, enjaulados nos autocarros, presos nas caixas de segurança, assistindo aos jogos atrás das grades ou de redes, mostra bem que isto não é gente, nem são pessoas livres.

Isto não 'é fogo que arde sem se ver'. Isto é um incêndio gigante que lavra no meio de nós, seres impotentes para o dominar, que nos queima o corpo e nos consome a cabeça. Alguém, lá do alto, mas de muito alto, um super bombeiro, se debruce sobre esta tragédia e nos livre de vez de todos os incendiários ferozes.

Enquanto tal não acontecer, que ninguém de boa fé chame a isto um fenómeno desportivo. E muito menos, o desporto rei, ou o desporto das multidões. Não, isto é uma selvajaria sem nome. Isto é um espetáculo, sim, mas simplesmente degradante, mas mais degradante ainda, porque não há ninguém que lhe ponha fim.

02 Abr, 2017

Moscas


Já cheguei à conclusão que não há nada melhor que começar bem o dia com a mosca e continuar a ouvir a mosca durante todo o dia. Apesar de ela picar com todo aquele carinho de moscas moles, chego a fartar-me de tanto zunir aos meus ouvidos.

Ao longo do dia vou ouvindo 'e agora pica a mosca' de Luís Afonso. E aí vem uma vòzinha de mosca morta, ingénua que nem uma mosca viva, acolitando uma voz celestial, de político anjinho, que faz um número muito mais pequeno que a leitura da ficha técnica.

Ao passar os olhos pelos jornais deparo com cartoonistas por tudo quanto é sítio. Aqui, não são vòzinhas mas bonecos, bonecos e mais bonecos. Alguns são apenas e só a transcrição de uma frase colhida em qualquer lado e figuras feias e más a quem querem mesmo apresentar como péssimas.

Talvez por isso, ou talvez não, dá a impressão que o país anda com a mosca. São tantos os abelhudos a pretender fazer gracinhas com quem não querem aprender nada, que pode haver quem, depois de picados por essas moscas, se julguem no meio de um vespereiro.

Os moscas, moscardos e mosquitos, não sabem ser engraçados como pretendem ser. Depois, agarram-se sempre às mesmas figuras, aquelas de que visivelmente não gostam, para justificar os dinheiritos, ou dinheirões, que daí lhes vêm.

Obviamente que os particulares que lhes pagam lá sabem as linhas com que se cosem. Quanto à rádio e televisão públicas, além do fartote de tanta mixordice, ainda são os portugueses que têm de a pagar. E também àquela gente toda que consta da ficha técnica. O texto dividido por tantos, são uma letrinhas a cada um, a que podem corresponder muitos euros por letra.

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